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Turbo

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As animações se tornaram tão frequentes e tão comuns que hoje em dia é difícil encontrar formas de usar animais em situações inusitadas — premissa básica da maioria das animações. Já tivemos animais de zoológico que precisam sobreviver na natureza selvagem, um rato que se torna chef de cozinha, um cão que acredita ter super-poderes, entre outros. As boas ideias já foram usadas, e as não tão boas, também.

Logo, por que não dar poderes a um caracol e colocá-lo para disputar a famosa corrida Indianapolis 500? Turbo (EUA, 2013) parte dessa ideia e apesar do começo lento, vai desenvolvendo velocidade e, aos poucos, conquista seu espaço no pódio — um espaço pequeno, mas ainda assim, valoroso.

Assim como um carro no início de uma corrida, o filme demora pra ganhar velocidade, devagar e cansativo como observar um caracol se arrastando por uma plantação de tomates. A história gasta muito tempo estabelecendo seu universo paralelo, que mostra os caracóis como criaturinhas que vivem vidas rotineiras e maçantes catando tomates num jardim. Theo é o desajustado que sonha em ser veloz, enquanto seu irmão mais velho, Chet se apega as convenções e à necessidade contínua de segurança.

Premissa básica também: o herói sonha em ser algo mais do que pregam as convenções da sociedade onde vive, mas sempre existe alguém, normalmente da família, que vive preso às tradições e vive com medo das mudanças que fazem parte da vida. No caso aqui, Chet acredita que Theo precisa aceitar sua realidade, pois ela não vai mudar, e quanto mais cedo ele aceitar, mais cedo ele será feliz. Mas será que existe felicidade quando você não pode ser você mesmo porque os outros dizem que isso não é certo?

A apatia nessa ilusão de segurança é tanta que até mesmo as tragédias do cotidiano se tornam plenamente aceitáveis e os caracóis não sentem nada — NADA! — quando um de seus companheiros é capturado e devorado pelos corvos que estão sempre rondando a plantação. Eles apenas olham, lamentam por um segundo e seguem adiante em suas vidinhas medíocres — paralelo com a indiferença que parece cada vez mais comum na sociedade de hoje em dia, onde pessoas vivem ansiosas por mais e mais segurança, constantemente entocadas em conchas que apenas servem para escondê-las do mundo ao redor.

As coisas mudam para Theo quando, acidentalmente, ele cai no motor de um carro tunado ultra-potente e sofre uma mutação no melhor estilo THE FLASH. É a partir desse ponto que as coisas no filme começam a ganhar um pouco de velocidade. Theo se torna Turbo, um caracol que tem poderes de carro, com farol nos olhos, rádio transmitido pela boca, luzes de alerta e super-velocidade de carro tunado que deixa rastro de gosma brilhante — sim, essa parte é sensacional!

Mas a história ainda não começou realmente, pois depois de conhecermos o SONHADOR caracol, somos apresentados ao SONHADOR humano, Tito, um jovem gradalhão e atrapalhado que sonha em tornar seu irmão pessimista, Angelo, no maior vendedor de tacos que existe, divulgando seu restaurante Dos Bros Tacos.

Tito descobre Turbo, um se vê como reflexo do outro, e eles se tornam amigos. Tito tenta lidar com a descrença do irmão, e Turbo tenta lidar com a descrença do irmão. Unidos por seus sonhos e contra o ceticismo de pessoas queridas, eles decidem se juntar para que Turbo possa disputar a corrida Indianapolis 500 e para que Tito possa colocar o Dos Bros Tacos no mapa.

A partir daqui, o filme (literalmente) acelera e fica um pouco mais tresloucado também com a aparição de um grupo de caracóis de corrida meio-Velozes meio-Furiosos, com destaque para SOMBRA BRANCAAA!!! \o/

Turbo também é digno de mérito por causa da forma como apresenta seus personagens multirraciais, tão diferentes e ainda assim tão unidos. Além de abordar de forma agradável um elemento importante nas corridas, o trabalho em equipe, o filme também possui uma mensagem que sempre vale a pena prestar atenção. Sonhar sempre vale a pena. E às vezes, quem te inspira a sonhar pode ser um babaca que não entende verdadeiramente o significado do seu sonho, mas mesmo na decepção existe força para seguir em frente. Nenhum sonho é grande demais, e nenhum sonhador é tão pequeno. Difícil não torcer por esse molusco enquanto ele tenta cruzar a linha de chegada.



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