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Star Trek: Além da Escuridão

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Star Trek: Além da Escuridão

Star Trek sempre foi uma história sobre a exploração da condição humana, disfarçada na exploração do espaço sideral — “audaciosamente indo onde nenhum homem jamais esteve”. O criador Gene Roddenberry seguia uma premissa utópica sobre um futuro onde o crime fosse abolido e as fronteiras, desfeitas. Não haveria limites para o homem em sua busca por conhecimento.

Star Trek: Além da Escuridão (Star Trek Into Darkness, EUA, 2013) é audacioso, como seu antecessor, e expande ainda mais as fronteiras da franquia, explorando um território diferente — o lado sombrio da alma humana. A escuridão vem para adicionar significado e urgência, pois a morte é mais iminente, e a destruição, mais global.

Na história, a tripulação da Enterprise se depara com uma força incomparável vinda de dentro de sua própria organização, que está devastando a frota e tudo o que ela representa, deixando o mundo em estado de crise. Com pendências pessoais para resolver, o Capitão Kirk parte numa caçada para capturar um inimigo que detém uma terrível arma de destruição em massa e está pronto para usá-la em seu plano de vingança. Kirk e sua tripulação se veem no meio de uma disputa épica de vida e morte, na qual amores serão desafiados, amizades serão despedaçadas, e sacrifícios serão feitos em prol de um bem maior.

A narrativa é sustentada principalmente por esse sentimento de urgência que rodeia seus personagens, com quem realmente nos preocupamos, especialmente porque, somente agora, começamos a ver o desenrolar das relações criadas no primeiro filme. O cerne do grupo, naturalmente, é a dupla Kirk e Spock, que precisam aprender (mais uma vez) o valor do trabalho em equipe e da amizade. O conflito entre o passional Kirk e o racional Spock é familiar aos fãs de Star Trek, e continua envolvente. É o tipo de amizade que você fica feliz por ver de novo, porque apesar dos conflitos, um é capaz de fazer qualquer coisa pelo outro. QUALQUER COISA.

Chris Pine e Zachary Quinto fazem um trabalho admirável com seus personagens, que são parecidos e, ao mesmo tempo, diferentes de suas contrapartes interpretadas por William Shatner e Leonard Nimoy, uma vez que nessa nova visão, Kirk e Spock são personagens que sofreram alterações mais drásticas em suas índoles, causadas pelas atividades de Nero no primeiro filme — um perdeu seu pai, o outro perdeu seu mundo.

Karl Urban, Zoe Saldana e John Cho continuam providenciais para o desenvolvimento das relações entre a tripulação e também têm seus momentos de destaque, especialmente Saldana. O romance entre Uhura e Spock e a falta de capacidade do Vulcano em compreender certos aspectos emocionais femininos é cômico. Mais do que isso, Uhura tem momentos realmente importantes no filme, e está em cenas cruciais para a história. Simon Pegg também desempenha um papel importante no que diz respeito às revelações do enredo, e fica engraçado com toda aquela rabugice. Outro destaque é Peter Weller, enérgico como Robert Marcus — visivelmente inspirado no personagem Robert April, que apareceu pela primeira vez em um episódio chamado The Counter-Clock Incident (algo como O Incidente do Anti-Horário) do desenho animado Star Trek: The Animated Series.

Ainda no elenco feminino, Alice Eve entra para a tripulação como Carol Marcus, que não recebe grande atenção por parte da história, mas chama BASTANTE atenção para outros atributos. Alice Eve é um ESPETÁCULO VISUAL a parte no filme! Num dado momento, ela aparece de lingerie, e Kirk, eu entendo a sua empolgação!

Aliás, essa cena mínima da Alice Eve de lingerie tem causado a maior polêmica, com uns e outros dizendo que ela aparece sem roupa numa cena gratuita. Pra mim, é uma cena que mostra um pouco mais da natureza do Kirk, um cara que não pode ver um rabo de saia, não importa se o planeta está prestes a ser explodido por uma ogiva atômica — já tem valor como exploração da índole do personagem. Porém, mais do que isso, faz parte de um tipo de estética comum à ficção científica, a exaltação da sensualidade feminina, que existia na série Star Trek original, e que existe em várias outras histórias, como Star Wars com a Princesa Leia de escrava, ou John Carter com a Princesa de Marte — isso só pra citar algumas.

Pensando em Star Wars, o novo Star Trek, inclusive, mostra-se um filme de ficção científica no melhor estilo Star Wars — aliás, é quase o J.J. Abrams dizendo que ESTÁ PRONTO pra fazer Star Wars, afinal, ele será o diretor do vindouro Star Wars: Episódio VII. O novo Star Trek é um espetáculo visual, comandado por atores excepcionais, e conduzido por um roteiro ágil e eficiente, que não se preocupa em passar por cima do cânone da série quando é necessário (algo que se prova um acerto em vários momentos).

O filme, na verdade, se esforça para criar sua própria mitologia, mais apropriada para a atmosfera dessa nova versão e não tão apegada à série ou aos filmes originais. O primeiro Star Trek, em 2009, apenas pincelava esse esforço ao rebootar inteligentemente a história com tons de homenagem, criando uma linha temporal alternativa para o mundo da série. Com isso, a história poderia seguir um novo caminho, sem ignorar tudo o que veio antes. O segundo filme é mais incisivo ao mostrar que, agora, eles estão vivendo suas próprias aventuras, e elas são divertidas e repletas de ação, mesmo nos momentos mais difíceis. O tom de homenagem agora é apenas isso, homenagem, pura e simples, usada como referência para construção do enredo — referências que não se restringem à série clássica, mas também se aproveita do segundo filme do Star Trek original, e do supracitado Star Trek: The Animated Series.

J.J. Abrams continua a provar seu dom raro de combinar personagens, enredo, humor e ação em histórias espetaculares e de efeitos visuais impressionantes. Apesar do sugestivo nome Além da Escuridão, que sugere uma realidade mais sombria e ameaçadora, o novo Star Trek singra por uma realidade de luzes e brilhos consideravelmente colorida, e abusa de tomadas panorâmicas que acrescentam certa grandiosidade às cenas e aos acontecimentos.

A ação é rápida, precisa e passional, com cenas construídas para serem épicas, mas tensas. Assim como aconteceu em Os Vingadores, cada personagem ganha seu espaço para brilhar. E assim como aconteceu em Batman: O Cavaleiro das Trevas, quem domina o território é o vilão, um personagem criado para ser poderoso e imbatível. John Harrison surge como um perigo real e imediato, que aprofunda as relações principais na tripulação da USS Enterprise, e consegue até mesmo superar o personagem no qual foi inspirado, simplesmente por ser colocado numa posição que vai muito além de maniqueísmos — “shall we begin?”

O responsável por esse vilão imponente é o ator Benedict Cumberbatch, cuja carreira em evidente ascensão vem revelando um ator expressivo, que consegue ser cativante mesmo quando precisa ser um homem frio ou violento, e isso fica claro quando ele tenta manipular a tripulação da Enterprise. Ao mesmo tempo, sua personalidade ambígua estabelece dilemas morais que nos fazem torcer por ele, algo próximo da reação normalmente despertada pelos Lannisters na série Game Of Thrones, quando um vilão desperta empatia por seus objetivos, que vão além de questões de bem e mal — vão além da escuridão.

Harrison é deliciosamente cruel e astucioso, provavelmente o cara mais inteligente que você vai ver numa cena — mesmo numa em que o Spock esteja presente. Harrison é um soldado perfeito, e seu papel foi mantido em segredo por uma razão, e começa a fazer sentido quando você descobre suas motivações e a função que ele desempenha na narrativa. Não é um vilão convencional, e isso é gratificante. Pode não ser uma surpresa conhecê-lo, mas é uma surpresa acompanhá-lo.

J.J. Abrams entrelaça seus personagens e sua história de maneira divertida e impetuosa. Star Trek: Além da Escuridão consegue se equiparar ao primeiro, formando um novo cânone para a geração contemporânea. Ainda que seja agradavelmente nostálgico para os fãs mais antigos, o filme é surpreendentemente original, e estabelece definitivamente novas realidades e mitologias para a franquia no cinema. Agora sim, a nova USS Enterprise pode ir audaciosamente onde nenhum homem jamais esteve.

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