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Depois da Terra

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O diretor M. Night Shyamalan, em 2002, fez um filme (que eu acho) bem divertido, chamado Sinais. Pouca gente gosta dele, pois considera um dos mais fracos da cinematografia do diretor. Não concordo. Acho Sinais genial, pela forma como o filme foi realizado, pela forma como Shyamalan editou algumas cenas e por ser um filme de ficção científica com orçamento baixíssimo, provando que com criatividade tudo é possível.

Depois de 11 anos, o diretor amadureceu, ficou mais sério e agora volta para a ficção científica, mas dessa vez de forma mais explícita, com alto orçamento, usando tecnologia nova, a resolução 4K, para tornar a qualidade da imagem mais nítida, algo que combina muito bem com a proposta do filme.

Depois da Terra (After Earth, EUA, 2013) com certeza tem um cuidado estético muito maior do que Sinais, com animais em CGI e cenários futurísticos que conseguem unir a preocupação ecológica de Shyamalan à alta tecnologia de um futuro de mais de 1.000 anos a frente. Mas seu argumento é do ator Will Smith, também protagonista do filme. Smith teve a ideia quando viu um reality show sobre sobreviventes, que mostrava a história de um pai e um filho que sofriam um acidente de carro em um local completamente isolado. Muito machucado, o pai precisava que o filho enfrentasse seu medo e buscasse por ajuda. Bom, essa é basicamente a história do filme, porém 1000 anos depois que a Terra foi destruída (por nós mesmos) e abandonada.

Junto com Gary Whitta (O Livro de Eli), Shyamalan lapidou a ideia de Smith e, por fim, eles criaram o roteiro. Nele, os humanos agora moram no planeta Nova Prime. Porém, extraterrestres não queriam os humanos ali, por isso, criaram e treinaram uma raça de monstros chamados Ursas para caçar e matar humanos. Os Ursas são cegos, mas extremamente mortais, ensinados a rastrear humanos pelo cheiro dos feromônios exalados por causa do medo (sim, isso é beeeeem Shyamalan). Nesse cenário, temos os Rangers, soldados criados para salvar os sobreviventes da Terra destruída, responsáveis por levar a humanidade a Nova Prime e pela luta contra os extraterrestres. O mais renomado Ranger é o Comandante Cypher Raige (Will Smith), conhecido por ser um “fantasma”, um tipo de guerreiro capaz de controlar seu medo a ponto de ser invisível aos Ursas. Seu filho mais novo, Kitai Rage (Jaden Smith) treina para também ser um Ranger e acaba num voo até outro planeta com seu pai. Porém, a nave passa por uma tempestade de asteroides e precisa fazer um pouso forçado em um planeta hostil, que logo eles descobrem ser seu antigo lar, a Terra. A nave trazia um Ursa aprisionado, que se liberta com a queda, e dos tripulantes, apenas Cypher e Kitai sobrevivem. Com a nave completamente destruída e Cypher extremamente machucado, sobra para Kitai a missão de viajar 300 km até onde caiu a parte traseira da nave, para encontrar um sinalizador e avisar Nova Prime que eles precisam de ajuda.

Talvez esse seja um dos poucos filmes de Shyamalan que você sabe exatamente o que vai acontecer até o fim, porém, o mais importante não é o suspense ou os seres misteriosos, mas o relacionamento entre pai e filho. Óbvio que o diretor deixa sua marca ao falar sobre a preocupação ecológica com nosso planeta, sobre conflitos humanos e sobre superação. O argumento de Smith é bom e sua presença no roteiro é marcante, com momentos quase piegas, ao contrário de sua atuação que é mais contida do que estamos acostumados a ver quando se trata do ator. Jaden é cria de Will Smith; ainda bastante cru, o menino parece saber exatamente o que fazer para seguir os passos do pai, mas a atuação de Jaden surpreende para alguém que está começando a carreira. Ele carrega bem o filme sozinho, já que grande parte das cenas de ação é dele.

O incrível cenário mostra que a Terra se viraria melhor sem os humanos para destruí-la, com animais em nível de evolução consideravelmente avançado e até uma atmosfera menos adaptável aos humanos. É a forma sútil do diretor para mostrar que a natureza é muito mais forte e poderosa do que nós (mas acho que o recado já estava bem claro em Fim dos Tempos). Aliás, conceitualmente, Depois da Terra parece uma continuação dos supracitados Sinais e Fim dos Tempos, pela Terra que foi devastada porque a natureza se virou contra os humanos, e pelos alienígenas que tem raiva dos humanos a ponto de lançarem bestas assassinas contra eles (brincando com as possibilidades, os aliens aqui poderiam ser os aliens de Sinais).

Por fim, o que mais impressiona dentro da sutileza de Shyamalan é o aspecto futurista desenvolvido para o cenário, todo criado a partir de materiais que poderiam ser recicláveis, como vidro, madeira, papel e tecidos, pouco aço, muita tecnologia e um estilo mega clean é interessante ver esse futuro ecologicamente correto, moderno e tecnologicamente avançado, que reflete seres humanos que aprenderam com seus erros e agora tentam fazer as coisas de forma diferente. A nave espacial em que Cypher e Kitai viajam é quase orgânica, funciona como um organismo vivo, com materiais básicos, menos agressivos e ainda assim resistentes.

Depois da Terra é a visão oriental de Shyamalan sobre o futuro ocidental, mostrando que o apocalipse pode acontecer a qualquer momento, mas que uma sociedade estruturada e consciente é capaz de superar os piores males, assim como o personagem principal de sua história.

Ao longo de sua jornada, Kitai amadurece, aprende como sobreviver no ambiente ao seu redor, utiliza os recursos a seu favor e se conhece melhor; sobretudo, percebe que diante de um perigo iminente, ele é quem deve vencer seus medos para superá-lo, pois ninguém vai fazer isso por ele. Essa também é uma mensagem. Mesmo com todo a nossa evolução, a humanidade ainda precisa exorcizar alguns demônios — ou Ursas.

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