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Se Beber, Não Case! Parte III

Se Beber, Não Case! Parte III

Se Beber, Não Case! Parte III

Se Beber, Não Case! Parte III

Se Beber, Não Case! Parte III

Cada geração tem seus personagens icônicos da comédia, e o pessoal da franquia Se Beber, Não Case! certamente faz parte dos ícones cômicos dessa geração. Não que o Wolfpack formado por Phil, Alan, Stu e Doug esteja imerso em pensamentos profundos, não, isso não vem ao caso numa comédia non-sense. A questão é que Se Beber, Não Case! Parte III (The Hangover Part III, EUA, 2013) encerra essa franquia non-sense com um pouco mais de maturidade, mas sem perder o ar de galhofa adolescente e humor histérico. Não significa também que Se Beber, Não Case! Parte III é uma das melhores comédias dos últimos tempos, pois também não é o caso. Basicamente, esse filme cumpre um propósito para a série como um todo, e apesar dos deslizes pelo caminho, consegue arrancar boas gargalhadas em momentos providenciais e até alguma vergonha alheia nas situações mais improváveis.

Se Beber, Não Case! sempre funcionou graças ao excelente equilíbrio entre seus personagens, especialmente os principais, que compõem um bromance capaz de mover montanhas — ou cassinos! Por exemplo, Alan (Zach Galifianakis) funciona maravilhosamente bem quando serve de contraponto para a sensibilidade sisuda de Stu (Ed Helms) ou para o charme compenetrado de Phil (Bradley Cooper). Alan é estranho demais, incompreensível para as convenções sociais, um sujeito que vive num mundo próprio, alheio a tudo e a todos, quase como uma criança (que cresceu, mas não foi avisada disso). Alan é a força motriz da franquia, desde o primeiro filme, dono de grande parte das piadas e responsável pelos momentos mais constrangedoramente engraçados da série. Ao contrário de Doug (Justin Bartha), o cara chatinho que serve apenas para motivar as loucuras dos outros e sempre se dá mal, Stu e Phil sempre fizeram parte da galhofa principal, mas sempre estiveram em segundo plano perto das loucuras de Alan.

Sendo assim, nada mais natural que esse terceiro filme seja sobre Alan, e por isso mesmo, ele é conduzido o tempo todo com foco no personagem, e com o objetivo pleno de concluir essa parte da série. Se Beber, Não Case! Parte III é tratado como o último filme dessa saga ensandecida, portanto, é quando tudo termina. Todavia, é também o final de um arco, e nada impede que outro arco seja aberto no futuro, com esses mesmos personagens, ou apenas com alguns deles. De qualquer jeito, é um fato que a alma de Se Beber, Não Case! é o personagem de Galifianakis, e aqui o vemos encontrando finalmente um caminho, e alguém que é tão insano e deslocado quanto ele, uma mulher para arrebatar o único lobo que ainda não tinha sido arrebatado, Cassie (Melissa McCarthy, fazendo uma participação muito especial).

O filme já começa com uma das insanidades de Alan, e isso faz com que os caras do Wolfpack se reúnam para uma intervenção. Phil, Stu e Doug querem levá-lo numa viagem até uma clínica de reabilitação psiquiátrica para que ele possa se tratar. Claro que no meio do caminho, algo sai errado, Doug é sequestrado pelo mafioso Marshall (John Goodman), e os outros três são obrigados a encontrar e capturar um velho conhecido, Mr. Chow (Ken Jeong), que roubou milhões em barras de ouro do gângster.

A segunda parte pode ter desgastado um pouco o personagem Mr. Chow, mas aqui, ele acaba inserido (até certo ponto) ao Wolfpack, e mesmo sendo um tornado de sociopatia, ainda consegue ser controlado a ponto do brilho permanecer em Alan, afinal esse é o show de Galifianakis, é um encerramento feito sob medida para ele. Mr. Chow acaba funcionando melhor nesse filme do que no anterior por ser uma espécie de coringa da história, mesmo com todo o exagero. Como o próprio Ken Jeong definiu para nós do Nível Épico durante a entrevista coletivo, Chow é o Homem-Cocaína, o super-vilão que está ali apenas pra ver o circo pegar fogo. E isso ele faz muito bem, especialmente considerando que ele precisa ajudar os lobos a enfrentar os três porquinhos!

Se Beber, Não Case! é uma série bem-sucedida por ser atrevida e completamente absurda. E mesmo os personagens de participação mais ínfima têm uma razão para estar em meio a toda aquela absurdez. O diretor Todd Phillips não desperdiça possibilidades, e não se priva de misturar tudo numa tremenda farofada, com direito a participações icônicas, reviravoltas mirabolantes e até animais carismáticos perdendo a cabeça. O humor aparece até nos pequenos detalhes. Apesar de ter menos situações engraçadas, o filme equilibra bem a comédia non-sense com o drama e a ação. Mas quando surgem as situações engraçadas, são exageradas como só Se Beber, Não Case! sabe ser.

Se Beber, Não Case! Parte III não tem apagões, ou partes do corpo faltando (talvez sobrando), ou Mike Tyson, ainda que tenha o bebê, de volta, crescidinho. Não é tanto uma ressaca epicamente tresloucada como foram os dois anteriores, é mais um road movie sobre um grupo de caras que faz qualquer coisa — qualquer coisa mesmo! — em nome de sua amizade, num estilo que lembra um pouco as comédias de antigamente, de nomes como Monty Python ou Steve Martin. Curiosamente, também possui a cara dessa nova geração, por sua capacidade de improvisar na hora de resolver um grande problema, e por sua capacidade de parar o universo pra tirar uma foto e postar no Facebook, não importa o tamanho do problema que esteja enfrentando. Isso às vezes tem um lado bom, às vezes tem um lado ruim. Há quem consiga rir das situações mais difíceis e constrangedoras, há quem não consiga. Se Beber, Não Case! Parte III transita nesse meio termo. Mas pelo menos é uma conclusão divertida para uma franquia divertida.

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