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Velozes e Furiosos 6

Velozes & Furiosos 6

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Velozes & Furiosos 6

Velozes & Furiosos 6

Franquias vêm e vão no cinema o tempo todo, e poucas são aquelas que conseguem chegar ao sexto filme sem perder o charme. Algumas, para manter o fôlego, tornam-se paródias de si mesmas, e mais raras ainda são aquelas franquias que conseguem fazer da galhofa uma tremenda virtude. Velozes & Furiosos 6 (Fast & Furious 6, EUA, 2013) é a mais pura personificação dessa virtude distorcida, tamanha é a capacidade do filme para não se levar a sério.

Velozes e Furiosos é uma franquia que podia ter encontrado seu fim há muito tempo, mas, graças ao seu inegável retorno financeiro nas bilheterias e ao providencial carisma de seus personagens, a franquia persiste, e ganha mais contornos a cada filme. Mais do que isso, com Velozes e Furiosos 5: Operação Rio, a série tomou um rumo diferente e emocionante, reunindo todos os personagens dos filmes anteriores para um grande e psicodélico assalto que entrou para a história da saga — e isso é tão verdadeiro que toda hora, toda hora mesmo, alguém menciona o Rio ou o Brasil em Velozes & Furiosos 6, é impressionante.

Neste sexto filme, a equipe do quinto está de volta, com alguns membros a menos, e alguns inimigos a mais, inimigos que não aparecem como simples obstáculos a serem ultrapassados, mas como representações diretas de cada personagem ao longo da série — e mais uma vez, isso é tão verdadeiro que, num dado momento, Roman faz piada com isso, comparando cada membro da equipe com um membro do grupo inimigo, e é sensacional, uma das cenas mais engraçadas do filme.

Na trama, desde que a investida de Dom (Vin Diesel) e Brian (Paul Walker) pelo Rio de Janeiro derrubou um chefão de crime e deixou sua equipe com os bolsos cheios de dinheiro, o grupo se dividiu e cada um seguiu seu rumo pelo mundo. Porém, para eles, a fuga continua.

Enquanto isso, Hobbs (Dwayne “The Rock” Johnson) está perseguindo uma perigosa organização que usa pilotos mercenários para crimes ousados liderada Owen Shaw (Luke Evans), um homem impiedoso que tem como braço-direito a mulher que Dom uma vez amou e julgava estar morta, Letty (Michelle Rodriguez). A única maneira de parar o criminoso é superá-lo em seu próprio jogo. Para isso, Hobbs pede a ajuda de Dom e sua equipe com a promessa de conceder a todos o perdão total por seus crimes anteriores.

A equipe de Dom, egressa dos filmes anteriores, traz de volta ao jogo: Roman Pierce (Tyrese Gibson) e Tej (Chris “Ludacris” Bridges), de +Velozes e +Furiosos; Han (Sung Kang), de Desafio em Tóquio; Gisele (Gal Gadot), de Velozes e Furiosos 4; e Elena (Elsa Pataky), a policial brasileira de Velozes e Furiosos 5. No mais, completam o elenco a sempre presente Mia (a brasileira Jordana Brewster), irmã de Dom e mulher de Brian, e a oficial Riley (Gina Carano), que entra para o time como assistente de Hobbs.

Velozes e Furiosos já tem sua própria mitologia, e grande parte do responsável é o diretor Justin Lin, que assumiu a série no terceiro filme, Desafio em Tóquio, e não largou mais. Velozes & Furiosos 6 é a despedida de Lin, que vai ceder a cadeira para James Wan no sétimo filme — sim, haverá um sétimo filme, e você pode ler sobre isso clicando aqui. Desde que assumiu, Lin mudou os rumos da série, tornou a ação frenética e a total falta de verossimilhança marcas registradas da franquia. E se no filme número 3, ele estava começando, no filme número 6, ele alcançou o ápice de seu caminho e agora está voltando ao começo. Porque, sim, Velozes & Furiosos 6 se passa um pouco antes de Velozes e Furiosos 3: Desafio em Tóquio — ou seja, nessa ordem cronológica deturpada, Velozes e Furiosos 3, na verdade, acontece depois de todos os outros filmes, inclusive desse sexto.

Porém, foi em Velozes e Furiosos 5 que Justin Lin realmente re-estabeleceu os padrões para a franquia, ao reprimir um pouco o fetichismo masculino em relação à cultura dos carros e acrescentar elementos de filmes de assalto para tornar as coisas mais interessantes. Ainda que os elementos de filme de assalto tenham sido abandonados no sexto filme, o equilíbrio entre gêneros é mantido com vigor. Agora, as mulheres recebem um destaque todo especial, mais até do que os homens. Elas se mostram o tempo todo mais fortes e mais competentes, em muitos aspectos, especialmente na porradaria. A cena de luta entre Carano e Rodriguez é sensacionalmente foda, e acontece junto com uma cena de luta na qual Han e Roman, juntos, tomam uma surra de um japinha lutador de artes marciais.

O equilíbrio existe porque ainda há aquela macheza típica dos filmes de brucutus de antigamente, principalmente no roteiro, que é curto e grosso, não perde tempo com palavras, parte direto para o que interessa e para a ação. No começo do filme, com meia dúzia de diálogos toscos entre os brutamontes, tudo é definido e começa a perseguição aos caras maus. Aliás, no quesito macheza, The Rock e Vin Diesel continuam insuperáveis, e cada cena em que aparecem juntos transborda de testosterona! Nessas horas, Velozes & Furiosos 6 se transforma num tremendo fan service para quem curte filmes de ação brucutus, com cenas de luta livre, golpes de crânio e porradas de estraçalhar ossos! Se o duelo entre The Rock e Vin Diesel no quinto filme foi titânico, espere até vê-los lutando lado a lado, espere pra ver o que eles fazem, e você vai ver COMO-É-FODA!

Há ainda os diálogos impagáveis, que entram também nesse quesito “fan service brucutu”, com Hobbs soltando pérolas como: “Para caçar lobos, você precisa de lobos” ou “Eu quero cair sobre eles como as muralhas de Jericó”… De verdade, quando você escuta uma dessas, um sorriso torto brota em seus lábios incontrolavelmente e você tem a certeza completa de que desligou seu cérebro o suficiente pra se divertir PARA CARALHO com isso!

Os diálogos surgem completamente no automático, assim como a atuação, porque os atores simplesmente não precisam atuar aqui, e obviamente não se preocupam com isso. E ainda assim, eles parecem à vontade, como uma família — o que depois de seis filmes, de fato, eles são. E ao mesmo tempo em que as atuações são superficiais, o enredo é superficial, assim como nos filmes anteriores — isso também é uma marca da franquia. O pano de fundo não importa realmente, em momento algum, porque o objetivo aqui é garantir que você esqueça de tudo por alguns instantes e se divirta com toda sorte de insanidades que Velozes & Furiosos 6 tem a proporcionar — acredite, é insanidade TURBINADA elevada a níveis ABSURDOS!

Pense nisso quando estiver vendo o filme, ou melhor não pense, evite pensar logicamente, ou pode estragar todo o charme. Esqueça as regras e as convenções, porque no mundo de Velozes e Furiosos não existe isso, NÃO EXISTE COISAS COMO LEIS DA FÍSICA. O mundo pode ser parecido com o nosso, mas o tempo todo, ele é exagerado e superdimensionado com cenas desprovidas de qualquer senso de limitação. Não há restrições para o que os personagens podem fazer, e isso é outro charme do filme. Por exemplo, numa determinada cena, Hobbs, um mero agente federal, aponta uma arma para a cabeça oficial superior da OTAN que é seu aliado e ameaça matá-lo, porém, não há quaisquer repercussões posteriores por essa atitude — o que no mundo real acabaria com a carreira de Hobbs para sempre. Isso tudo momentos depois de Vin Diesel, num ato extremamente heroico numa ponte, tomar a atitude mais ESTÚPIDA e mais SENSACIONAL do filme. Nesses momentos, você pode se irritar com a total falta de verossimilhança, ou pode se deixar levar por aquela realidade deturpada e torcer pra que tudo dê certo no final, mesmo contra todas as probabilidades. Aliás, quem precisa de probabilidades?!

Assim como nos filmes anteriores, Velozes & Furiosos 6 funciona exatamente por abraçar sua própria galhofa e se divertir com isso sem se preocupar com absolutamente nada. O cenário inacreditável e o sentimentalismo chato podem ser pontos negativos às vezes, mas não dá pra ficar indiferente quando os vilões têm um tanque TUNADO que anda a mais de 100 km/h ou quando os mocinhos enfrentam quase vinte minutos de uma luta para impedir um avião de decolar usando apenas seus carros e armas de arpão! Sim, a física manda lembranças!

A verdade é que Velozes & Furiosos 6 tenta malandramente ser um Velozes e Furiosos 5, mas também tenta ser algo maior, seis vezes mais explosivo e trezentas vezes mais implausível. Há de se concordar que é uma façanha e tanto, que vem sendo traçada filme a filme, personagem a personagem, corrida a corrida, numa mitologia própria que é exaltada logo nos créditos de abertura, com uma montagem emocionante em que aparecem cenas de todos os filmes da já grandiosa saga de Dominic Toretto e Brian O’Conner.

Velozes & Furiosos 6 pode não ser tão emocionante quanto o filme anterior, mas é sem dúvida mais impactante, um impacto valioso para uma série que continua injetando combustível em seu motor. O sétimo filme está previsto para 2014 e eu, do alto de todo o meu guilty pleasure por essa franquia, já quero ver como essa saga de carros tunados e loucuras improváveis vai continuar. Enquanto isso, vou voltar na sala de cinema pra catar os pedaços do meu cérebro que ficaram espalhados pelo teto.

PS: No meio dos créditos de Velozes & Furiosos 6, existe uma cena adicional que prepara o terreno para Velozes e Furiosos 7, se passa durante um evento importante da franquia, e ainda apresenta uma participação sensacional para o próximo filme.

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