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Terapia de Risco

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Terapia de Risco

Steven Soderbergh é um dos últimos remanescentes de uma antiga tradição do cinema norte-americano, que é a de fazer filmes mesclando drama e suspense, com um fundo de crítica política ou social. Desde os anos 90, esse estilo anda meio em baixa, mas de vez em quando aparece uma nova obra para revitalizar o gênero. Este é o caso de Terapia de Risco (Side Effects, EUA, 2013), no qual Soderbergh apresenta uma trama cheia de mistério e reviravoltas, criando uma grande expectativa acerca do desfecho.

Tudo começa quando Emily Taylor (Rooney Mara), depois de anos de tratamento com a Dra. Victoria Siebert (Catherine Zeta-Jones), apresenta um quadro de grande ansiedade devido ao retorno de seu marido Martin (Channing Tatum) da cadeia, onde cumpriu pena por crimes contra o sistema financeiro. Após Emily sofrer um acidente de carro, passa a ser tratada pelo Dr. Jonathan Banks (Jude Law), um médico que está assoberbado de trabalho para manter seu alto padrão de vida. Por esta razão, Banks aceita fazer parte de um grupo de teste de um novo medicamento, e o prescreve para Emily. Contudo, o tratamento começa a apresentar efeitos colaterais que resultarão em uma tragédia e na ruína para os envolvidos.

O início do filme dá a impressão de tratar-se de um drama misturado com denúncia sobre a forma como funciona o mercado farmacêutico. Assim, Emily seria a paciente sofredora, e Dr. Banks, o médico ganancioso que faz tudo por dinheiro e prestígio. No entanto, com o desenrolar da trama vamos vendo que a coisa não é tão preta e branca assim.

As repercussões negativas atingem Banks de forma pesada, fazendo-o perder tudo, levando-o à beira da loucura. É aí que a trama dá uma virada que nos obriga a repensar tudo que vimos até então. No fundo do poço, o protagonista começa a ficar paranoico, e vira uma espécie de herói hitchcockiano, que precisa lutar contra o sistema para provar sua inocência. Mas a grande sacada do roteiro é: ele é mesmo inocente?

O roteiro é bem construído, mas é o elenco que faz o filme. A interpretação dúbia de Jude Law casa perfeitamente com o que vemos em tela, e nos deixa ansiosos para saber como tudo vai terminar. Seu personagem lembra um típico protagonista do já citado Alfred Hitchcock, misturado com o Matt Murdock na saga dos quadrinhos A Queda de Murdock, de Frank Miller e David Mazzucchelli, na qual o herói Demolidor chega ao nível mais fundo do poço, mas depois consegue ver uma esperança. Rooney Mara também embarca nessa dubiedade, e parece que as atuações se transformam num jogo de xadrez, com movimentos calculados para o grande desfecho. Zeta-Jones também é destaque, num papel pequeno, porém marcante.

Terapia de Risco, portanto, é um filme que consegue ser tenso e inteligente, na melhor tradição de filmes autorais dentro da produção hollywoodiana. Bom diretor, bom roteiro e bom elenco fazem um grande filme que, sem apelações, consegue pegar o público e deixá-lo ansioso. Em tempos de poucos bons filmes para o grande público, onde parece que os grandes estúdios estão em geral mais preocupados em seguir fórmulas de sucesso, é sempre bom termos um Soderbergh em cartaz para nos lembrar por que o cinema é tão apaixonante.

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