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Reino Escondido

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A animação épica Reino Escondido (Epic, EUA, 2013), baseada no livro The Leaf Men, escrito por William Joyce em 1996, foca numa premissa que vem se tornando comum nos filmes animados: a carga emocional de relações familiares que precisam ser corrigidas, como foi recentemente em Hotel Transilvânia, Os Croods e no último A Era do Gelo.

Além da história baseada no livro de Joyce, cujos livros também inspirou recentemente A Origem dos Guardiões, o filme parece pegar um pouco de referências na história da Polegarzinha, conto de fadas escrito por Hans Christian Andersen, misturado com o clássico Querida, Encolhi as Crianças.

Desenvolvido pela Blue Sky, a mesma de A Era do Gelo e Rio, e com direção de Chris Wedge, a história se passa num mundo oculto como nenhum outro, onde acontece uma grande batalha nas profundezas da floresta entre os benignos Homens-Folhas e os terríveis Boggans. No mundo dos humanos, a adolescente Mary Katherine (M.K.) se muda para casa do pai, o Professor Bomba, e tenta reatar a proximidade que perderam, mas acaba magicamente transportada para este universo secreto. Em meio àquela guerra, M.K. precisa se unir a um grupo de heróis extravagantes para salvar o mundo pequenino do mal que o ameaça.

Teoricamente, a difícil relação entre pai e filha deveria ser a força motriz para a história, e é apresentada decentemente, mas não convence o suficiente, pois o filme não tenta realmente aprofundar essa parte de sua história. No mundo dos Homens-Folhas, o enredo também poderia ter explorado mais as questões ambientais que brotam sutilmente pelo roteiro, mas também evita assuntos que possam tornar um simples conto de fadas em algo mais denso, e isso prova-se um ponto fraco.

Os personagens são a representação dos problemas de Reino Escondido. Os mais interessantes aparecem aleatoriamente ao longo da história e não são o centro dela. A única central realmente cativante é a protagonista M.K., que tem mais nuances do que ser uma adolescente problemática ou uma donzela a ser salva. O cão envelhecido Ozzie é adoravelmente divertido, enquanto ratos são transformados em monstros bestiais de forma sinistra apenas para desaparecer logo em seguida sem representar qualquer perigo real.

Os melhores personagens disparados (ok, disparar não é o melhor termo, mas enfim) são a inusitada dupla formada por a lesma Mub e o caracol Grub — que quase lembram Bulk e Skull dos Power Rangers. Eles são responsáveis pelas tiradas mais engraçadas do filme, e funcionam como um alívio cômico providencial para evitar que o filme sucumba totalmente a sua própria lentidão e se torne maçante — sim, isso é um tremendo paradoxo, já que a lesma e o caracol garantem algum dinamismo às cenas.

As coisas em Reino Escondido, no entanto, nunca se tornam realmente interessantes, ou impressionantes. Acompanhamos a luta de samurais da natureza — com katana e tudo — contra um vilão sem graça, numa história que não desperta qualquer senso de urgência ou preocupação. O filme possui algumas cenas de ação emocionantes e o final tem seus momentos divertidos, o problema é que a história não te fisga e fica difícil você se importar de verdade com o destino daqueles personagens. Alguns deles são chatos pra caramba, como Nod, que teoricamente deveria ser o outro protagonista da história.

O visual é o grande ponto alto, desenvolvido com detalhes quase artísticos para representar todo um ecossistema que funciona, na verdade, como um mundo dentro do mundo. Só é triste ver que um cenário tão bonito perde a chance de aproveitar melhor conceitos interessantes como a noção de velocidade diferenciada entre mundo pequeno e mundo grande, ou a importância que até mesmo coisas negativas como morte e decomposição têm para o ciclo natural — conceitos que remetem às obras de Hayao Miyazaki, como Nausicaä do Vale do Vento.

No fim, o que falta ao filme é vigor, e um pouco mais de coragem para se jogar do mundo grande para o pequeno. No geral, Reino Escondido não ousa, não tenta fugir do básico, e acaba sendo mais um produto que segue a cartilha das relações familiares quebradas, sem ter o mesmo impacto dos filmes que citei anteriormente. É até legalzinho, mas para uma animação que originalmente se chama Epic faltou justamente um pouco mais de epicidade.

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