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Falling Skies – Segunda Temporada

Falling Skies – Segunda Temporada

Falling Skies – Segunda Temporada

Falling Skies – Segunda Temporada

Falling Skies – Segunda Temporada

Falling Skies (EUA, 10 episódios, 2012) estreou de forma razoavelmente complicada, com um início forte para sua primeira temporada, uma queda significativa nos episódios intermediários, e um final promissor. Oscilou, oscilou, mas entre erros e acertos, conseguiu seguir adiante.

Na verdade, é uma série que não precisava de muita coisa para funcionar. Dramas existenciais e personagens psicologicamente machucados são interessantes em qualquer história, e devem fazer parte do enredo, mas numa série de ficção científica sobre humanos se rebelando contra uma raça de invasores alienígenas, faz-se necessário um pouco de violência contra os aliens safados que estão tocando o terror no mundo, talvez até alguns monstros desmembradores de gente ou humanos arrancando membros alienígenas na faca — violência gerada pelo desejo de liberdade, sem excesso de ponderação.

A primeira temporada de Falling Skies perdeu parte de seu potencial justamente por se apegar demais as questões morais e filosóficas de humanos tentando derrotar alienígenas, mas incertos até onde podiam chegar com seus atos, visto que não queriam se equiparar aos inimigos que estavam tentando derrotar. O excesso de ponderação, muitas vezes, descambava para o melodrama, e isso afetava o andamento da narrativa, motivo pelo qual a primeira temporada teve um desenvolvimento lento e, até certo ponto, mal-resolvido.

No geral, tínhamos várias e várias cenas de pessoas normalmente passivas reunidas para falar sobre seus medos e seus problemas, às vezes, da forma mais piegas possível. Havia pouca tensão e pouco sentimento de urgência. A trama tocava em temas pertinentes a problemas que assolam nossa sociedade de hoje em dia, e fazia isso muito bem, mas eventualmente se perdia na previsibilidade e na dificuldade para aprofundar seus personagens para além do sentimentalismo barato.

Pensando nas lições históricas que Tom Mason adora, podemos até pegar como exemplo um personagem histórico estadunidense: Thomas Jefferson, um dos “pais fundadores” dos Estados Unidos e responsável por escrever a Declaração de Independência que concedeu a liberdade para as treze colônias norte-americanas contra as “leis intoleráveis” da Inglaterra. Thomas Jefferson era adepto dos ideais da Revolução Francesa, lutava por liberdade, igualdade e fraternidade, mas defendia a violência quando a liberdade estava em jogo — certa vez, escreveu que a liberdade devia ser periodicamente lavada com sangue.

Falling Skies se inspira bastante no período da Guerra de Independência dos Estados Unidos, algo que os comentários históricos do ex-professor Mason tornaram evidente. O que faltou na primeira temporada foi justamente um pouco dessa violência na luta pela liberdade. E por violência não quero dizer somente sangue e tripas alienígenas cuspidas na tela, mas uma atitude mais agressiva dos personagens, que, porra, estão tentando sobreviver a uma raça alienígena extremamente superior num mundo devastado!

Nessa segunda temporada, parece que Tom Mason e seus companheiros resolveram assumir sua faceta de “milícia que luta por independência” e tomaram posturas mais agressivas em relação à sua rebelião. A própria série mudou consideravelmente sua postura com relação a si mesma, e isso faz uma tremenda diferença.

A segunda temporada, enfim, se aproveita do potencial da história, e mostra-se melhor e mais incisiva do que a primeira. Ainda há os questionamentos, mas eles agora são mais crus, e menos melodramáticos. Falling Skies volta diferente, mais enxuto e mais voraz, permitindo que o sentimentalismo exista, mas expressando claramente que aquele é um mundo desolador, onde a inocência efetivamente se perdeu. Melhor de tudo, o suspense é maior e construído para externar a intensidade e o perigo constante de ter aliens espreitando em cada esquina.

Os personagens continuam básicos e pouco se desenvolve realmente sobre eles, mas Tom Mason (Noah Wyle) também permanece decentemente como alma da série, sendo o personagem que mais cresce e que mais cativa. Ainda assim, há de se mencionar o comandante da milícia, Capitão Weaver (Will Patton), que ganha alguns contornos e alguns sentimentos a mais nessa temporada. A forma como o capitão vai deixando de ser só “o líder escroto” para ser O LÍDER é comovente, e nos faz ter certeza de que, sem aquele cara, ninguém ali sobreviveria, nem mesmo Mason. Outros dois personagens que ganham mais destaque são: Pope (Colin Cunningham) e Margaret (Sarah Carter). Pope ainda é sensacionalmente divertido como motoqueiro revoltado e insolente, mas também assume uma faceta mais rigorosa como líder dos Berserkers, uma unidade de batedores brutamontes e fodões que ajuda a milícia rebelde. Margaret ficou ainda mais fodona, porém, mais complicada por causa de seu passado e sua relação com Hal (Drew Roy), o filho mais velho de Mason, que agora tem mais responsabilidades. Margaret continua sendo uma das personagens mais legais da série, mas às vezes se perde um pouco pelo chove-não-molha de sua relação com Hal.

Se você por ventura desistiu de Falling Skies na primeira temporada, sei que muitos fizeram isso, vale a pena voltar para a segunda, mesmo sem ver a primeira completa. A premissa é praticamente a mesma: invasão alienígena, mundo pós-apocalíptico, rebeldes tentando derrotar inimigos opressores, e o personagem principal, Tom Mason, voltando à ativa depois de ser sido abduzido voluntariamente pela nave-mãe dos aliens no final da primeira temporada. O que vem a seguir é uma série aparando arestas do passado, ganhando impulso a cada episódio e crescendo para ser algo maior e mais (acho que o melhor termo é) apocalíptico. Para complicar, agora os inimigos vão além de simples Skitters (Saltadores) e Mechas (Robôs) com a aparição dos Overlords (Soberanos), os comandantes das tropas de invasão alienígena.

Os episódios são movidos geralmente por missões e conflitos inevitáveis entre as muitas facções de sobreviventes humanos que vão surgindo. Claro que a Second Massachusetts não é o único grupo sobrevivente no mundo; isso é bastante mencionado na primeira temporada, mas só na segunda torna-se explícito. As múltiplas facções se encontram e precisam lidar com conflitos umas com as outras e conflitos internos, além de lidar com os alienígenas — e lidar com alienígenas aqui pode ter muitas conotações. A Second Mass torna-se mais crível e, graças à interação com outras facções, seus líderes tornam-se mais fortes e inclinados a tomar decisões certas sobre questões difíceis. Mais interessante é que a ordem estabelecida na Second Mass é o tempo todo questionada; ao mesmo tempo em que é difícil para as pessoas aceitarem uma cadeia de comando militar num mundo tão caótico, também é fácil para elas se voltarem para uma liderança forte nos momentos mais críticos — porque, uma coisa é certa, as pessoas se sentem mais seguras quando existe alguém para lhes dizer o que fazer em situações difíceis, e esse alguém sempre paga um preço alto por se tornar o pilar de tanta expectativa. No geral, os que mais pagam esse preço são Weaver e Tom, porque eles são esses pilares, inclusive um do outro.

O próprio Mason, aliás, tem muitos problemas nessa temporada. Depois de voltar de um período de cativeiro na nave-mãe dos alienígenas, ninguém sabe exatamente o que aconteceu com ele, nem ele mesmo. A atmosfera de paranoia brota na série e consome seu personagem mais nobre — isso é muito bom! O problema é ainda maior quando o comportamento de seu filho Ben (Connor Jessup) começa a mudar drasticamente. Ben era uma das crianças arreadas, foi resgatado, mas o vínculo com os aliens parece ainda estar firme, e o comportamento raivoso e meio sanguinolento dele só piora a desconfiança daqueles que estão ao seu redor. Tom se vê tendo que enfrentar a desconfiança contra si mesmo, contra seu filho, e ainda assim consegue ser o líder que todos precisam para sobreviver.

A segunda temporada de Falling Skies começa a expandir um pouco mais o universo e as questões levantadas na primeira temporada. No fim, temos uma noção maior do que são os alienígenas e das diferenças entre eles, e aprendemos um pouco mais sobre suas intenções ao invadir a Terra. Os aliens têm um plano, isso é um fato. A série ainda fortalece um tema que vem explorando desde o começo e que é recorrente na ficção científica: as diferenças e as igualdades entre os indivíduos (humanos ou aliens, maiorias ou minorias), e quão difícil pode ser a convivência entre pessoas que não toleram aquilo que é diferente.

Mais do que isso, Falling Skies parece ter encontrado seu espaço, e resolveu, enfim, explodir algumas cabeças alienígenas enquanto dá seus primeiros passos para reconstruir sua sociedade caída. Chega de temer o inimigo, chega de apenas se defender, o momento agora é para atacar. Finalmente, a resistência deixou seu esconderijo e partiu para ofensiva.

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