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Falling Skies – Primeira Temporada

Falling Skies – Primeira Temporada

Falling Skies – Primeira Temporada

Falling Skies – Primeira Temporada

Falling Skies – Primeira Temporada

A ficção científica na TV vem ganhando notoriedade nos últimos anos, e as séries estão se tornando cada vez mais ambiciosas, especialmente quando têm o dedo iluminado de Steven Spielberg — referência escrota a E.T. – O Extraterrestre, eu sei, sorry about that. :P

O fato é que grandes nomes do cinema estão investindo mais em séries, tanto pelo lado da produção quanto pelo lado do elenco, já que muitos atores do cinema estão migrando para a televisão. Aqui, nesse caso, ficamos no ramo da produção, com Steven Spielberg investindo numa série de ficção científica sobre alienígenas — o que podemos chamar de “área de conforto” para o cineasta.

Falling Skies (EUA, 10 episódios, 2011) apresenta-se desde o começo como uma série ambiciosa, que apesar do cenário pós-apocalíptico de invasão alienígena, aborda levemente temas como escravidão infantil, estupro, uso abusivo de medicamentos, intolerância racial, entre outros mais pesados. A forma como essas temáticas são tratadas, no entanto, é bastante diluída na premissa de ficção científica, algo que, pelo menos em parte, provavelmente se deve ao dedo de Spielberg. As situações dramáticas existem, mas são desenvolvidas sob um ponto de vista mais família, abordagem recorrente nos filmes do diretor.

A série, criada por Robert Rodat, roteirista de O Resgate do Soldado Ryan e O Patriota, se passa num futuro próximo, depois que o mundo foi devastado por uma invasão alienígena. Os governos foram aniquilados e os aliens assumiram controle quase total sobre a raça humana. Apenas alguns pequenos grupos de resistência persistem na luta contra os invasores, tentando restaurar a sociedade de outrora. No meio de todo esse caos distópico, somos apresentados ao ex-professor de história Tom Mason (Noah Wyle), que integra um desses exércitos de resistência, a Second Massachusetts (uma alusão ao histórico regimento do Exército Continental que lutou pela independência norte-americana).

Tom é um herói típico, uma pessoa comum que se vê numa situação adversa e faz o melhor possível para sobreviver; mas ele não se preocupa apenas consigo mesmo, também luta para proteger seus dois filhos, e tenta desesperadamente encontrar seu terceiro, que foi sequestrado pelos aliens. Claro, como típico herói, Tom às vezes é bom demais para ser verdade, mas também é difícil não torcer por ele.

Ainda sobre o protagonista, uma questão interessante sobre Tom é o fato de ele ser um ex-professor de história, pois isso lhe concede uma consciência especial sobre como lidar com sua nova realidade. No começo, pode parecer um pouco chato e sem sentido as constantes citações dele a fatos e personagens históricos, mas com o passar dos episódios, percebemos que o conhecimento de Tom é seu poder. É o sábio que se torna guerreiro, o homem que pega em armas e usa seu conhecimento a seu favor ao invés de simplesmente se jogar impulsivamente contra os inimigos. Tom é engenhoso justamente por causa do conhecimento que possui, e a forma como ele usa esse conhecimento nos lembra a todo instante que estamos acompanhando, acima de tudo, um professor.

O contraponto de Tom surge na forma de John Pope (Colin Cunningham), o típico filho-da-puta em quem você não pode confiar, que já aparece cheio de atitude pra atazanar a vida do herói. Pope adiciona um sarcasmo e uma falta de moralidade essencial ao cenário, visto que em um mundo devastado e sem leis seria extremamente difícil manter preocupações morais e cívicas. Além disso, Pope é uma dose providencial de imprevisibilidade, especialmente por sua obsessão em descobrir mais sobre os aliens apenas para matá-los com mais eficiência. É graças a Pope que os heróis da história começam a efetivamente aprender sobre a biologia e os modos dos inimigos, e é por causa disso que a resistência começa a ser, de fato, uma resistência.

Há de se falar que ainda temos a loirinha Margaret (Sarah Carter), que cumpre muito bem seu papel como mulher fodona, mas que possui mais camadas do que parece à primeira vista. Ela é uma das personagens mais legais da série. Os demais, no geral, caem nos estereótipos: o militar linha-dura, o motociclista rebelde, a criança que quer ser adulta, o médico bonzinho, entre outros; personagens que têm seus momentos, mas que, inicialmente, não se destacam tanto.

Também é perceptível, através das palavras e ações de Tom, que a série inspira-se bastante em períodos importantes da história norte-americana, como a Guerra da Independência e a Guerra Civil, especialmente no que tange ao tema escravidão — como o criador escreveu O Patriota, isso faz algum sentido. As crianças “arreadas” pelos alienígenas são como os escravos da época das guerras, que nem sempre ousavam se rebelar contra seus senhores, mesmo depois de libertados. De quebra, ainda existe a questão do trabalho escravo infantil, que muitas vezes é imposto às crianças pelos próprios pais, motivo pelo qual elas não conseguem se desvencilhar. O respeito que um pai impõe a um filho é normalmente difícil de ser quebrado, talvez até mais do que o respeito de um escravo por seu senhor, e as crianças com arreio, mesmo libertas, não conseguem evitar a influência de seus captores. E essa “síndrome de estocolmo” pode ser tão forte quanto possível, visto que mais tarde nos é revelado o segredo por trás do arreio, que é tão sensacional quanto perturbador.

Claro que nem tudo é perfeito na série. Falling Skies começa com dois episódios fortes e impactantes, que realmente despertam interesse pelo que pode vir a seguir. Ao longo do restante da temporada, a história foca em desenvolver seu cenário e, às vezes, acaba se perdendo. A questão das crianças sequestradas conduz boa parte da trama, e o excesso torna-se cansativo, pois outros aspectos acabam sendo mal-desenvolvidos. O fato de ser uma série de temporada curta, com apenas 10 episódios, torna-se uma vantagem e uma desvantagem. Enquanto os desvios da história não duram tempo o bastante para incomodar, perdem-se momentos preciosos da temporada com arcos que não alavancam verdadeiramente a história.

Quando a série decide sacudir as coisas, o festival de cenas de ação e efeitos especiais são grandes e surpreendentes, e as reviravoltas que vêm com essas sequências demonstram todo o potencial a se explorar. Então, a série larga tudo por um ou dois instantes, esfria a história e começa a caminhar lentamente de novo. É nesses momentos de meio termo que Falling Skies perde força. A série às vezes se esforça demais pelo coração e pela mensagem das coisas quando devia simplesmente assumir um pouco seu lado naves alienígenas tocando o terror.

Os heróis, combatentes da Second Mass, como também é chamada a Second Massachusetts, estabelecem base numa escola de Boston, que apenas reforça a sensação de inocência perdida, de dias felizes que não existem mais. Porém, imagens de crianças brincando e pessoas se abraçando são comuns. Isso garante uma atmosfera mais família e torna a história um pouco mais leve frente a uma premissa inerentemente cruel — afinal, é um mundo pós-apocalíptico regido por uma ditadura que incita rebelião nos oprimidos, e rebelião normalmente significa guerra, e guerra normalmente significa crueldade, especialmente quando os ditadores são aliens. O problema é quando o teor mais leve descamba para o sentimentalismo — às vezes acontece.

Apesar disso, o emocional muitas vezes é contrabalanceado pelo frenesi da ação, do tipo pai abraçando filho numa cena, e pai estourando a cabeça de um alien pra salvar o filho na outra. As cenas de ação são muito boas, e expressam toda a violência da realidade que aqueles personagens vivenciam todos os dias. No geral, os efeitos visuais de Falling Skies são impressionantes, mesmo os mais práticos, outra possível influência de Spielberg, que não deixaria uma série sob sua tutela passar batida com efeitos sem graça. No início, os Skitters (Saltadores), alienígenas de várias patas que cuidam das crianças com arreio, são meio toscos, mas o CGI deles vai melhorando no decorrer da série; os Mechas (robôs enormes e munidos com artilharia pesada que protegem os Skitters) são mais apresentáveis a princípio, e também melhoram com o tempo.

Nos três últimos episódios da temporada, a série volta ao eixo, e o faz com louvor, porque você fica realmente curioso para ver a segunda temporada e descobrir o que esses personagens vão enfrentar a seguir.

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