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Darker Than Black

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Darker Than Black (Japão, 2007) é uma série dirigida e escrita por Tensai Okamura e animada pelo estúdio Bones, com uma premissa bastante interessante que mistura pessoas com super-poderes, corrupção e espionagem — quase um misto de X-Men com Arquivo X.

Dez anos atrás, uma anomalia misteriosa chamada Portão do Inferno apareceu na cidade de Tóquio, alterando o céu e causando estragos na paisagem. As verdadeiras estrelas desapareceram e foram substituídos por estrelas falsas — primeiro conceito FODA do anime. Aliás, esse cenário urbano pós-apocalíptico até lembra um pouco o cenário de RahXephon, que também é do estúdio Bones.

Depois desse evento, pessoas começaram a desenvolver habilidades sobrenaturais variadas, e se tornaram conhecidos como Contratantes — segundo conceito FODA do anime. Cada pessoa que desenvolve poderes especiais possui uma estrela falsa correspondente, que reage às suas atividades.

O termo Contratante é usado porque, em troca dos poderes, essas pessoas estabelecem uma espécie de contrato no qual precisam pagar um preço cada vez que usam seu poder — terceiro conceito FODA do anime. Parte do preço é que eles perdem sua humanidade e se tornam assassinos a sangue frio, sufocando emoções desnecessárias com lógica e raciocínio. Outra parte do preço — a parte mais legal — é que os Contratantes adquirem uma compulsão, que pode ser do tipo mais excêntrico possível, desde coisas mundanas (cantar, escrever poemas, beber muita cerveja, dobrar todas as páginas de um livro, comer flores, beijar na boca, entre outras) até coisas mais bizarras (beber sangue de crianças, auto-mutilação, envelhecer ou rejuvenescer, entre outras).

Por causa desses poderes, os Contratantes são utilizados como espiões ou assassinos por várias nações e organizações do mundo, o que frequentemente resulta em batalhas violentas por objetos valiosos e informações. Naturalmente, a existência dos Contratantes é mantida em segredo da sociedade.

Após a devastadora Guerra do Céu, que destruiu o Portão do Céu (contraparte do Portão do Inferno), os Estados Unidos perderam sua posição dominante como superpotência para uma organização misteriosa chamada de Organização. A história gira em torno de um espião chinês chamado Hei, conhecido como Shinigami Negro por ser um dos assassinos mais letais do mundo e um Contratante que parece não pagar um preço por seus poderes. Hei trabalha para a Organização numa equipe formada por: Huang, um humano que supervisiona as atividades do grupo; Mao, um Contratante que perdeu seu corpo original e vive preso no corpo de um gato (sim, um gato falante, clássico de anime); e Yin, uma menina cega que na verdade é uma Doll, uma espécie de entidade psiônica que atua com transmissor e receptor de informações.

Hei, normalmente, se envolve em missões que envolvem outros contratantes e, à medida que a história avança, ele vai desvendando mistérios de seu passado, incluindo detalhes sobre o Portão do Inferno. Porém, ele ainda tem em seu caminho a policial Misaki Kirihara, que investiga assuntos envolvendo Contratantes.

Como você deve ter percebido, a história é complexa, e esse não é o tipo de anime que você pode simplesmente desligar o cérebro e assistir — ele demanda alguma atenção, especialmente quando chega perto do final. Os episódios, em geral, são divididos em duas partes. No começo, cada arco de dois episódios engloba histórias mais pontuais, com começo, meio e fim em si mesmas, no estilo “monstro do dia”. Mais para perto do final, as histórias começam a ser mais interligadas, avançando nos mistérios da trama.

Aliás, no início, o clima do anime é bem de filme noir, cheio de intriga, pessoas corruptas, cidade decadente, femme fatales e boas doses de melancolia. A música da primeira abertura — Howling, da banda Abingdon Boys School — colabora muito com esse tom mais sombrio. A partir da metade, o anime assume um caráter mais de ação policial e história de super-heróis — e a música de abertura muda para a agitada Kakusei Heroism (The Hero Without A Name), da An Cafe. Nesse ponto, as batalhas tornam-se mais constantes e são um ponto alto do anime, tanto pela fluidez nos movimentos dos personagens quanto pela forma e variedade de poderes especiais — que incluem eletricidade, gravidade, sangue explosivo, teleporte, pirocinese etc. Sim, você já viu a maioria desses poderes nas revistas em quadrinhos (eu citei X-Men antes, não citei?!), mas os pagamentos dos Contratantes para usar seus poderes dão um charme especial à série — e é uma puta de uma ideia foda!

A arte é bastante sóbria, condizente com a atmosfera de Darker Than Black, cortesia do estúdio Bones. Os personagens são fáceis de distinguir, e alguns, como o próprio Hei, Yin e Amber (que aparece mais para o final) são realmente marcantes. Como eu disse antes, os movimentos são fluidos e as batalhas são fantásticas.

No quesito personagens, Hei é bastante ambíguo, o típico herói-não-tão-herói de noir, normalmente frio em suas ações, mas com alguns traços de humanidade que parecem ter resistido ao seu poder — e os motivos são explicados no último episódio. Yin tem uma participação bastante reduzida, e só se torna uma personagem mais interessante nos últimos episódios, quando ganha mais contornos e deixa de ser uma simples boneca — durante quase todo o anime, ela é isso: uma boneca. Mao é o mais divertido e quase sempre funciona como alívio cômico; as tiradas dele sempre quebram um pouco o clima pesado das histórias. Na verdade, outras fontes agradáveis de humor são o detetive egocêntrico (e engraçado) Gai Kurosawa e sua assistente louquinha e viciada em mangá Kiko Kayanuma, que entram na segunda metade do anime. A participação destes dois é até um pouco chocante, pois eles quebram totalmente o drama sombrio da série.

O compromisso que você desenvolve com a história e com os personagens é um dos maiores pontos fortes do anime e, no entanto, também é seu maior ponto fraco. As histórias pregressas dos personagens são contadas somente nos episódios finais, mas você precisa assistir a tudo (do início ao fim) para saber mais sobre eles e sobre o que está acontecendo de fato. Mesmo assim, no final, você ainda não vai ter todas as respostas, porque a série termina em aberto — para continuar na segunda temporada. Pontas importantes são reveladas, outras são deixadas soltas, e novas são abertas. Pode ser frustrante para alguns. Mas, devo dizer, que as reviravoltas na trama são muito boas, e despertam interesse para a segunda temporada.

Darker Than Black é o tipo de história que merece atenção, especialmente por fugir um pouco do lugar comum de muitos animes, e por tentar coisas novas com conceitos conhecidos de espionagem, mundo pós-apocalíptico, noir e super-poderes. Mais do que isso, é uma história forte sobre humanidade e relações humanas, e como as emoções podem ser importantes para manter a lucidez de uma sociedade à beira de um colapso.

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