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Somos Tão Jovens

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Renato Manfredini Júnior antes de ser Renato Russo, o ídolo de muita gente, sempre sonhou em ser famoso como músico. O que mais ansiava era inspirar as pessoas, como seus ídolos fizeram com ele.

Essa fase tão rica de sua juventude é retratada no filme Somos tão Jovens (Brasil, 2013). A ideia da produção é mostrar a época mais marcante da vida de Renato, o fim de sua adolescência e seus anos de faculdade, quando ele decidiu montar sua primeira banda, compor e correr atrás de seu objetivo.

Suas amizades, seu temperamento difícil, seu relacionamento com a família, tudo está ilustrado no filme, que deixa de lado o tom documental e romantiza a vida de Renato, para tentar alcançar as gerações mais atuais, que não conheceram bem o músico, mas que são fãs de suas canções. O problema é que o filme segue uma linha cronológica própria, onde tudo parece acontecer num curto espaço de tempo, quando na verdade Renato Russo levou quase cinco anos para se unir a Marcelo Bonfá e Dado Villa-Lobos e montar a Legião Urbana.

Em Somos tão Jovens, conhecemos Renato Manfredini Júnior, filho de um funcionário do Banco do Brasil, que morou alguns anos nos EUA, onde o rapaz ganhou sua fluência em inglês, possibilitando que ele se tornasse professor em um curso, mesmo tão jovem. Entre o trabalho e a faculdade, Renato dedicava grande parte do seu tempo a música, mesmo sem saber tocar muito bem, mas era um grande compositor. Ao conhecer o punk, Manfredini decide montar uma banda de rock punk, Aborto Elétrico, com seus amigos, Fê Lemos, Flávio Lemos e o sul-africano, Petrus, filho de um embaixador, que conhecia muito bem o gênero. Complicado, Renato era amado e odiado pelos amigos, causando o fim do Aborto Elétrico. Decidiu seguir por um caminho contrário ao do punk, compondo e tocando sozinho suas canções, no período em que era o Trovador Solitário, até conhecer o baterista Marcelo Bonfá e decidir que precisava voltar a ter uma banda.

A principal razão para ver Somos tão Jovens é o ator Thiago Mendonça, que encarna com perfeição Renato Russo. Sim, encarna. Gestos, manias, forma de falar, de se posicionar e, principalmente, de cantar. Thiago É Renato Russo, brilhantemente. Basta ler algumas entrevistas com o ator para perceber toda sua dedicação ao papel, desde conversar com a irmã de Renato, observar vídeos, shows, até ensaios em estúdio para conseguir cantar como o cantor, valeu muito a pena. Com certeza o filme consegue fluir por causa dele. A atriz Laila Zaid, que interpreta a melhor amiga de Renato, Ana Cláudia, também merece destaque. Ana é o porto seguro de Renato, a quem ele recorre e a única pessoa que o compreende, mesmo em seus momentos mais obscuros. A atriz cativa o público porque consegue ser tudo isso de forma muito natural, tornando a química entre ela e Thiago incrível.

O filme é livremente baseado na autobiografia do cantor, e deve ser entendido como uma bela homenagem a Renato Russo, porque o torna um personagem de um belo romance que poderia ter sido escrito por ele mesmo, se Renato tivesse chegado aos 40 anos. Mas desperta o lado saudosista daqueles que viveram aquela época, ao mostrar como era o cenário musical de Brasília no início da década de 80, o que ganha muitos pontos positivos para a produção. O diretor, Antônio Carlos da Fontoura, teve intenção de atingir o público jovem ao realizar o filme, porque aqueles que cresceram ouvindo Legião Urbana e as bandas da época, já foram conquistados por Renato e seu carisma, mas as novas gerações podem não saber a fundo como foi rico aquele período e como ele foi importante para artistas que hoje são consagrados. Se no fim o filme servir como inspiração para os que estão começando, já é um enorme ganho.

É complicado realizar uma produção sobre um artista contemporâneo, principalmente um tão querido por tantos. Não dá para desconstruir o ídolo de forma muito agressiva. O máximo que se consegue é mostrar o quanto ele também era humano, o quanto ele lutou também em sua vida e com sua humanidade para conseguir chegar ao topo. Renato Russo era uma pessoa difícil, depressiva, obsessiva, complicada, mas também foi um jovem belo, cheio de sonhos, genial e uma dessas almas que surgem de tempos em tempos para iluminar o mundo e torná-lo um pouco mais bonito. O filme decidiu seguir por esse caminho, o que, no fim, não pode ser considerado um defeito. É ingênuo, mais não defeituoso.

Tudo isso, embalado pelas ótimas canções de Renato, faz de Somos tão Jovens um filme que funciona como um bonito sonho, para aqueles que cresceram assistindo todo esse cenário se construir. Para a nova geração, pode ser uma bela inspiração.

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