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Em Transe

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O trance é um estilo de música eletrônica, um pouco mais suave que o techno, que foi muito popular nos anos 90, sendo conhecido por misturar partes melódicas às batidas eletrônicas e pelas progressões na música, que lembram realmente um estado de transe.

Danny Boyle é um diretor de cinema que ficou muito famoso no mundo inteiro depois de ganhar o Oscar pelo filme Quem Quer Ser um Milionário, em 2008. Mas pouca gente sabe que Danny Boyle é um dos diretores que marcou o cenário cinematográfico da década de 1990 ao realizar duas obras primas: Cova Rasa (1994) e Trainspotting (1996).

O que Boyle e trance tem a ver? Ambos eram populares lá nos anos 1990 e ambos acabaram se deturpando no meio do caminho. O trance não faz mais sucesso. Boyle faz, muito, mas há algum tempo vem desagradando um pouco seus fãs, que esperam a volta da ousadia em suas realizações. Ainda bem que boa parte deles viveu para ver Em Transe (Trance, Reino Unido, 2013). Apesar do “trance” de Boyle ser relativo ao transe provocado por uma hipnose, a música trance também está presente na sensacional trilha sonora de seu filme.

O argumento de Em Transe é de Joe Ahearne (o responsável pela volta da série Doctor Who a televisão em 2005, e sim, eu tinha que mencionar isso). Ahearne apresentou seu roteiro a Boyle em 1994, na época de Cova Rasa, mas o diretor recusou porque sabia que eles não conseguiriam o dinheiro necessário para realizar a produção da forma como deveria ser. Em 2001, Ahearne transformou seu roteiro em um filme para televisão. Quase duas décadas depois, Boyle já tinha o dinheiro e poder necessário para transformar Trance em uma excelente produção. O diretor voltou a contatar Ahearne, pediu que seu amigo John Hodge ajudasse na adaptação do roteiro para os dias atuais e pronto; Boyle está de volta com um filme que não poderia ter sido dirigido por mais ninguém.

Bom, a trama que Boyle fez questão de dirigir, mesmo depois de Ahearne ter transformado em um filme meia-boca para televisão em 2001, é a seguinte: Simon trabalha em uma casa de leilões de artes e acaba se envolvendo no roubo de um famoso quadro de Goya. Quando seu comparsa, Franck, consegue fugir com o quadro, descobre que levou apenas a moldura, e que a pintura está escondida em algum lugar. Só que na confusão do roubo e da fuga, Simon acaba sofrendo um ferimento grave na cabeça, passa por uma cirurgia no cérebro e esquece o que aconteceu com o quadro. Para recuperar a pintura, Franck convence Simon a procurar uma terapeuta especializada em hipnose, a Dra. Elizabeth. Durante as sessões, Simon, Elizabeth e Franck acabam descobrindo muito mais do que apenas o paradeiro da valiosa pintura.

Antes de comentar sobre o filme é necessário todo um parágrafo para os três personagens dessa trama. Na verdade, um parágrafo para falar sobre as incríveis atuações de James McAvoy (Simon), Vincent Cassel (Franck) e Rosario Dawson (Elizabeth). McAvoy com seu jeito de menino levado que precisa ser ajudado surpreende ao conseguir se adaptar a todas as reviravoltas que o personagem sofre. Em muitos momentos, lembra Ewan McGregor no início de sua carreira, lá em Cova Rasa, ao deixar várias dúvidas de qual o seu real papel na trama. Cassel, do alto de sua experiência, parece muito confortável no papel do simpático, malvado e extremamente charmoso mafioso Franck. Já Rosario Dawson mostra porque é considerada uma das atrizes mais sensuais do cinema atual, ao mesmo tempo que demostra enorme competência ao compor sua Dra. Elizabeth, sexy e misteriosa, uma verdadeira femme fatale para um grande filme de mistério, roubo e muita luxúria.

Com esse elenco que se encaixa com perfeição na trama, Boyle e Hodge transformam o morno roteiro de Ahearne em um noir moderno, com pinceladas de seus primeiros trabalhos. Com uma direção de arte belíssima, cenas ágeis misturadas a momentos enevoados, que podem ou não ser sonhos ou lembranças dos personagens, Em Transe deixa o público em dúvida até sobre o que está vendo. Sem recursos cronológicos, sem explicações ou flashbacks, Boyle constrói seu filme de forma linear, mas convida quem o assiste a entrar na viagem com ele. Cenas recortadas surgem e somem como um déjà vu. Dúvidas são construídas com diálogos e momentos, nos quais o diretor pega na mão de seu expectador e o convida a ser hipnotizado por seu filme, através de sua trama, de sua trilha, de seus personagens e, principalmente, do charme de sua femme fatale, que conquista não apenas o público masculino.

Fãs de Boyle se animem, ele voltou! Com força total, com um filme genial que deixa sequelas, pois mesmo depois de sair do cinema, ele fica com você por dias e dias, até que você consiga digerir tudo o que aconteceu. A única contraindicação é o risco de querer ver tudo de novo.

Vale mencionar, para os mais aficionados, que Boyle disponibilizou um final alternativo para o filme, já que ele o modificou duas semanas antes do filme ser lançado na Inglaterra, mas não deu tempo de entrar na versão que está sendo exibida pelo mundo.

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