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The Evil Dead

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The Evil Dead (EUA, 1981) é o primeiro filme de uma série de terror criada pelo diretor Sam Raimi com apoio do ator Bruce Campbell, que encarnou o personagem principal: Ash Williams. Falando por mim, Ash é um dos caras fodões que eu adorava na minha infância e, porra, ele tinha uma motosserra no lugar da mão! Ok, a motosserra na mão veio só no segundo filme, mas ainda assim, é parte do quão foda o personagem se tornou!

Raimi e Campbell são amigos de infância que cresceram juntos e fizeram vários filmes de terror de baixo orçamento. Eles queriam fazer um filme maior, correram atrás e conseguiram produzir The Evil Dead, que é inspirado num curta que eles fizeram chamado Within the Woods (algo como Dentro dos Bosques).

Na época, foi distribuído pela New Line Cinema por causa de uma crítica extremamente positiva feita por Stephen King, que adorou o filme. O resultado é que The Evil Dead é um dos filmes de terror mais adorados pelos fãs do gênero, e seu protagonista, Ash, se tornou um ícone.

The Evil Dead, que aqui no Brasil foi chamado de A Morte do Demônio, depois de Uma Noite Alucinante, e depois de Uma Noite Alucinante: A Morte do Demônio, surgiu como um filme pequeno de um diretor desconhecido, que tinha tudo para seguir as premissas básicas do gênero, com estudantes universitários, uma garota virginal desfilando quase nua pela floresta, e um cara intenso sacudindo um machado e uma motosserra. Poderia ser, facilmente, mais do mesmo. Mas, foi melhor.

Os estudantes se transformaram os vilões (no caso, os demônios), a garota virginal foi estuprada pelos galhos de uma árvore (muito Hentai feelings), e o cara meio louco manejando as armas cortantes é o herói (e só se fode). The Evil Dead se tornou uma experiência SENSACIONAL de terror, e uma relíquia do gênero. Até um pouco mais do que isso. Além de ser grotesco e provocar agonia com algumas de suas cenas, também conseguia ser divertido de uma forma meio distorcida.

Na história, cinco estudantes universitários viajam de férias para uma cabana na floresta. Ashley J. Williams (Bruce Campbell) é um desses estudantes, apelidado de Ash — nome que até hoje é respeitado no mundo do terror e que levou Campbell a ser amplamente conhecido (e igualmente respeitado). Na cabana, eles encontram a gravação de um professor que estudava um livro de oculismo, o Necronomicon Ex-Mortis, também chamado de Naturon Demonto. Os estudantes, estúpidos como só um estudante universitário de filme de terror sabe ser, escutam os encantamentos medonhos da gravação e isso desperta o mal que vive na floreta ao redor da cabana. Aos poucos, os adolescentes vão sendo possuídos por demônios, e começam a atacar uns aos outros num verdadeiro banho de sangue.

Sam Raimi, com esse filme, se mostrou um habilidoso diretor do gênero e também se tornou amplamente conhecido e respeitado por seu trabalho. Suas influências remetiam a clássicos como Frankenstein, A Noiva do Frankenstein, A Múmia, A Velha Casa Assombrada, As Bodas de Satã, A Noite dos Mortos-Vivos, entre outros. Curiosamente, a paixão declarada de Raimi pelos Três Patetas também parecia estar presente, como um complemento sutil para o terror. Como eu disse antes, mesmo com a violência chocante e a tensão perturbadora, The Evil Dead encontrava momentos para destilar pequenas (e providenciais) doses de humor.

Ainda assim, The Evil Dead não é comédia; na verdade, é mais terror do que os outros filmes da série. É engraçado, faz você rir, mas também é aterrorizante, e faz você sentir horror. Mas a graça, o riso, vem exatamente do grotesco. Num dado momento, o filme se torna tão violento, tão sangrento e tão intenso, que é impossível você não rir com a mulher possuída arrancando a própria mão no dente, ou quando Ash arranca a cabeça da namorada com uma pá!

No caso dos personagens, Ash é o único realmente relevante, mas é apresentado de forma incomum. Ele começa em segundo plano, meio esquecido ao longo de boa parte do filme, como se fosse um mero coadjuvante pronto pra morrer rápido. É um personagem completamente diferente do cara fanfarrão dos filmes seguintes — especialmente Army of Darkness, no qual ele se supera em termos fanfarronice. Aqui, Ashley J. Williams é um cara sensível, romântico e covarde, que passa grande parte do tempo entocado nos cantos da cena, trêmulo, abraçado a um machado. Aos poucos, Ashley vai se tornando mais ativo de acordo com a necessidade de sobrevivência, vai se tornando mais Ash, o cara que apanha, apanha, apanha, é possuído um pouco, e apanha mais. Raimi parece ter um prazer especial em avacalhar seu amigo de infância, e de fato, ele já declarou gostar de fazê-lo. Por outro lado, Campbell também parece se divertir em ser jogado de um lado para o outro por estantes, paredes, árvores e terra batida.

O fator “filme de baixo orçamento” é um aditivo especial; o que podia ser uma problema, torna-se parte da construção. The Evil Dead abraça a tosqueira de suas falhas tanto quanto abraça o terror, e é tão descarado que se torna aceitável dentro do filme. Para dois caras (Raimi e Campbell) que estavam começando a dar seus primeiros passos na carreira, The Evil Dead é, sem dúvida, louvável. Eles realmente não sabiam o que estavam fazendo, e entre piadas, sangue, erros de continuidade e improvisos, apenas fizeram.

A fotografia, em especial, mostra essa habilidade em trabalhar com as limitações. Os rostos demoníacos surgem em cena dos ângulos mais inquietantes; as forças invisíveis dos demônios atravessam árvores, paredes de madeira e vidraças num rasante em primeira pessoa; os objetos inanimados podem ser até mais perigosos que os monstros; e os enquadramentos de câmera pegam tudo por todos os planos, das formas mais repugnantes e horrendas. Outra coisa interessante foi a gravação da voz do professor que conta sobre o Necronomicon, e serve como estopim para a trama. O áudio foi gravado por Bob Dorian numa cabine abandonada de verdade, algo que provavelmente contribuiu para o tom temeroso na voz do locutor. Também vale mencionar o trabalho do maquiador Tom Sullivan, que com poucos recursos, fez um trabalho excepcional nos possuídos, que eram na verdade amigos e parentes de Raimi, devidamente maquiados para representarem os atores possuídos. Sullivan teve que fazer versões falsas dos atores possuídos como se fossem os atores originais que estivessem maquiados, e o fez muito bem considerando os poucos recursos que dispunha.

The Evil Dead é terror pelo terror, curto, grosso, nojento e sangrento. Se há alguma mensagem nesse filme além do amor a um gênero normalmente tão preterido, talvez seja a perseverança de seus criadores para superar seus demônios e conquistar seus objetivos.

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