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Evil Dead II

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The Evil Dead fez um sucesso estrondoso, levou Sam Raimi e Bruce Campbell ao estrelato e se tornou objeto de culto, sendo hoje considerado (por muitos, eu incluso) um dos melhores filmes de terror de todos os tempos. Claro que isso lhe rendeu continuações.

Evil Dead II (EUA, 1987) veio com uma proposta um pouco diferente, e começa com uma espécie de remake do primeiro filme, mostrando o que aconteceu com Ash depois que ele matou a namorada e ficou preso na cabana junto com as forças malignas libertadas pelo Necronomicon (ou Naturon Demonto). Na verdade, este segundo filme aproveita-se apenas de alguns aspectos do primeiro, ignora outras, e depois segue com sua história.

Evil Dead II, aqui no Brasil, foi primeiramente chamado de Uma Noite Alucinante, e depois de Uma Noite Alucinante 2, motivo pelo qual o primeiro, The Evil Dead, passou a ser conhecido como A Morte de Demônio: Uma Noite Alucinante, estabelecendo os vínculos de um com o outro nos títulos nacionais.

Ainda é um filme de terror, porém é mais divertido, com mais humor e galhofa trash do que o primeiro. Além disso, Evil Dead II começou a moldar Bruce Campbell no herói porra-loca e fanfarrão pelo qual ficou conhecido.

De fato, apesar da abertura macabra, com Ash sendo atirado pela floresta como se estivesse numa montanha-russa, é difícil definir Evil Dead II como terror ou não, embora o filme não seja totalmente comédia — na verdade, podemos situá-lo em algum ponto entre a comédia e o terror. Durante boa parte da história, Ash permanece isolado na cabana da floresta, sofrendo com as investidas dos demônios que tentam dominar sua alma. Com o tempo, sua mão é possuída, começa a atacá-lo, e ele começa a persegui-la com uma espingarda, até que finalmente, ele consegue decepá-la com a motosserra. O embate entre Ash e a mão do Ash é a grande definição do teor mais cômico do filme. A mão ataca Ash fazendo grunhidos bizarros (como se tivesse uma boca), e foge quando é decepada (no melhor estilo Mãozinha da Família Addams). Então, a mão se esconde na parede, Ash a acerta com um balaço de espingarda, e sangue começa a jorrar pelo buraco, e jorra, e jorra, e vira uma porra de um jato de sangue vomitado contra o Ash — é impossível não gargalhar vendo essa cena, só pela bizarrice!

The Evil Dead era tão exagerado que às vezes parecia uma paródia, mas Evil Dead II se supera no quesito paródia; e o melhor é que se torna uma paródia de si mesmo, tornando-se quase um remake cômico do original enquanto abria caminho para uma nova história — que culminaria no terceiro filme, Army of Darkness.

A re-encenação de Evil Dead II praticamente desconsidera os eventos de The Evil Dead e sequer faz alusões aos acontecimentos do primeiro filme. Isso acaba tornando Evil Dead II uma viagem ainda mais alucinante, porque o filme é uma insanidade descontrolada o tempo todo.

A trama é bastante simplificada. Ash (Bruce Campbell) e sua namorada Linda (Denise Bixler) vão para uma cabana bizarra na floresta, sem qualquer motivo aparente. Eles encontram um gravador e, naturalmente, decidem escutá-lo. Na fita, um arqueólogo explica como encontrou o livro Necronomicon e recita passagens do livro que libertam os demônios da floresta ao redor. Linda é possuída pelos demônios. Ash é atacado e, tentando sobreviver, mata sua namorada, e a enterra — isso é basicamente o remake do primeiro filme.

Depois, Linda se levanta da cova, dançando balé loucamente com um stop-motion safado, e volta a perseguir Ash, que a mata de novo, com a motosserra, tudo à plena vista, com zero censura — como um filme de terror grotesco tem que ser. Ash fica sozinho na cabana, lidando com seus demônios, e sua mão ensandecida, até que a filha do arqueólogo chega com o namorado e dois caipiras. Annie (Sarah Berry) encontrou páginas perdidas do Necronomicon e vai para a cabana com a intenção de decifrá-los, mas quando chega, encontra Ash enlouquecido, e as coisas ficam mais insanas ainda.

Evil Dead II exagera nessa loucura cômica, mas não se deixa cair na pura comédia. Sam Raimi, apesar de seu gosto pela galhofa, mantém seu filme na estranheza do terror. Grande parte desse mérito deve-se ao seu parceiro de todas as matanças, Bruce Campbell, que constrói um personagem gloriosamente arrogante e pretensamente charmoso. Campbell bate em si mesmo, é arrastado pelo soalho, se enforca e dança alegremente com um bando de objetos-vivos imaginários — ou seja, ele se mostra excelente ao usar suas expressões corporais para o humor e para o horror!

Impressionante como seu olhar e seus risos enlouquecidos parecem tão engraçados mesmo quando inspiram medo; e ele ainda consegue esbanjar toda sua arrogância fanfarrona quando grita “Who’s laughing noooow?!” enquanto corta sua namorada possuída com a motosserra; ou quando se arma com a motosserra no braço decepado e a espingarda nas costas, e profere sua bravata-mor: “Groovy!” — é canastrice o bastante pra botar qualquer herói no rol de heróis fodões de qualquer fã de heróis canastrões, por mais que o Ash não seja tão heroico assim!

O desempenho vigoroso de Campbell, porém, é apenas um dos motivos pelos quais Evil Dead II estar entre os clássicos do cinema de terror. As ideias por trás do aspecto horror também são muito criativas. Dentre os melhores momentos está justamente a cena de interação entre Ash e os objetos animados. De repente, do nada, a cabeça de cervo empalhado na parede se vira para Ash e começa a rir histericamente. Ash começa a dançar e a sala inteira começa a dançar com ele, num delírio cacofônico de risos, engasgos e soluços horrendos. É surreal, e uma representação clara de que alguma coisa ruim está tentando entrar em nosso mundo, seja através do herói, seja através de outras pessoas, seja através de quaisquer outras coisas.

Os efeitos visuais se somam às performances e à criatividade bizarra, e são realmente notáveis. A animação stop-motion é usada com impacto nas cenas, assim como a maquiagem, as fantasias e outros efeitos mais complexos. Algumas coisas aparecem da forma mais tosca possível e parece até proposital para fortalecer os aspectos mais galhofa da história. As falhas, como trechos rápidos da filmagem que revelam a cabana sem teto, acabam sendo um charme especial, assim como no primeiro filme. Evil Dead não seria Evil Dead sem suas tosqueiras. Além disso, é sempre emocionante assistir a um filme de terror que possui paixão verdadeira e esforçada pelo derramamento desenfreado de sangue.

Evil Dead II é um prazer especial para os fãs do velho cinema de terror, quando os efeitos especiais eram mais plásticos e vívidos, arrancavam a alma do negócio com o máximo de sanguinolência, e ainda exaltavam o real valor de um personagem dentro de um filme. Não é a toa que Ash se tornou um mito, e Evil Dead se tornou um marco.

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