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Mama

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A participação de Guilhermo del Toro em qualquer produção é uma chamariz que costuma ser bastante útil. De fato, grande parte da divulgação de Mama (Espanha, 2013) foi centrada na participação de del Toro como produtor executivo do filme. O caso é que del Toro assistiu ao curta-metragem Mamá, escrito e dirigido pelo espanhol Andrés Muschietti, gostou e decidiu financiar a ideia na forma de um longa-metragem.

Guilhermo del Toro é conhecido justamente por suas boas histórias de terror, normalmente sobre famílias distorcidas por eventos sobrenaturais, que na maioria das vezes envolve algum tipo de entidade fantasmagórica e (até certo ponto) folclórica.

Se você curte uma típica história de fantasmas, com aquele clima sombrio de suspense, essa provavelmente é uma história que vai te agradar. Além disso, você vai encontrar vislumbres de filmes como O Labirinto do Fauno ou Não Tenha Medo do Escuro, que partilham da mesma premissa de conto de fadas obscuro — e também têm o dedo de del Toro em algum aspecto. Aqui você ainda vai ver uma história de fantasia e uma menina heroína contra alguma criatura grotesca — correção, duas meninas, bem bizarras.

Também dirigido por Andrés Muschietti, o filme acompanha duas meninas, as irmãs Victoria (Megan Charpentier) e Lilly (Isabelle Nélisse), que desapareceram na floresta no dia em que sua mãe foi assassinada por seu pai. Anos mais tarde, elas são encontradas e começam uma nova vida com seu tio Lucas (Nikolaj Coster-Waldau, o Jaime Lannister de Game of Thrones) e a namorada dele, Annabel (Jessica Chastain, a estrela de A Hora Mais Escura). O problema é que alguém ou alguma coisa parece ter vindo junto com as meninas. Annabel tenta descobrir o que está acontecendo, sem saber se está lidando com algum tipo de estresse pós-traumático das meninas ou com forças sobrenaturais realmente perturbadoras.

Muschietti, basicamente, converteu a simplicidade de seu curta para a complexidade de um longa — tanto que a cena de aproximadamente três minutos que compõe o curta está no longa, devidamente adaptada. Nessa conversão, o cineasta se aproveita bastante de clichês do gênero — muitas coisas nesse filme você já viu em outros, como O Chamado, por exemplo. Isso afeta um pouco o andamento da narrativa, que, em dado momento, se arrasta um pouco demais além do que deveria.

Por outro lado, os clichês também têm benefícios — velhos truques muitas vezes funcionam melhor do que os novos. Pra começar, os efeitos visuais são usados com sabedoria para exaltar a presença fantasmagórica em cena, normalmente apresentando a criatura com borrões sombrios que passam rapidamente ou com mariposas brotando do nada. O som é pontual, e o trabalho de câmeras garante uma sensação de profundidade angustiante, com grandes espaços vazios eventualmente se sobrepondo aos menores, antecipando uma ameaça que está por vir — me lembrou O Iluminado.

Apesar de explorar um tema bastante comum nesses filmes, as questões familiares, Muschietti o faz com carisma, e ainda apresenta uma família mais contemporânea — já que são duas crianças sendo criadas por um tio e pela namorada dele. Nikolaj Coster-Waldau não participa muito, relegado a uma cama por causa de um acidente. Jessica Chastain é quem assume a tarefa de cuidar das meninas, e faz seu trabalho de forma cativante. Mesmo com medo, ela ainda sustenta com firmeza sua postura de proteger as garotas do que quer que esteja acontecendo. A relação entre Chastain e as meninas evolui aos poucos, de forma natural, e a jovem Megan Charpentier se mostra bastante talentosa à medida que vai sendo “domesticada” após o tempo que passou na floresta.

A outra menina, Isabelle Nélisse, não tem a mesma força, mas também não é reduzida a uma mera criança selvagem. Porém, ainda é com a personagem de Nélisse que, no final, a mensagem se constrói. A ausência dos pais sempre pode causar efeitos drásticos numa criança — efeitos que podem ser, até mesmo, aterrorizantes. Os espanhóis são conhecidos por usar bem esse tipo de premissa em seus filmes, vide O Orfanato. Não obstante, mesmo com uma abordagem simplista do terror, Mama também consegue ser uma história de fantasmas intrigante e macabra.

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