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Os Croods

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Segundo o filósofo grego Platão, o ser humano nasce e cresce aprisionado à escuridão de uma caverna, separado do mundo exterior por um muro imenso, onde existe uma fresta pequena que deixa para um facho parco de luz vinda do exterior.

No interior da caverna, os humanos permanecem acorrentados, olhando fixamente para o muro, sem perspectivas além da escuridão. Quando um desses homens decide escapar dessa condição, quebrar suas correntes e escalar o muro, ele descobre os perigos de um novo mundo, onde ele pode buscar a luz da verdade e do conhecimento.

Porém, se esse homem livre, transformado pelo mundo exterior, voltasse para contar as boas novas para os demais homens da caverna sobre aquela vida de enganação que levavam, muita coisa podia dar errado — ele podia ser ignorado ou mesmo morto por aqueles que preferiam ficar na ignorância da escuridão.

A Alegoria da Caverna, descrita no Livro Sétimo do texto A República, é a mais pura definição da capacidade do ser humano de abandonar a escuridão em busca da luz trazida pelo conhecimento; um texto que já serviu de inspiração para muitos filmes, como A Vila ou Matrix, e que agora é apresentado da forma mais lúdica possível na deslumbrante animação Os Croods (The Croods, EUA, 2013).

Platão acreditava que este mundo em que vivemos é uma cópia imperfeita de outro mundo perfeito, que ele chama de mundo das ideias. Quando somos capazes de nos libertar das ilusões e dos medos que nos aprisionam ao erro neste mundo, descobrimos que podemos escapar da alienação e encontrar a consciência, tendo e inspirando ideias, e alçando voos maiores rumo ao amanhã.

O filme, escrito e dirigido por Kirk De Micco e Chris Sanders (Lilo & Stitch e Como Treinar o Seu Dragão) é a Alegoria da Caverna de Platão literalmente transformada numa mistura engraçada de Os Flinstones com A Era do Gelo.

A animação da Dreamworks conta uma aventura pré-histórica sobre a família Croods, uma das primeiras do mundo, que vivia confinada numa caverna, incapazes de sair dali por causa dos temores de seu patriarca. Um dia, quando a caverna é destruída, a família descobre que existe um mundo gigantesco além da caverna, e partem numa viagem fantástica, cheia de criaturas incríveis. Porém, logo descobrem que precisam sobreviver às intempéries de um mundo recém-descoberto e que está mudando drasticamente.

Os heróis aqui são homens das cavernas, sim, mas são como nós. Assim como acontece em A Era do Gelo, os personagens recebem contornos e personalidades mais aproximados aos homens do mundo moderno, com conflitos de gerações, eventuais desejos consumistas, paixões adolescentes, desgosto pela sogra etc.; tudo em prol da diversão pura e simples — afinal, ainda estamos falando de uma animação de comédia feita para a família.

Há o teor filosófico que compõe a base da narrativa, explorada com bastante delicadeza, sem que a história tente ser mais do que realmente é. Na verdade, Os Croods é até bastante simplista em sua mensagem: vencer medos, mudar hábitos e tentar coisas novas é bom, e inevitavelmente leva à liberdade de ser e pensar. O enredo (que tem ainda colaboração de John Cleese, comediante britânico que foi do Monty Python) pode parecer repetitivo em alguns momentos, com os Croods encontrando um terreno inexplorado após o outro e respondendo de forma previsível, e mesmo assim consegue ser suficientemente rápido e emocionante — aliás, EMOCIONANTE é palavra-chave!

Espera, outra palavra: NOSTÁLGICO! Não porque se trata de um filme sobre homens das cavernas, mas porque o filme tem vislumbres de piadas dos velhos desenhos animados, piadas simples e divertidas no melhor estilo Pernalonga e Patolino ou Pica-Pau ou Coyote e Papa-Léguas ou Flinstones (óbvio!). Animais fracos escrotizando os fortes (Fofucho, o “gato da morte” coloridinho, parece muito com o Tom dos primórdios do desenho Tom e Jerry), máquina fotográfica da pré-história, armadilhas porra-locas — SENSACIONAL! — Pensa só, quando foi a última vez que você viu o clássico gangorra-com-pedra / personagem-pula-na-gangorra / pedra-voa-no-personagem?! Só o Coyote sabia pular numa gangorra com pedra, e fracassar miseravelmente! Me escangalhava de rir! Junto com o Papa-Léguas!

A história, no entanto, é só o caminho das pedras; as pedras em si são esculpidas com maestria pelos efeitos visuais coloridos e vibrantes de uma paisagem exuberante, capaz de deixar qualquer Avatar da vida com inveja. Isso sem falar na profusão criativa de criaturas que a família Croods vai encontrando e enfrentando ao longo de sua jornada, desde (sensacionais) aves-piranhas famintas até o (hilário) cachorro-crocodilo carinhosamente chamado de Douglas — sim, Douglas!

A família, como um todo, é bem divertida em seus conflitos, com destaque para a protagonista Eep, que aparece como uma mulher forte e decidida, o pai Grug, e o agregado cuca-fresca Guy — o responsável por quebrar o tradicionalismo temeroso da família Crood. Os conflitos entre Grug (o velho e medroso na escuridão) e Guy (o novo e corajoso em busca da luz) refletem muito da essência do filme, e rendem momentos realmente engraçados.

Ah, mas o MELHOR personagem é o Braço, o bichinho bonitinho, peludinho e malandrilso que o Guy usa como amigo, navegador, provedor de ideias e cinto… Sim, cinto. Pra segurar as calças. Pode rir. Se você precisar de alguma coisa, Braço é o cara. Ou melhor, a preguiça… Tah-Tah-Tahhhhh!!! \o/

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