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Linha de Ação

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Linha de Ação (Broken City, EUA, 2013) surge com aspirações extremamente altas, querendo desesperadamente ser um daqueles filmes perspicazes de crime, com reviravoltas intrincadas e segredos sombrios — aspirações de filme noir, com uma dose de conspiração política. Infelizmente, o produto final não se mostra tão envolvente quanto deveria, e se perde no meio de sua própria tentativa em ser superior.

A trama não é nova, conduzida por imagens quebradas de uma cidade complexa, cujo povo vive no escuro ante as intrigas daqueles que detêm o poder e comandam a política.

A história acompanha o prefeito Nicholas Hostetler (Russell Crowe) durante seu período de re-eleição, e o ex-policial Billy Taggart (Mark Wahlberg), que busca desesperadamente redenção por atos do passado — atos que ultrapassaram os limites da justiça para a vingança, mas que colocam em cheque questões sobre crime e castigo.

Depois de deixar a polícia, Billy vive como um detetive particular, perseguindo maridos e esposas infiéis por alguns trocados, até que é contratado pelo prefeito para tal serviço. O prefeito suspeita que sua esposa, Cathleen Hostetler (Catherine Zeta-Jones), está tendo um caso, e pede que Billy traga-lhe provas da traição.

Após um pouco de espionagem, Billy descobre que a Sra. Hostetler está se encontrando com Paul Andrews (Kyle Chandler), gerente de campanha de Jack Valliant (Barry Pepper), um vereador da cidade que está disputando as eleições contra o prefeito. A traição da mulher do prefeito, no entanto, mostra-se apenas o estopim para uma conspiração maior em torno em torno de um negócio de bilhões de dólares envolvendo um projeto habitacional público — típico plot de noir: detetive é contratado pra um serviço de crise conjugal simples, alguém morre, dá merda pro detetive, e ele se vê num caso mais complicado.

O problema de Linha de Ação é que o “caso mais complicado” perde o fio da meada em meio a tantos núcleos, tantas subtramas, tantos personagens, tantos relacionamentos. De complicado, na verdade, nem tem muito. A história é simples, fácil de acompanhar e entender, e as revelações são consideravelmente óbvias. Por isso mesmo, talvez, o filme não cresce. O elenco estelar acaba subaproveitado pelo roteiro amador do estreante Brian Tucker. Aliás, ele comete um típico erro de principiante ao desenvolver vários arcos ao mesmo tempo e querer explicar e fechar todos os arcos e pontas que criou, mesmo que isso não seja realmente necessário em alguns casos. Por outro lado, é curioso como, na tentativa de resolver algumas coisas, Tucker simplesmente esquece outras, como a esposa do prefeito que serve como motivador para a história, que simplesmente desaparece a partir do segundo ato — pobre Catherine Zeta-Jones, aparece tão bela, tão gloriosa, pra quase nada.

O que se segue na história é uma profusão de traições, facas-nas-costas e manipulações políticas e midiáticas. O filme só consegue manter alguma dignidade por causa de seu elenco empenhado e de seu diretor Allen Hughes, que tem boas experiências com Do Inferno e O Livro de Eli.

Ainda assim, são aproximadamente duas horas de duração que poderiam ser facilmente resolvidas em uma hora e meia. Os excessos atrapalham mais do que ajudam e arrastam demais a história. Alguns momentos de diálogos políticos são interessantes, como o enérgico debate entre Nicholas Hostetler e Jack Valliant, uma prova de como políticos inescrupulosos podem ganhar o povo apenas no carisma; porém, mesmo esbanjando esse interesse enérgico, a sequência parece desnecessária dentro do conjunto.

Apesar da boa premissa, Linha de Ação não tem energia para realmente sobressair. Até oferece uma olhadinha rasa sobre os bastidores do poder, mas não é suficientemente forte para evocar algum debate. O filme Tudo Pelo Poder é melhor nesse quesito. Se for pelo noir, prefiro clássicos como A Marca da Maldade ou Chinatown, que têm premissas aproximadas.

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