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Oz: Mágico e Poderoso

Oz: Mágico e Poderoso

Oz: Mágico e Poderoso

Oz: Mágico e Poderoso

Oz: Mágico e Poderoso

O Mágico de Oz é uma dessas histórias que, até hoje, permanecem vivas no imaginário popular, e fez (ainda faz) parte da infância de muita gente.

Eu li o livro quando era criança, numa das muitas coletâneas de histórias fantásticas que meu avô tinha em casa — meu avô adorava livros, tinha vários, muitos com histórias fantásticas famosas e contos de fadas. Além disso, existe o famoso filme de 1939, que passava direto nas sessões da tarde da vida.

As aventuras de Dorothy Gale pela maravilhosa Terra de Oz, exacerbada por temas de fantasia e contos de fadas, além de impressionante como história em si, guardava mensagens mais profundas sobre riqueza e pobreza, tanto material quanto espiritual, e ainda mostrava o eterno embate entre homem e natureza — que em termos sociais, ainda poderia ser visto como um embate entre vida urbana e vida rural.

Oz: Mágico e Poderoso (Oz: The Great and Powerful, EUA, 2013) vem para recontar as origens do famoso personagem criado por L. Frank Baum, pegando inspirações do primeiro livro do autor, O Maravilhoso Mágico de Oz, onde o mágico é apresentado pela primeira vez e tem sua história descoberta pela menina Dorothy.

Dirigido por Sam Raimi, em seu primeiro grande blockbuster depois da trilogia Homem-Aranha, o filme, de fato, cria todo o pano de fundo de seu enredo em cima da história de vida que o Mágico conta para a garota no livro, e ainda usa vários elementos do filme de 1939 para construir seu estilo visual e narrativo.

Aliás, muitos elementos do livro e do antigo filme são aproveitados, e isso torna tudo ainda mais impressionante. O início, que se passa no Kansas em 1905, transcorre em preto e branco num formato de tela 4:3, padrão usado no cinema de antigamente, usado aqui para fazer uma homenagem ao longa de 1939 — e mais legal ainda é quando o formato de tela é atualizado para o widescreen em cores berrantes quando o enredo muda para a Terra de Oz. Outro elemento FODA é a aparência da Bruxa Má do Oeste, que ficou MUITO inspirada na do antigo filme! Ainda falando na Bruxa Má do Oeste, é simplesmente SENSACIONAL a forma como esse filme de Raimi mostra a fraqueza da Bruxa por água — na história original, a Bruxa morre vítima de um balde d’água (e se você não sabia disso, devia saber!).

O filme de Raimi também aproveita elementos do livro Maligna: Para os que Amam ou Odeiam o Mágico de Oz, escrito por Gregory Maguire, como o fato da Bruxa Má do Oeste e a Bruxa Má do Leste serem irmãs, e o fato do enredo do filme contar as origens da Bruxa Má do Oeste.

No entanto, Oz: Mágico e Poderoso, apesar de se apropriar das referências (com habilidade, devo dizer), toma as devidas liberdades criativas para sua adaptação e reúne tudo de forma consistente para criar uma história própria sobre origens e sobre a natureza do bem e do mal — outro tema comum nas obras sobre O Mágico de Oz. Por isso, não estranhe o fato dos personagens terem nomes diferentes do conhecimento popular, já que os nomes dados às bruxas por Maguire em seu livro não são usados aqui — Theodora ao invés de Elphaba, e Evanora ao invés de Nessarose. Ainda assim, são nomes interessantes, que funcionam bem dentro do universo do filme. A ideia aqui é basicamente recontar origens sob um novo ponto de vista — então, escolher novos nomes faz parte.

James Franco surge como o personagem-título Oz; Rachel Weisz como Evanora, a Bruxa Má do Leste, que pretende governar a Terra de Oz; Michelle Williams no papel de Glinda, a Bruxa Boa (do Sul); e Mila Kunis como Theodora, a irmã mais nova de Evanora, que no futuro se tornará a Bruxa Má do Oeste.

O enredo mostra como Oscar Diggs (Franco), um jovem ilusionista de circo e de índole duvidosa, vai parar na mística Terra de Oz — onde no futuro será conhecido como o grande Mágico de Oz. Aliás, devo dizer que a forma como Oscar é apresentado no começo, ainda mais com o uso do preto e branco, é como ver o Ash sendo apresentado em Uma Noite Alucinante 3, só que sem a motosserra no braço — um herói vigarista e canastrão digno do Sam Raimi.

Naquele mundo tão diferente, Oscar acredita que pode mudar sua sorte e fazer fortuna, mas conhece três bruxas (Kunis, Weisz e Williams) que não estão tão convencidas de que ele é o grande mago que todos naquela terra esperavam. Oscar acaba relutantemente atraído para os problemas da Terra de Oz e precisa usar todos os truques e cartas que tem na manga para resolvê-los antes que seja tarde demais. Aos poucos, vemos o crescimento do ilusionista que vai se tornar um homem melhor e um mágico respeitado e poderoso.

O elenco faz um trabalho excelente dando vida às peças que fazem da Terra de Oz um mundo fantástico e complexo. James Franco é de uma cretinice tão divertida que somos facilmente cativados por seu personagem, mesmo sabendo que tudo o que ele faz tem grande potencial pra dar merda. Mila Kunis e Rachel Weisz são desenvolvidas de forma mais contida e aparecem em doses homeopáticas, ainda que sejam importantes para a história.

Curiosamente, quem ganha bastante destaque é Michelle Williams; aqui, Glinda aparece como uma espécie de contraparte de Oz, tornando a interação entre os dois agradável, equilibrada por emoções conflitantes e desejos em comum.

Agora, beleza é um sinônimo pra esse filme! O visual, estimulado por um 3D vigoroso, é tão aconchegante (com borboletas e flores bonitinhas) quanto agressivo (com lanças e vinhas carnívoras sendo arremessadas da tela sobre nós por todos os ângulos). O cenário é de encher os olhos de qualquer um. Ah, as três atrizes também são de encher os olhos de qualquer um. Mila Kunis tá UM ESPETÁCULO naquela roupa vermelha e aquela calça preta de couro apertada! Rachel Weisz é a mais apagadinha, mas ainda é uma linda! E a Michelle Williams é a Michelle Williams, linda, loira, encantadora, um pouco mais linda, radiante, e insira aqui mais quantos adjetivos você quiser! Williams chama atenção em todas as cenas que aparece, por seu talento e por sua beleza!

Sam Raimi mistura com inteligência o clima alegre de conto de fadas com o misticismo sombrio das histórias de terror pelas quais é conhecido (como Evil Dead e Arraste-me Para o Inferno). As marcas do diretor estão por toda parte no filme, perfeitamente visíveis, como o dinamismo na condução da narrativa, os zooms vertiginosos de câmera, as bruxas voadoras, o humor sacana e o apego por coisas bizarras — que ajudam a quebrar um pouco do aspecto bonitinho do cenário, e reforçam o fato de que é um mundo dominado por uma bruxa maligna que comanda um exército de babuínos voadores violentos. Isso tudo sem perder a atmosfera de história infantil. Ah, e tem ainda o Bruce Campbell, como não podia deixar de ser num filme do Sam Raimi.

Além disso, estamos falando de Sam Raimi, e o cara sabe o que faz! Se você estava com medo de assistir a um filme tipo o Alice no País das Maravilhas do Tim Burton, pode relaxar, porque Oz: Mágico e Poderoso acerta onde o outro errou, e mostra-se um filme MUITO melhor em MUITOS aspectos.

Na construção de sua prequel de uma história clássica e amplamente conhecida, Raimi fez escolhas sábias — como um bom mágico — e evitou criar elementos demais para um curto espaço de tempo, ainda que o filme tenha pouco mais de duas horas de duração. Mesmo com todas as referências citadas anteriormente, Oz: Mágico e Poderoso é um filme ágil e certeiro, focado no confronto entre um homem que vive atrás de uma cortina e uma bruxa verde que vive atrás de uma máscara de bondade. Esses dois personagens são as forças motrizes da trama, que trabalham verdadeiramente a natureza do bem e do mal e as consequências que ações benignas ou malignas podem ter para uma pessoa ou para um grupo de pessoas.

Nesse quesito, é ainda mais bonito acompanhar a forma como o personagem Oz aprende sobre como a grandiosidade por estar ligada à bondade, e que mesmo uma pessoa boa pode cometer erros, especialmente quando não sabe exatamente que caminho seguir na vida. Essa beleza é mostrada em situações, como uma logo no início do filme, quando uma menina pede a Oz que cure suas pernas e ele, como o charlatão que é, não pode fazê-lo e se vê frustrado por isso; porém, na Terra de Oz, ele encontra a oportunidade de corrigir a situação frustrante de antes usando seu próprio charlatanismo, ajudando uma bonequinha de porcelana numa cena realmente singela e libertadora. Aliás, a bonequinha é outra coisa linda do filme, TÃO ADORÁVEL que dá vontade de abraçar o tempo todo!

Claro que nem tudo é possível consertar, como os fatos relacionados à Bruxa Má do Oeste, mas é o tipo de erro com o qual muitas vezes precisamos conviver, e dos quais aprendemos a tirar alguma sabedoria. Ser um mágico não é saber uma meia dúzia de truques, é apenas saber.

Oz: Mágico e Poderoso reforça ainda o poder de acreditar, em si mesmo e nos outros e nas coisas. Se você acredita que pode fazer algo, você pode ser capaz de fazê-lo; e se você acredita que pode fazê-lo de forma correta, melhor. Talvez ser bom não signifique simplesmente ser uma Bruxa Boa que brilha e sorri adoravelmente, mas ser uma pessoa que comete erros, aprende com eles e, ainda assim, tenta fazer a coisa certa.

Isso é seguir por uma estrada de tijolos de amarelos.

Tentando ser mágico e poderoso.

Zim Zala Bim.

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