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Alfred Hitchcock é uma visão eficiente sobre como foi produzido um dos mais famosos suspenses da história do cinema, o filme Psicose. Hitchcock não era somente um artista do cinema, mas uma figura misteriosa e, até certo ponto, de um cinismo quase cômico — talvez, humor mórbido de inglês. Os próprios filmes do cineasta inspiravam sorrisos, ora de descrença, ora de desconforto, mas todos, até mesmo os menos famosos, inegavelmente prendem a atenção de qualquer um que pare para assisti-los.

Hitchcock é uma presença marcante de muitas formas, e Hitchcock (EUA, 2012) é inteligente por explorar isso. Como diretor, sempre soube do potencial que tinha para criar histórias dos mais variados gêneros, desde comédia até noir, e explorava como poucos a temática do homem inocente injustamente acusado de algum crime. Mas, com Psicose, Hitchcock esperava se reinventar e re-encontrar como cineasta, e apostou tudo, inclusive comprando anonimamente os direitos do livro Psycho, escrito por Robert Bloch, para transformá-lo no roteiro do filme — ele também comprou todas as cópias disponíveis no mercado para que ninguém o lesse e, consequentemente, descobrisse o final de seu filme antes de assisti-lo.

Curiosamente, Psicose acabou se tornando o mais bem-sucedido e famoso filme do cineasta, e não tinha personagens principais inocentes, nem mesmo sua suposta heroína, interpretada na época por Janet Leigh. Depois disso, veio a fama e a produção de Pássaros, outro longa famoso do diretor e que este Hitchcock apresenta de leve numa piadinha sagaz.

Dirigido por Sacha Gervasi, o filme é baseado no livro Alfred Hitchcock and the Making of Psycho, escrito por Stephen Rebello, e conta a história por trás dos bastidores durante a gravação do clássico filme de terror Psicose, que é usado como pano de fundo para expressar a complicada relação do cineasta com as mulheres, desde sua esposa até as belas atrizes loiras que escolhia para serem suas protagonistas. Hitchcock nutria certa paixão por suas mulheres, mas não conseguia lidar verdadeiramente com elas, talvez por seu jeito britânico sisudo e até um pouco assustador, ou talvez pelo apego que todo autor desenvolve por seus personagens — ou SUAS personagens.

Hitchcock conta a história da produção não tanto como um making of do filme, embora possa, em alguns aspectos, ser encarado dessa forma. O foco é mais na relação entre Hitchcock e Alma do que no filme em si — é legal ver como surgiu um dos maiores suspenses do cinema, ainda que não seja tão explorado quanto poderia. Em alguns momentos, poucos, o cineasta ainda aparece rompendo a quarta parede e conversando com o público, recurso que parece bizarro no começo, mas no fim se mostra providencial por estabelecer uma ligação entre o ícone e os fãs, e por fazer uma homenagem sutil ao Hitchcock satírico da série Alfred Hitchcock Apresenta, exibida nos anos 50.

Há, porém, uma subtrama envolvendo um possível affair entre Alma e seu amigo Cook, que desvia o roteiro desnecessariamente e atrapalha um pouco o andamento da história. Também existem os momentos Jeckyll e Hyde entre Alfred Hitchcock e Ed Gein, o assassino que inspirou o livro Psycho e, consequentemente, o filme. A interação entre Hitchcock e Gein reflete um pouco a característica do filme em mostrar o elo entre autores e personagens, mas soa estranho no todo, e até mesmo irritante.

Anthony Hopkins faz o papel principal de Alfred Hitchcock, com uma caracterização tão impressionante e caricato que às vezes parece o verdadeiro Hitchcock; Helen Mirren transmite calor e empatia como Alma Reville, esposa do cineasta, que também agia como principal conselheira, censora, musa e amiga, conduzindo-o em segurança pelo caminho incerto de onde surgiu Psicose; Scarlett Johansson interpreta a atriz Janet Leigh, e mesmo não se parecendo com a atriz original, esbanja um carisma adorável e impetuoso em cena; Jessica Biel aparece como a atriz Vera Miles; James D’Arcy surge como o ator Anthony Perkins; Danny Huston faz o escritor Whitfield Cook, amigo de Alma; e Ralph Macchio faz o roteirista Joseph Stefano. Atores respeitáveis para um filme respeitável.

Ainda que em grande parte seja uma ficção, o filme conta de forma inteligente a luta de Hitchcock para fazer seu filme e recuperar seu prestígio enquanto tenta lidar com os problemas de seu casamento. Como produção cinematográfica levemente biográfica, Hitchcock é contido e enigmático como o homem que o inspirou, mas sabe ser incisivo como uma facada quando precisa ser — assim como o homem que o inspirou!

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