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Dezesseis Luas

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Dezesseis Luas

Dezesseis Luas (Beautiful Creatures, EUA, 2013) é um desses filmes direcionados para jovens adultos com elementos sobrenaturais, uma fórmula que vem sendo usada exaustivamente, mas que ainda pode render boas histórias. Não se engane achando que vai ver outro Crepúsculo da vida, não vai. Pelo menos, não tanto. Na verdade, lembra mais as antigas séries adolescentes dos anos 90, tipo Buffy: A Caça-Vampiros, e isso é uma coisa boa!

Baseado no primeiro romance da série criada por Kami Garcia e Margaret Stohl, algo chama imediatamente a atenção quando a história começa. O foco da trama é um homem, não uma mulher (como costuma ser nesses casos), fato que garante certa dose de inversão de estereótipos típicos da fórmula que essas histórias seguem. Mas, outro detalhe, é que NÃO HÁ aquele triângulo amoroso básico (e muitas vezes chato) entre dois meninos e uma menina. Aqui, o romance existe, entre um menino e uma menina, um humano e uma bruxa, e isso, por si só, já é problema suficiente para os dois!

A história acontece numa cidade do sul chamada Gatlin, onde vive Ethan Wate (Alden Ehrenreich), que é assombrado por sonhos de uma estranha garota que ele nunca conheceu. Wate não vê a hora de sair daquela cidade e deixar tudo para trás, porém, a misteriosa garota de seus sonhos se muda para uma casa numa região afastada e rústica de cidade. Lena Duchannes (Alice Englert), na verdade, é uma jovem que tenta esconder seu poder sobrenatural e uma maldição que assola sua família há gerações. Wate sente-se atraído por ela e tenta descobrir a conexão que existe entre os dois, prestes a descobrir segredos que podem mudar tudo em sua cidade e sua vida.

A relação dos dois, no entanto, tem alguns obstáculos a enfrentar. Lena, quando completar 16 anos, precisa passar por um ritual chamado Invocação, no qual seus poderes serão clamados pela Luz ou pelas Trevas — e ela tende para as Trevas, claro. Macon (Jeremy Irons), tio de Lena, não aprova a união dos dois por causa da maldição da família. Por outro lado, uma bruxa poderosa chamada Sarafine deseja ter Lena ao seu lado nas trevas e, para tal, conta com a ajuda da traiçoeira Ridley (Emmy Rossum), prima de Lena que foi clamada pelas Trevas. No meio desse conflito, a única aliada que eles têm é a bibliotecária Amma (Viola Davis), que é uma espécie de mãe de criação para Wate e possui algum conhecimento sobre a natureza sobrenatural do mundo.

No primeiro ato, o filme exalta suas qualidades por aprofundar consideravelmente os personagens e o cenário a ponto de sermos envolvidos por eles. Gatlin aparece como uma cidade melancólica, de população exageradamente religiosa e tradicionalista. É um lugar soturno, onde o sobrenatural é exacerbado de forma sombrio, de forma que lembra um pouco o clima de uma Nova Orleans; e o filme se esforça pra tornar macabra a sensação de estar naquela cidade. Mais ainda, cenas rápidas são inseridas na história com o único objetivo de retratar como pode ser desesperador para um adolescente de “espírito livre” como Ethan viver ali.

Nessa cidade, pra piorar, os jovens são proibidos de ler determinados livros — afinal, conhecimento estimula pensamentos além da opressão de valores tradicionalistas — e ainda são obrigados a re-encenar anualmente o período da Guerra Civil, que foi importante na história da cidade. No quesito diversão, existe apenas um cinema, cujos filmes são exibidos muito depois de lançarem em DVD noutros lugares, e ainda estreiam com os títulos errados. A religiosidade é quase inquisidora, uma oposição óbvia ao conceito de bruxaria, representada pela insanidade vil da Sra. Lincoln (Emma Thompson) — o tipo de mulher que facilmente queimaria qualquer indivíduo contrário aos seus dogmas, e o tipo de pessoas fanáticas que eventualmente surgem em áreas de pensamento reprimido ou com pouco acesso à informação. Tem até um quê de Carrie, a Estranha; com toques de magia negra e, até mesmo, vodu.

A chegada de Lena desconstrói muitos padrões dessa sociedade, mas apenas Ethan percebe isso, e se aproxima dela. Os dois ficam amigos e não demora até que se tornem algo mais. O romance é bem trabalhado, desenvolvido aos poucos no percurso entre amizade e namoro, sem parecer forçado. A química entre os atores é tão grande, que o desenrolar do amor entre eles flui naturalmente e de forma divertida. Algumas coisas até acontecem rápido demais, já que estamos falando de um livro de quase 490 páginas adaptado em cerca de duas horas, mas nada que incomode.

Além disso, os protagonistas Alden Ehrenreich e Alice Englert têm desempenhos expressivos, com destaque para Englert, que passa a medida certa as emoções conflitantes a flor da pele de sua personagem. Lena é impetuosa e atrevida, sem excessos de castidade comuns às protagonistas de histórias similares. Wate é mais ingênuo, fruto de ter vivido boa parte da vida enclausurado numa cidade opressora; porém, seus anseios sobre sair dali e sua visão da vida naquele lugar são passados de forma descontraída — mais ou menos como R nos apresenta o mundo dele em Meu Namorado é um Zumbi. Ao mesmo tempo, Wate é um mero mortal no mundo dos Conjuradores — ah, nunca os chame de bruxos! — e sofre as consequências de sua fraqueza perante eles o tempo todo.

Ainda que Dezesseis Luas tenha sido baseado no primeiro livro de uma série, o diretor Richard LaGravenese (Escritores da Liberdade e P.S. Eu te amo) consegue manter algum grau de autossuficiência e coragem, criando uma história cujo final fecha um arco sem olhar tanto para possibilidades futuras, visto que pode ou não ter uma sequência — eu realmente gostaria de ver uma continuação, já que originalmente são quatro livros.

No mais, o filme sofre com alguns deslizes por causa da introdução de muitos personagens na segunda metade e pela perda de ritmo no segundo ato, que tornam a narrativa um pouco lenta para um filme de longa duração. No terceiro ato, o ritmo retoma sua força junto com as decisões de sua protagonista — decisões que tornam a história ainda mais interessante.

Dezesseis Luas aborda temáticas sobre “amor à primeira vista” e “destino” como outras histórias comuns ao gênero, porém, evita cair na mesmice por tratar seus temas de forma mais sóbria. Mudar o destino é possível, mas exige níveis incalculáveis de esforço e, sobretudo, sacrifício. Às vezes, sacrificar alguma coisa em prol de um benefício maior; e deve se estar disposto a isso quando se luta contra o destino. O mérito está, principalmente, em mostrar que o amor (sem melodramas) possui uma força incompreensível para sustentar motivações e superar obstáculos; mas o amor, por si só, não garante todas as soluções, e pode não ser suficiente para salvar o dia. É preciso mais, muito mais. Normalmente, esse é o preço da magia.

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