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Indomável Sonhadora

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Indomável Sonhadora

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A atriz mirim Quvenzhané Wallis surgiu esse ano como uma das indicadas para melhor atriz no Oscar 2013 por sua interpretação como a menina Hushpuppy nesse Indomável Sonhadora (Beasts of the Southern Wild, EUA, 2012). A indicação, devo dizer, é merecida, ainda que surpreendente. A garota realmente tem força, é um espírito selvagem quase tão livre quanto a natureza que a cerca no filme. Ela é um personagem quase heroica, ensinada a sobreviver a uma realidade dura por si mesma, porque ninguém pode decidir o que vai ser melhor para ela senão ela própria. A história, centrada num mundo de fantasia aproximado ao real, provavelmente não funcionaria sem ela. A questão é que o filme só funciona por causa da garota, e isso não é tão bom quanto pode parecer.

Na trama, Hushpuppy (Quvenzhané Wallis) e seu pai Wink (Dwight Henry) vivem num lugar chamado Banheira, uma comunidade localizada num território pantanoso e cercada por uma barragem que separa a terra molhada das terras secas ao redor. Um dia, um terrível furacão devasta o lugar, forçando seus habitantes a lutarem pela sobrevivência no que restou em meio à inundação. Hushpuppy descobre que precisa crescer, mas o faz como alguém que não conhece o mundo real, imaginando as dificuldades que precisa enfrentar na forma de bestas pré-históricas (que parecem um cruzamento entre búfalos e javalis) que teriam se libertado das geleiras onde estavam aprisionados por causa da tempestade. As bestas são a representação de como a menina lida com os fatos, com o tratamento ora amistoso ora agressivo de seu pai e com a ausência de sua mãe, que abandonou a Banheira anos atrás.

Wallis realmente é muito boa, mas Indomável Sonhadora, apesar de tudo, é um filme cansativo, e não diz muito a que veio. A mensagem é até interessante, incisiva e até um pouco cruel por apresentar um ponto de vista sobre como a humanidade interage com o mundo e entre si. Todos, desde veteranos até crianças possuem um papel a desempenhar na manutenção de qualquer comunidade, porém precisam lidar com a bestialidade também inerente ao ser humano, que muitas vezes consegue ser tão ferino quanto um animal. Quando a comunidade é devastada por uma tempestade, seus habitantes tentam se re-erguer cooperando uns com os outros. Nesse ponto, temos o respeito a natureza, mesmo ante toda a sua selvageria. Mesmo aqueles que a respeitam estão sujeitos a ela.

Mas, mesmo assim, as condições adversas são muitas e eles acabam sendo ajudados pelas pessoas que vivem atrás da barragem que separa a Banheira do resto do mundo — ou seja, as pessoas que vivem e desfrutam dos ambientes urbanos da “civilização”. Nessa hora, o tema é o impacto que essa “civilização” é capaz de provocar à natureza, quando ordem invade o caos natural e enreda tudo sob suas teias padronizadas e desprovidas de liberdade. No fim, Indomável Sonhadora é muito sobre isso: liberdade. De sentir, de se comportar, de sonhar. É quase uma utopia.

Infelizmente, a menina e a mensagem, como eu disse, são os únicos méritos do filme. A forma como tudo isso é conduzido é que atrapalha, e muito. O diretor Benh Zeitlin se esforça para comandar seu trabalho com aspirações artísticas, mas não consegue manter o controle em meio a sua mensagem tempestiva. Para um filme com um tema tão forte e impactante, a narrativa se mostra lenta demais, incapaz de sustentar tanta voracidade. O resultado é que um filme de aproximadamente uma hora e meia parece demorar uma eternidade, e passa tão devagar que deixa de ser cativante.

Além disso, Wallis é a única que tem carisma em seu papel; os outros terminam apenas como caricaturas de pantaneiros desprovidos aspectos emocionais marcantes. Mesmo animais precisam de alguma emoção, ainda que seja puro instinto. Por causa disso, o caráter onírico da história acaba parecendo mais divagação, e olha que a imaginação de uma criança pode ser realmente divertida. Num filme sobre bestialidade e superação humana, faltou justamente isso: emoção. As Aventuras de Pi trata de temáticas parecidas, inclusive apegando-se a um realismo fantástico proveniente da capacidade inventiva da imaginação infantil, e termina como um filme infinitamente melhor justamente por despertar empatia. Alguma coisa faltou em Indomável Sonhadora que tornou o filme cru demais, e empático de menos. Até mesmo a crueza precisa despertar alguma emoção, mas num filme tão maçante fica difícil sentir qualquer coisa além de tédio.



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