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As Sessões (The Sessions, EUA, 2012) é basicamente a história de um homem que teve poliomielite na infância e cresceu com o corpo paralisado, mas mesmo assim lutou pela vida e para viver seus amores. Baseado no artigo On Seeing a Sex Surrogate (algo como Encontrando uma Substituta Sexual), escrito pelo próprio Mark O’Brien da vida real para a revista Sol em 1990, o filme trata de temas meio clichês no cinema atual.

Porém, com delicadeza e visão diferentes sobre a vida e as relações entre as pessoas, despertando emoções de forma simples e divertida. Parte disso, graças principalmente aos atores principais, que constroem personagens realmente carismáticos. No fim, a maior qualidade de As Sessões é conseguir captar um pouco da vida, não a nossa vida, mas da vida de alguém cheio de limitações com as quais jamais imaginaríamos ser capazes de viver.

O filme combina franqueza sexual e sensibilidade como poucos ao mostrar de forma inspiradora a busca de um homem em sua intenção de perder a virgindade. Parece simples num primeiro momento, talvez até pareça trágico considerando que o homem em questão teve poliomielite e não pode mover o corpo, mas, na verdade, As Sessões é uma tremenda lição de vida — ou melhor, uma afirmação da arte de viver!

A história é sobre o poeta e jornalista Mark O’Brien (John Hawkes) em Berkeley, Califórnia, no ano de 1988, que cresceu preso a uma cama por seu corpo paraplégico e passou a vida sendo cuidado por outros pessoas. Isso, para muitos, seria uma limitação, para ele, foi uma forma de exaltar seus aspectos psicológicos e emocionais em detrimento dos físicos. O resultado é que ele se tornou um homem inteligente e carismático, mas que nunca conheceu de verdade o amor de uma mulher, ou o sexo.

Surpreendentemente, e como eu disse uma lição de como viver, Mark escrevia seus textos tocando as teclas de sua máquina com um dispositivo que ele segurava com a boca, e tinha talento, pois sempre era requisitado por revistas e jornais para escrever matérias ou colunas.

Mas, apesar do sucesso profissional, ele não é tão eficiente no quesito social e emocional quanto gostaria. Por sua condição e sua criação familiar rígida dentro do catolicismo, ele facilmente super-valoriza seus sentimentos e se expõe sem medos, o que nem sempre é recíproco. Sem saber de verdade o que é o amor, ele decide descobrir mais sobre amor e sexo quando precisa escrever um artigo relacionado a essa questão; para isso, contrata os serviços de uma terapeuta sexual, Cheryl Cohen-Greene (Helen Hunt), uma mulher reservada, mãe de família, mas totalmente consciente dentro de sua posição profissional. Ela explica que eles não terão mais do que meia-dúzia de sessões, de modo a reduzir a probabilidade de um inadequado e antiético envolvimento emocional entre terapeuta e cliente. Essa, pelos menos, é a teoria — como o sexo, a prática é muito diferente.

A sensibilidade impressionante do filme, no entanto, deve-se principalmente ao diretor e ao elenco. Ben Lewin, que além de dirigir escreveu o roteiro, trata do tema com delicadeza e positivismo e se mostra ainda mais essencial por ele próprio ter sofrido com a poliomielite em sua infância, motivo pelo qual até hoje o cineasta usa muletas. Lewin não cria dramas excessivos sobre o tema, algo que torna a história mais leve e singela à despeito de todas as dificuldades que Mark O’Brien certamente teve que enfrentar por causa de sua condição.

No que diz respeito ao elenco, o trio de atores principais com seus desempenhos incríveis transbordam toda a emoção e o bom humor apresentado na narrativa.

John Hawkes desaparece no papel e traz para o filme um humor auto-depreciativo e charmoso, aparentemente leve, mas carregada de um cinismo cativante, enquanto permanece sem se mover, com seu corpo contorcido. Helen Hunt, contudo, é a que mais se expõe, de verdade. A atriz é perfeita assumindo papéis complicados e, aqui, Hunt está maravilhosa e parece bastante confortável com sua nudez pragmática e dedicada à cura as limitações sexuais de Mark. Hunt transborda sensualidade, profissionalismo e ternura, funcionando perfeitamente como apoio para a interpretação de Hawkes — os dois juntos têm química.

Mas outro destaque é o ator William H. Macy, que interpreta o ficcional Padre Brendan, o pároco a quem O’Brien faz suas confissões. No começo, Brendan aparece como padre, mas aos poucos, escutando as confissões e dúvidas de Mark, vai se tornando um amigo, daqueles que demonstram interesse por suas aventuras e sentam ao seu lado com uma lata de cerveja para escutar os detalhes. Macy é deliciosamente engraçado com seu carinho e apoio compassivo em relação às tentativas de O’Brien para conhecer uma mulher num sentido mais bíblico. O padre, além disso, representa a transformação que a ânsia por viver de Mark é capaz de despertar numa pessoa, pois se no começo Brendan apenas o escuta e aconselha na paróquia, depois de algum tempo, ele vai até a casa de O’Brien para escutá-lo, levando caixas de cerveja e até fumando um cigarrinho — ou seja, despreocupando-se um pouco com a rigidez dos afazeres de sua posição eclesiástica e permitindo-se um pouco de prazer casual.

O padre reflete o impacto que a história de Mark O’Brien pode ter, e a mensagem é simples: viva mais, ame mais e aproveite ao máximo o que a vida tem a oferecer. Mark O’Brien, com todas as suas limitações o fazia com singeleza e bom humor, isso sim é superação. Reclamar da vida e de suas dificuldades torna-se tolice diante de uma história como a de Mark O’Brien. As Sessões é um drama inteligente, bonito, divertido e definitivamente inspirador.



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