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A Hora Mais Escura

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A Hora Mais Escura (Zero Dark Thirty, EUA, 2012) é um filme de ficção, mas com aspectos de documentário por contar em detalhes a caçada de uma década a Osama Bin Laden, mentor do maior atentado terrorista da história nos Estados Unidos. O filme de Kathryn Bigelow, vencedora do Oscar em 2011 por Guerra ao Terror, revela toda a operação com olhar clínico, mas com a imparcialidade de uma apuração jornalística. O grande mérito é que o filme não se coloca como a favor ou contra os fatos, ele apenas os apresenta, e deixa na mão do público refletir e decidir se os fins justificam os meios.

Assim que o filme começa, também começa a espera de quase três horas pela cena-motivo para todo o filme, que Bigelow recria com tensão espetacular e realista, com a mesma carga de adrenalina apresentada pela diretora em Guerra ao Terror. A cena, você sabe bem qual é: a invasão da casa no Paquistão onde uma equipe da Marinha dos EUA assassinou Osama Bin Laden.

O enredo, no entanto, é projetado para contar a história da operação que resultou na morte de Bin Laden e, nesse quesito, o foco vai todo para Maya (Jessica Chastain), uma agente da CIA transferida para o Oriente Médio para integrar uma unidade cuja finalidade era encontrar Bin Laden e impedir que atentados terroristas planejados por ele fossem cometidos.

A caçada, incluindo fracassos como os atentados de Londres em 2005 e várias mortes de agentes CIA, é recriada minuciosamente, quase em tom documental, configurando os jogadores principais e secundários que levaram ao dramático ataque da equipe da Marinha contra o terrorista. Na verdade, antes mesmo de conhecermos os jogadores, o filme nos oferece um panorama da grande motivação por trás da caçada ao recriar áudios de telefonemas feitos de dentro do World Trade Center no dia 11 de Setembro, inspirando de forma angustiante o medo e o desejo de vingança que levou os norte-americanos a caçarem Bin Laden desesperadamente e por quaisquer meios.

Maya é a representação maior desses anseios, tanto que ela chega ao Oriente Médio crua e deslocada, ainda que saiba exatamente o que está fazendo ali. Inicialmente, a vemos apenas como uma testemunha aprendendo as regras do lugar — “Se você mentir para mim, eu te machuco” — enquanto o também agente Dan (Jason Clarke) tortura um suspeito de terrorismo. Esse começo é incisivo para mostrar que NÃO HÁ MISERICÓRDIA, há apenas o objetivo! Não demora muito até que Maya absorva tudo aquilo e mostre uma face mais inflexível para com os fatos. E essa dureza conduz toda a tensão, e a interpretação de Chastain, que é firme no papel.

As cenas de tortura são mostradas em detalhes, reforçando o quão sombrio é o caminho da vingança, porque, no fim, a busca por Bin Laden é uma jornada de vingança na qual não se medem meios para se atingir os objetivos. Por outro lado, a intensidade também é passada com sutileza quando Maya usa de artifícios mais meticulosos para manipular seus prisioneiros e arrancar deles a informação que precisa sem lhes causar danos físicos.

Ainda que aborde temas extremamente politizados, A Hora Mais Escura está mais preocupado nos agentes da CIA dispostos a fazer qualquer coisa para encontrar seu homem. O filme incorpora habilmente o trabalho sujo e por vezes chato da agência de inteligência norte-americana, intercalando esses momentos com cenas inspiradas em fatos, como o atentado em Londres ou os protestos no Paquistão contra os drones dos EUA, sequências de ação intensas, e a vivência difícil dos agentes num território hostil onde confiar em alguém era um luxo para poucos.

Bigelow constrói o ritmo das investigações de Maya com profissionalismo metódico e suspense que permite a sua protagonista se destacar — em alguns momentos, parece até que estamos vendo a Carrie, protagonista da série Homeland, em ação, especialmente quando Maya tem uns rompantes contra as burocracias excessivas de seus superiores. Maya aparece como uma personagem tão forte e complexa, que suprime ao máximo suas fraquezas em prol de uma missão considerada impossível por muitos. Jason Clarke, Jennifer Ehle, Kyle Chandler, James Gandolfini, Chris Pratt, Joel Edgerton e Harold Perrineau são alguns dos atores que dividem a cena com Chastain, com mais ou menos intensidade, mas todos são ofuscados pelo vigor da atriz. O poder de A Hora Mais Escura surge da confiança silenciosa de sua personagem principal, uma mulher ferrenha e determinada que conduz uma história amplamente conhecida de forma impactante e, até certo ponto, comovente.

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