Cinema

Caça aos Gângsteres

Nível Exemplar

Caça aos Gângsteres

Caça aos Gângsteres

Caça aos Gângsteres

Caça aos Gângsteres

O cinema americano sempre foi fascinado pelos criminosos. Dos bandoleiros do velho oeste aos hackers do Vale do Silício, o fora-da-lei sempre foi uma figura emblemática, causando fascinação por ser uma versão extrema do american way of life (o sujeito que cresce com seu próprio esforço), sendo ao mesmo tempo adorado e combatido. Apesar das inúmeras possibilidades, nenhuma simboliza melhor esse paradoxo do que a do chefão do crime organizado. É por isso que, de tempos em tempos, Hollywood produz um filme mostrando o combate ao crime em proporções épicas, como se a eterna necessidade de impedir a ascensão dos bandidos estivesse no cerne da própria visão de mundo e de construção do país.

No século XXI, dominado pelas animações e super-heróis, estava fazendo falta um bom filme de “polícia e bandido”. Mas agora, com Caça aos Gângsteres (Gangster Squad, EUA, 2013), o gênero se vê revigorado.

Dirigido por Ruben Fleischer (Zumbilândia), o filme conta a história (inspirada em fatos de reais) do combate a Mickey Cohen (Sean Penn), um ex-pugilista judeu que se torna chefão do crime na Los Angeles pós Segunda Guerra Mundial. Para derrotá-lo, o chefe de polícia Parker (Nick Nolte) convoca o sargento John O’Mara (Josh Brolin) para a difícil missão de organizar uma equipe de policiais para, agindo na surdina, machucar Cohen onde sempre dói mais: no bolso! Entre os membros do time, temos o sargento Jerry Wooters (Ryan Gosling), que é amante de Grace Faraday (Emma Stone), que tem um romance com o criminoso.

O filme já na primeira cena mostra a que veio, mostrando Cohen como um cara sem meio termos e que não se importa em derramar sangue para conseguir o que deseja. A violência, como não poderia deixar de ser, é uma constante durante toda a obra. Muitos tiros, muitas mortes e muitas explosões com certeza farão alegria aos fãs do gênero. Inclusive há uma cena de headshot que, apesar de curta, é foda! Para deter alguém como Cohen, é necessário um sujeito que entenda de combate, e que entenda a mente criminosa, e aí entra o personagem interpretado por Brolin. A certa altura, ele afirma que poderia ser o próprio Cohen, e há uma verdade nisso. Ambos são obsessivos em atingir seus objetivos, e não se importam em sujar as mãos para se saírem vitoriosos.

As cenas de ação são muito bem realizadas. Destaque para a perseguição de carros e o apoteótico tiroteio final, que lembra bastante a Os Intocáveis, com leves toques de Matrix (na cena em que Neo e Trinity invadem o prédio para resgatar Morpheus). A porradaria final entre os antagonistas também é excelente, com uma conclusão de certo modo surpreendente (embora tenha uns golpes de MMA ali que não sei se eram usados na época).

A reconstrução da época é decadente e bonita na medida certa, com destaques para os figurinos. A trilha sonora também chama a atenção positivamente, com direito até a uma dublê de Carmen Miranda cantando em português decente. Mas o grande destaque, sem dúvida, é o elenco. Sean Penn rouba a cena com seu vilão cheio de trejeitos, e consegue achar o tom certo entre o exótico e overacted. Brolin aparece bastante seguro como protagonista, com o elenco de apoio passando credibilidade em suas atuações. Emma Stone, além de deslumbrante, foge do lugar comum da femme fatale, passando pela angústia de não conseguir sair da situação que criou para si mesma. Outra excelente atuação é a de Ryan Gosling, que após Drive, firma-se de vez como astro de ação sem apelar ao estilo brucutu.

O ponto fraco do longa é o roteiro, basicão e esquemático demais. Ele segue a fórmula muito ao pé da letra, sendo fácil perceber o que vai acontecer na tela. Se não fosse pelo elenco inspirado, talvez o resultado final fosse um pouco decepcionante.

Mas o filme cumpre o que promete, e termina como uma interessante história de caça aos mafiosos. Embora de certa forma previsível, o elenco segura a onda e faz com que nos importemos com os personagens. E as cenas de ação eficientes e habilidosamente violentas mostram-se reflexo da releitura atualizada de um gênero hollywoodiano por excelência. É bom saber que os grandes estúdios ainda sabem como caçar um gângster.



Compartilhe este Post

Posts Relacionados



Inscreva-se no Canal

Resenhas Populares

Rogue One: Uma História de Star Wars

Rogue One: Uma História de Star Wars

It: A Coisa

It: A Coisa

Planeta dos Macacos: A Guerra

Planeta dos Macacos: A Guerra

Animais Fantásticos e Onde Habitam

Animais Fantásticos e Onde Habitam

Raw

Raw

Siga no Bloglovin’

Follow

Vem Com a Gente

Curta e Compartilhe

Aperte o Play

Nível Épico em Imagens