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João & Maria: Caçadores de Bruxas

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João & Maria: Caçadores de Bruxas

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João & Maria: Caçadores de Bruxas

Os contos de fadas são histórias a serem contadas e recontadas ao longo do tempo, e sempre podem ganhar novas nuances. Antigamente, tinham os adultos como principal público-alvo, sendo associado à literatura infantil somente por volta dos séculos XIX e XX. Atualmente, estamos vivenciando uma onda de versões alternativas para os contos de fadas clássicos, vide a ótima série Once Upon a Time, ou o legalzinho filme Irmãos Grimm, ou o péssimo A Garota da Capa Vermelha, ou o interessante Branca de Neve e o Caçador, ou o vindouro Jack – O Matador de Gigantes.

Algumas adaptações permanecem fieis ao conto original, outras buscam sua própria identidade. João & Maria: Caçadores de Bruxas (Hansel & Gretel: Witch Hunters, EUA, 2013) é um desses casos que reconta um conto conhecido sob nova identidade. E nessa busca, o filme acerta em cheio por contar uma história de fantasia e terror da forma como uma história de fantasia e terror DEVE SER CONTADA, com ação, humor ácido e sanguinolência!

Aliás, convém mencionar que aqui no Brasil — e só aqui no Brasil — o filme conseguiu o direito de usar o nome João & Maria: Caçadores de Bruxas, o que deve facilitar a identificação do público com o conto de fadas às avessas em questão.

A história se passa 15 anos após os irmãos terem fugido da casa de doces da bruxa que tentou devorá-los. João (Jeremy Renner, como Hansel na versão original) e Maria (Gemma Arterton, como Gretel) tornaram-se caçadores de recompensas especializados em destruir criaturas sobrenaturais, dando um seguimento aos fatos do clássico conto de fadas dos Irmãos Grimm.

A ideia de apresentar as consequências da história de João e Maria tornando-se caçadores de bruxas é uma progressão bem lógica ao trauma que sofreram na infância. A história é apresentada sem rodeios, de forma ágil e precisa, com elementos adicionados especialmente para essa nova versão de João e Maria — e esses elementos mostram-se consideravelmente interessantes justamente por estabelecerem João e Maria como caçadores superiores a caçadores comuns em muitos aspectos.

Naturalmente, quanto mais poderosos são os caçadores, mais poderosas são as bruxas que eles precisam enfrentar — é a lei do saquinho de XP (rs). Quando João e Maria chegam numa cidade, contratados para encontrar doze crianças desaparecidas, eles se deparam com uma bruxa mais forte do que imaginavam, a perigosa Muriel (Famke Janssen, com beleza e porte que impressionam cada vez que aparece).

Muriel lidera um trio de bruxas, mas muitas outras aparecem ao longo da história. E as bruxas são tão variadas que fogem aos estereótipos comumente usados em filmes sobre bruxas. Aqui, as bruxas são como mutantes, grandes, pequenas, com vários membros, com membros faltando, e até gêmeas siamesas (coladas pelas costas) — até certo ponto, são tão diferentes e excêntricas que lembram as bruxas do anime/mangá Soul Eater. E as bruxas são tão feiosas que o 3D as torna ainda mais bizarras.

O 3D, aliás, colabora bastante na combinação sangue, bruxas, mortes criativas e efeitos especiais — é sangue espirrando e partes do corpo voando pra fora da tela nos melhores momentos, tudo bem sincronizado dentro da história, nada forçado.

A grande sacada de João & Maria: Caçadores de Bruxas é se assumir como um filme B de fantasia/terror com efeitos especiais mais arrojados e bastante ação, cortesia do diretor Tommy Wirkola, estreando no cinema norte-americano, e conhecido pelos nazistas zumbis do filme norueguês Zumbis na Neve. Aqui, não temos outro filme bonitinho e levezinho para o público mais jovenzinho — típico dos filmes de fantasia/terror de hoje em dia. Wirkola abraça o período e cenário de fantasia de seu conto de fadas ao invés de presunçosamente zombar disso, como muitos filmes do gênero costumam fazer. Ainda é um filme sobre bruxas voando em vassouras, trolls feiosos, magia disparada por varinhas e casas de doces em bosques escuros, mas de alguma forma, o diretor conseguiu interpretá-lo numa versão para maiores, com corpos explodindo, crânios esmagados, decapitações e até nudez. Pudor zero.

A violência hardcore no melhor estilo filme B trasheira é pontual, estilizada, e aparece adequada à proposta da história. O filme é tão empenhado em resgatar um pouco dessa essência de filme gore tão rara atualmente, que não poupa ironia aos filmes de fantasia/terror bonitinhos e levezinhos — espera só até descobrir o nome do troll… É pra rir alto!

As performances dos atores impõem ainda mais respeito à trama. Jeremy Renner continua sua jornada de crescimento em papéis de heróis de ação, enquanto Gemma Arterton transmite a força feminina necessária para uma personagem que é tanto líder na dupla quanto irmã que precisa da proteção do irmão. A dinâmica entre os dois irmãos, assim como a relação deles com seu passado, é desenvolvida de forma sucinta e providencial — é simples: matar bruxas, contar história, matar mais bruxas. Além disso, é divertido ver como João é todo cheio de frescura e não-me-toque, enquanto Maria não tem vergonha de sujar as mãos e é bastante desbocada — o João até fala palavrões, mas a Maria se supera, chega a ser engraçado. E pra constar, a Gemma Arterton é uma linda!

João & Maria: Caçadores de Bruxas consegue fazer sua versão do conto de forma rápida e violenta como um filme de fantasia e terror deve ser — e ainda consegue ser caoticamente divertido. A trama tem algumas reviravoltas simples e até previsíveis, mas nada que atrapalhe. Os combates entre João e Maria e as bruxas são mais impressionantes do que se podia esperar. De fato, o resultado final é uma surpresa, quase doce — se o doce aqui não viesse acompanhado de bruxas horrendas. Com tanta porradaria, sangue, palavrões e gostosas, essa certamente não é uma história comum de João e Maria para crianças. Pelo contrário, se aproxima mais do verdadeiro conceito por trás dos contos de fadas de antigamente, quando as histórias eram direcionadas aos adultos, e as coisas eram mais decadentes, violentas e sombrias.



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