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O Último Desafio

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Arnold Schwarzenegger está de volta como protagonista de um filme feito sob medida pra ele. O Último Desafio (The Last Stand, EUA, 2013) não é um filme grandioso, mas a chave de seu sucesso é bastante simples: o filme é Schwarzenegger do começo ao fim, com todo o heroísmo, a macheza, as bravatas, e o jeitão robótico que o grandalhão inspira. Além disso, o diretor Kim Jee-Woon e os roteiristas Andrew Knauer, Jeffrey Nachmanoff e George Nolfi se apegam ao básico para a construção desse tipo de entretenimento galhofa e extremamente divertido. Eles não tentam inventar a roda, simplesmente criam um produto de puro entretenimento sem se preocuparem com profundidade de história ou interpretações ou qualquer coisa.

A trama é centrada no Xerife Owens (Arnold Schwarzenegger, que não atua como personagem principal num filme desde 2003), um homem que leva uma vida pacata numa cidade de fronteira chamada Sommerton, aposentado depois de uma operação mal-sucedida na polícia. Após a fuga espetacular de um prisioneiro do FBI, um dos mais perigosos traficantes do hemisfério norte avança em direção à fronteira num carro especialmente tunado, com um refém e um exército feroz de comparsas liderados por Burrell (Peter Stormare, que é o sinônimo de “a porra ficou séria!” quando aparece em qualquer filme).

Na pequena cidade interiorana, o FBI terá sua última oportunidade para capturar o fugitivo, mas quem assume a responsabilidade em meio a uma verdadeira guerra é o xerife aposentado e seus delegados-nomeados-pelo-momento-de-desespero: Sarah (Jaimie Alexander, aquela gostosa espetacular que faz a Sif em Thor), Lewis (Johnny Knoxville, o Homem-Jackass, algo que é bem explorado no filme), Mike (Luis Guzmán, impagável), e Frank (Rodrigo Santoro, atacando de badass pegador da Jaimie, e se dando muito bem por isso, e ainda ganhando espaço como herói de ação).

Tudo é simples assim. O Último Desafio não tenta ser maior do que é, o que resulta num filme de orçamento mediano no estilo de filme B de ação dos anos 80. O enredo basicão é preenchido com sequências de ações inventivas, heróis e vilões cheios de nuances, sendo que os vilões conseguem ser devidamente desagradáveis, enquanto os mocinhos mostram-se devidamente destemidos — e fodões! O filme começa, e nos primeiros quinze minutos, você já sabe exatamente o que esperar dele — e o que levar a sério. Mais do que isso, O Último Desafio explora com esperteza o desafio (perdão pelo trocadilho) de re-apresentar Arnold Schwarzenegger como protagonista de filmes de ação, inclusive brincando com o fato de o ator estar velho e ainda mais travado do que nunca no que diz respeito a se expressar. E mesmo com toda a sua limitação, Schwarza aparece mais badass do que nunca! Quem precisa de expressão facial depois de um tiro bem dado na cara de um vilão seguido de uma bravata espetaculosa… Eu sou o Xerife! PORRA! \o/

Pra ficar ainda mais legal, o filme é recheado de referências aos trabalhos que fizeram o sucesso da carreira cinematográfica do Schwarzenegger, com diálogos com piadas no estilo O Exterminador do Futuro, ou ainda a imagem sensacional de Luis Guzmán empunhando a espada do Conan.

Claro que o Schwarzenegger não é mais aquele garotão sarado de outrora e não está no auge da sua forma aqui, mas o que poderia ser uma fraqueza é tão bem trabalhado que se torna um mérito do filme e de seus realizadores — por saberem como lidar com suas próprias limitações. Pra dar mais suporte ao ator veterano, os atores mais novos recebem boas doses de atenção e bons momentos para brilharem. Schwarzenegger aparece em situações de combate mais lentas, atravessando janelas, subindo escadas ou disparando armas enquanto parado. A agitação é espalhada pelo frenesi da câmera ao redor dos mais novos — e consequentemente, mais ágeis. Isso torna a figura do xerife de Schwarzenegger ainda mais imponente. E isso é um puta ponto positivo!

E como um típico filme do Schwarza, as sequências de ação, especialmente na metade final, não deixam a desejar, cheias de violência espalhafatosa e mortes coloridas — o Rambo deve ter ficado com inveja! O Último Desafio até poderia aprofundar um pouco em questões sobre a guerra norte-americana contra os cartéis de drogas mexicanos, ou mesmo questões relativas ao porte indiscriminado de armas, mas, há de se convir que, em momento algum, o filme mostra a pretensão de ser mais politizado do que seu caráter de ação pura e simples permite. De fato, a história é conduzida com certo grau de desprendimento, ao invés de assumir um tom mais sombrio, como vem se tornando comum em filmes atuais do gênero. Tudo aqui é bastante iluminado e colorido, tanto quanto o sangue derramado por computação gráfica é vermelho e vívido. Até as mulheres, sempre gloriosamente iluminadas (e vitaminadas) em filmes como esse, são colocadas em meio a ação sem tanto apelo sexual (apesar de eu ainda achar a Jaimie Alexander uma tremenda gostosa!); aqui, as mulheres não são mocinhas indefesas a serem salvas pelos mocinhos, elas são mocinhas com bala na agulha pra salvarem os mocinhos! Até as idosas! Pasmem!

O Último Desafio é de fato um retorno triunfal à velha forma de um homem — um mito! — que uma vez esteve no topo de um gênero que muitas vezes parece à beira da extinção. Com um trabalho simples e direto, o filme atinge seu alvo em cheio com um revólver do mais grosso calibre, e mostra que aderir aos princípios básicos do filme B de ação (enredo simples, cenas criativas, tensão real e personagens fortes) é mais do que uma fórmula bem-sucedida — é uma promessa de divertimento garantido! Se pode servir como teste para um retorno definitivo de Arnold Schwarzenegger aos filmes de ação, por favor, que seja. Tá aprovado com louvor!



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