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Sinal e Ruído

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Somos todos sobreviventes do Apocalipse Maia. E se você tem mais de 13 anos, sobreviveu ao Apocalipse do fim do Milênio. E todos na História sobreviveram a algum fim do mundo com data marcada, para depois encarar algo muito mais assustador e inevitável: a própria morte! A consciência da finitude da vida sempre atormentou a humanidade, mas de certa forma tentamos evitar tal pensamento. A não ser os que se descobrem portadores de uma doença terminal, quando qualquer pequeno gesto ganha um senso de urgência. Em seus momentos finais, o que vale a pena fazer ou deixar de fazer? Talvez se dedicar a um filme que nunca será feito?

Essa é a opção do protagonista de Sinal e Ruído (Signal to Noise, Reino Unido, 1ª ed. 1989, 2ª ed. revista e ampliada, 2007), da dupla britânica Neil Gaiman e Dave McKean. Nela, um diretor de cinema recluso que se descobre com câncer resolve dedicar seus últimos meses de vida à escrita do roteiro de seu último filme, cuja trama é ambientada em um vilarejo europeu, no último dia do ano de 999, que aguarda a virada do ano para que o Apocalipse comece.

Logo no início, o diretor fala em uma entrevista que seus filmes nunca ficam tão bons quanto os imagina dentro de sua cabeça. O último roteiro então serviria para que ele possa ‘‘ver’’ sua última obra, ainda que mais ninguém possa assisti-la. E mais, ao escrever ele dá a oportunidade de seus personagens ganharem o mundo e adquirirem vida própria (e cada um que já escreveu sabe o quanto isso é verdadeiro).

O roteiro de Gaiman é bastante complexo, mas não no sentido de ser ininteligível ou hermético. Pelo contrário, é simples acompanhar a trama principal. Acontece que ele dá vazão a diversos tipos de reflexões como a proximidade da morte, a necessidade de imaginar o fim dos tempos, a solidão, o que motiva um artista e um longo etc. O próprio título serve como metáfora sobre a dificuldade de se encontrar o que é realmente importante no meio de tanta confusão e distrações durante a vida. Quem conhece o autor de Sandman e Deuses Americanos sabe como ele é bom com as palavras e em se utilizar de recursos narrativos para fazer camadas de comentários e reflexões dos mais diversos. Além de tudo, o roteiro traz dores e inseguranças comuns a todos nós, ajudando a criar uma identificação com a situação vivida pelo personagem principal.

Além de tudo, possibilita que Dave McKean possa dar um verdadeiro show de arte sequencial. Ele se utiliza as mais diversas técnicas: desenho, pintura, fotografia (inclusive de imagens de TV), às vezes todas elas na mesma página, para contar a história. O artista diagrama as páginas numa grade de 16 quadros, o que é pouco usual em HQ, mas funciona perfeitamente para ditar o ritmo mais lento e reflexivo exigido pelo roteiro (e lento aqui não é nem um pouco tedioso). De vez em quando, temos uma página dupla ou splash page (página de um único quadro, geralmente com uma imagem impactante), sempre bem usadas. As páginas dos Cavaleiros do Apocalipse, por exemplo, são absolutamente épicas!

A dupla de autores estava realmente inspirada quando realizou esta obra em quadrinhos, que merece ser lida e relida várias vezes. É um trabalho realmente marcante, incapaz de deixar o leitor indiferente, conseguindo aliar com rara precisão profundidade filosófica, experimentalismo e emoções humanas capazes de tocar a qualquer um. Mais do que a simples leitura, a experiência Sinal e Ruído é muito recomendada!

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