Filmes

Person of Interest – Primeira Temporada

Nível Épico

Person of Interest Primeira Temporada

Person of Interest Primeira Temporada

Person of Interest Primeira Temporada

Person of Interest Primeira Temporada

Jim Caviezel é um dos atores de maior sucesso da atualidade, e um dos mais talentosos também. É o tipo de homem que inspira confiança e respeito — pra quem você olha e imediatamente se sente seguro. Porra, o cara já foi Edmond Dantes. ELE JÁ FOI JESUS! Isso antes de ter cabelo branco. Mas agora ele impõe ainda mais respeito com aqueles fiapos grisalhos na cabeça, aquele olhar mais penetrante que facas, aquela voz sussurrante de dar medo, e aquele terno — putaquepariu, o terno! O cara agora é o Mr. Reese. E isso sim é impor respeito!

Person of Interest (EUA, 2011) é uma série de suspense e conspiração produzida por J.J. Abrams e criada por ninguém menos que Jonathan Nolan — irmão de Christopher Nolan e responsável por roteiros memoráveis como Amnésia (sem trocadilho) e Batman: O Cavaleiro das Trevas. A marca de Nolan se faz presente no roteiro desde o primeiro episódio, e à medida que a história evolui, ganha ainda mais nuances além dos teores de suspense e conspiração. A série tem ação, drama policial, doses sagazes de humor e, pra completar, é uma puta história de gângsters!

Dentre os grandes méritos da série, estão seus protagonistas: o supracitado Jim Caviezel, que atua como o misterioso vigilante John Reese; e o sempre sensacional Michael Emerson (o Benjamin Linus de Lost), que aparece como o igualmente soturno (e bilionário) Harold Finch, o homem que contrata Reese para um serviço dos mais inusitados. Reese é um ex-agente da CIA que trabalhava em operações obscuras de espionagem e assassinato, mas foi dado como morto e desapareceu do radar.

Na verdade, Reese vive como um mendigo pelas ruas na tentativa de pagar pelos pecados que cometeu no passado. Até ser abordado e contratado por Finch para a importante missão de prevenir crimes em Nova York antes que eles aconteçam. Para tanto, Finch possui uma máquina misteriosa que ele criou para o governo e que é capaz de analisar e prever potenciais crimes através do número do seguro social (que é mais ou menos equivalente ao CPF aqui do Brasil) das pessoas envolvidas no acontecimento — as Pessoas de Interesse. Assombrado pelos crimes considerados irrelevantes pelo governo, Finch usa a máquina para impedir que crimes mais ordinários ocorram, e Reese entra como o braço forte para pôr em prática esse propósito.

O senso de realidade ajuda a tornar esses personagens mais críveis. Finch, apesar de todo o mistério ao redor dele, não é um daqueles hackers quase sobrenaturais e todo-poderosos que podem fazer tudo com um computador na mão. Ele é um tremendo hacker, mas tem limitações para acessar as informações de que precisa e, inclusive, precisa lidar com invasões e ataques de hackers mais habilidosos do que ele. Por outro lado, Reese parece usar táticas militares reais em suas missões de prevenção de crimes. É visível a preocupação com a caracterização dos personagens, de modo que possamos nos identificar com suas motivações e entendê-los.

Ao longo do caminho, os dois ainda precisam lidar com outros dois jogadores em sua equipe: o detetive Lionel Fusco (Kevin Chapman) e a detetive Joss Carter (Taraji P. Henson), que começam a história como antagonistas de Reese e Finch, mas com o desenrolar da trama acabam se tornando contatos providenciais dentro da polícia, assim como apoio tático para as ações de Reese.

Carter é uma personagem que se mostra interessante logo no início, com sua obsessão por capturar o misterioso Homem de Terno, o vigilante que vem prendendo bandidos e salvando pessoas pela cidade — é engraçado como em todo o caso que ela pega alguém vem lhe falar sobre um homem alto e de cabelos pretos ajudando pessoas, e ela sempre retruca perguntando “Me deixa adivinhar, um homem de terno?!” Carter é uma personagem que se desenvolve aos poucos, e que ganha ainda mais destaque à medida que seu caminho cruza com o de Reese, e seus conceitos sobre justiça e corrupção começam a mudar. Já o corrupto detetive Fusco é um personagem que tinha tudo para ser mal-explorado, mas começa devagar e cresce absurdamente junto com a história. É o tipo de personagem feito pra você repugnar; mas Fusco, aos poucos, vai mudando e aprende o valor de ser um policial honesto, ainda que precise estar em meio à corrupção. A forma como Fusco se redime de seus pecados torna o personagem mais carismático do que se podia esperar — e quando ele leva um tiro na bunda pra salvar um menino, pronto, você começa a torcer por ele, e não para mais. Quando Carter e Fusco se juntam, a porra fica séria!

Porém, nem tudo é preto e branco nessa história, pois a máquina identifica os números das pessoas envolvidas no crime, mas não determina quem é criminoso e quem é vítima. Isso é um dos conceitos mais FODAS da série, porque Finch e Reese precisam descobrir TUDO sobre o crime, inclusive quem é criminoso e quem é vítima — e muitas vezes, são enganados por essa incógnita e por seu julgamento errôneo. A premissa da série trabalha muito bem a ideia de que não podemos julgar um livro pela capa, pois nunca sabemos quem é lobo em pele de cordeiro; ou seja, nem sempre um bandido tem cara de bandido, e nem sempre a vítima é tão vítima assim — o mundo é muito mais do que 1 e 0 estipulado por uma máquina. Não é fácil lidar com isso… Mr. Reese que o diga! Ele sofre pra desvendar os casos, mas também faz muito bandido safado sofrer — ele é MUITO badass!

Durante toda a série, vemos e ouvimos a vida nas ruas de Nova York por meio de câmeras de vigilância e dispositivos de escuta. Milhares de pessoas sem rosto caminham pelas calçadas, ou falam em telefones celulares, e muito das informações coletadas e armazenadas em bancos e caixas de computadores vem dessa vigilância cotidiana que as pessoas sequer percebem que existe. É através desse artifício que Finch obtém as informações necessárias para solucionar cada caso cujo número é escolhido pela máquina. A vida cotidiana não tem qualquer privacidade em Person of Interest, o que surge na tela como mais um reforço para a premissa orwelliana de 1984 na qual a realidade do século 21 é a realidade do Big Brother. Você está sendo vigiado, o tempo todo!

Como toda a série de 23 episódios por temporada, a história tem altos e baixos, com episódios mais legais do que outros. Mas, no geral, a série se mantém nas alturas durante toda a temporada, especialmente depois do episódio 07 (Witness), quando a trama sofre uma grande virada e ganha proporções realmente interessantes — proporções que ficam ainda mais claras no episódio 09 (Get Carter), quando Reese tenta proteger a Detetive Carter sem se aproximar efetivamente dela, e ainda descobrimos que a máquina pode ter mais variáveis em suas previsões do que imaginávamos, porque nem sempre é possível prever as inconsistências comuns ao comportamento humano.

No episódio 07, aliás, ainda temos um easter egg divertido quando Reese se esconde no apartamento de um garoto que está lendo O Conde de Monte Cristo e o garoto menciona que não concorda com algumas ideias de Edmond Dantes — a cara que Reese faz torna o momento hilário, uma ótima referência ao fato de que Jim Caviezel interpretou Edmond Dantes no filme O Conde de Monte Cristo.

A partir do episódio 09, a série transcorre num crescendo sensacional até culminar no final épico da temporada (Firewall) — um final que coloca Mr. Reese preso num prédio no melhor estilo Assalto a 13º DP com The Raid Redemption. E nesse final ainda temos a participação especialíssima de Amy Acker, aquela linda que fazia a Winifred da série Angel e por quem sou apaixonado até hoje!

Além dos supracitados 07, 09 e 23, a maioria dos episódios da temporada desenvolve a história sobre o passado de Reese e a conturbada relação do ex-agente com Finch, ao mesmo tempo em que explora os motivos que levaram os dois até aquele ponto da vida no qual ambos decidiram se torna combatentes do crime. O episódio 06 (The Fix) introduz uma personagem importante (e deveras gostosa!) para acontecimentos futuros da série: Zoe Morgan (Paige Turco, que foi a April O’Neil no filme As Tartarugas Ninjas 2: O Segredo do Ooze, sim, é ela!). Outros dois episódios são especialmente dignos de nota: o episódio 14 (Wolf and Cub), no qual o garoto Darren define Reese como um Ronin, um samurai que perdeu a honra e vaga ajudando as pessoas na tentativa de recuperá-la — é uma definição FODA para o personagem, e um episódio que capta bem a essência do Homem de Terno; e também o episódio 17 (Baby Blue), no qual Reese e Finch precisam proteger uma menininha linda recém-nascida e se envolvem nas situações mais engraçadas e bizarras para tomar conta dela enquanto tentam protegê-la.

O episódio 17, apesar do caráter mais cômico, é um dos mais fodas porque também oferece uma visão verdadeira da relação entre Reese e o grande vilão da série, Elias. Por causa da menina, Reese precisa abstrair seus códigos e negociar com Elias, que não é um homem realmente confiável. Aqui é quando vemos Reese como a representação da ordem e Elias como a representação do caos, e é quando fica claro que um completa o outro — da mesma forma que o Batman e o Coringa se completam e, por isso mesmo, nunca se matam. Person of Interest lembra um pouco o filme Batman: O Cavaleiro das Trevas nesses aspectos — o que faz pleno sentido.

Na verdade, a história é um pouco decorada com esse elemento de super-herói, especialmente considerando que acompanhamos uma equipe de vigilantes enquanto combatem o crime e acumulam sua própria galeria de vilões (ou melhor, super-vilões) — o super-mafioso chamado Elias, o super-agente da CIA chamada Snow, a super-hacker chamada Root.

Person of Interest faz jus à sua titulação ao despertar o interesse sobre as pessoas, ao mesmo tempo em que trabalha sutilmente o conceito do herói. Porque cada pessoa é única; cada pessoa tem uma história própria que pode levá-la a um caminho em que seja herói, vítima ou vilão. Por outro lado, todos, eventualmente, sonhamos com um herói que venha nos resgatar de situações difíceis. Quando o mundo está desabando, e nos vemos sem esperança, é quando enfrentamos nossos maiores medos e inimigos que buscamos por aquela pessoa de interesse que vai nos ajudar a lidar com nossos problemas. Alguém capaz de resolver a situação, e nos dar esperança. Muitas vezes torcemos para que um homem com uma máscara apareça e salve nosso dia. Talvez, um homem com um terno.

Compartilhe este Post

Posts Relacionados



  • John reese

    camarada onde que tem na série algum hacker mais habilidoso do que o finch ?

    • http://www.nivelepico.com/ Alan Barcelos

      No final dessa primeira temporada, Finch tem alguns problemas quando aparece a Root (Amy Acker), que pelo menos nessa introdução da personagem na série, se mostra habilidosa para enganar ele.

  • Fernanda Mirela

    PoI mexeu muito comigo! Estou com dificuldades de tirar esta série da cabeça! Ainda não consigo assistir outra série. Chorei, vibrei… enfim me emocionei com está incrível interação homemxmáquina.

Resenhas Populares

Rogue One: Uma História de Star Wars

Rogue One: Uma História de Star Wars

Animais Fantásticos e Onde Habitam

Animais Fantásticos e Onde Habitam

Raw

Raw

Capitão Fantástico

Capitão Fantástico

O Homem nas Trevas

O Homem nas Trevas

Nível Épico em Imagens

Google Plus

Facebook

SoundCloud