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O Hobbit: Uma Jornada Inesperada

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O Hobbit: Uma Jornada Inesperada

Até hoje consigo me lembrar da sensação que tive ao ver O Senhor dos Anéis pela primeira vez. Era um misto de expectativa e exaltação apaixonada por causa do peso que a obra criada por J.R.R. Tolkien sempre teve. O Senhor dos Anéis transpôs com eficiência louvável o universo dos livros para as telas, e colocou o diretor Peter Jackson no rol dos grandes nomes do cinema.

Mas, nos livros, antes de O Senhor dos Anéis, existia O Hobbit, escrito 17 anos antes e que contava as aventuras do hobbit Bilbo Bolseiro quando era mais novo. A primeira trilogia cinematográfica foi arrebatadora, mas nós queríamos mais, e ainda havia muita historia a ser contada. Jackson também pensava assim; o mundo vasto da Terra-Média ainda tinha muitos recantos intocados. Peter Jackson continua a desbravá-los com a mesma habilidade e paixão da antes. Acima de tudo, o faz sem esquecer das velhas emoções que a Terra-Média sempre carrega consigo.

O Hobbit: Uma Jornada Inesperada (The Hobbit: An Unexpected Journey, EUA, 2012) trouxe todas aquelas sensações de quase uma década atrás de volta, com força. Por Eru, como é bom estar de volta à Terra-Média!

E como é bom voltar na companhia de, olha só, uma Companhia: o corajoso grupo liderado pelo anão Thorin Escudo-de-Carvalho, filho de Thráin, filho de Thrór (o título mais repetido da Terra-Média, impressionante!), e composta por outros doze anões divertidos pra caramba. Não me lembro de ver anões tão legais desde, bem, o Gimli — e detalhe, o pai do Gimli, Glóin, faz parte desse grupo, e aceitaria facilmente ser insultado em troca de comida (rs).

Também estão na Companhia nosso velho e conhecido e querido Gandalf, o Cinzento, e um Hobbit. O HOBBIT. Bilbo Bolseiro.

O Hobbit acontece na Terra-média, cerca de 60 anos antes de O Senhor dos Anéis. A história acompanha a jornada de Bilbo Bolseiro (Martin Freeman), que é levado a uma jornada épica para recuperar o perdido Reino Anão de Erebor do temível dragão Smaug. Junto com o mago Gandalf, o Cinzento (Ian McKellen), Bilbo une-se a um grupo de anões liderados pelo orgulhoso Thorin Escudo-de-Carvalho (Richard Armitage) numa viagem por terras traiçoeiras e cheias de criaturas perigosas.

Embora seu objetivo seja o Oriente e as terras da Montanha Solitária, primeiro eles precisam fugir dos túneis dos orcs, onde Bilbo encontra a criatura que vai mudar sua vida para sempre — Gollum (Andy Serkis). Neste lugar claustrofóbico e escuro, a sós com Gollum às margens de um lago subterrâneo, o despretensioso Bilbo Bolseiro não só descobrirá a astúcia e a coragem como também conseguirá o anel “precioso” que pode mudar o destino da Terra Média — o Um Anel.

A grande realidade sobre O Hobbit é que o filme é feito de fã para fã, e são provavelmente os fãs (eu incluso) que mais vão se emocionar ao reconhecer as conexões com O Senhor dos Anéis, como quando Gandalf entrega a Ferroada para Bilbo e lhe dá o mesmo conselho sobre compaixão que mais tarde daria a Frodo, ou quando Bilbo cai e o Um Anel voa sobre seu dedo pela primeira vez numa cena semelhante a que Frodo põe o anel pela primeira vez, ou quando conhecemos os tão falados trolls que o Bilbo enfrentou e que aparecem somente na versão estendida de O Senhor dos Anéis. Fora o fato de que O Hobbit se assume invariavelmente como uma prequência ao tocar em temas sobre as origens de alguns elementos que conduzem os acontecimentos de O Senhor dos Anéis.

Aqui, começa a ser apresentada com um pouco mais de detalhes a história dos Istari, os magos como Gandalf e Saruman, que são na verdade Maiar, entidades angelicais enviadas para a Terra-Média com o objetivo de proteger os povos da ameaça de Sauron. São cinco Istari, e temos inclusive menção aos dois magos azuis (os nomes que Gandalf malandramente esquece são Alatar e Pallando), e a aparição ilustre de Radagast, o Castanho (Sylvester McCoy), que devia ter aparecido em O Senhor dos Anéis, mas não apareceu. Radagast tem breves momentos no filme, mas a participação desse autêntico druida (com um ninho de pássaros no cabelo, what?!) é pra lá de engraçada — e o que é aquele trenó de coelhos! Foda!

O mago castanho também é responsável por outra conexão importante com a historia de O Senhor dos Anéis: o princípio do retorno de Sauron. O Hobbit aprofunda a história do grande antagonista da Guerra do Anel, que antes era conhecido como Necromante, enquanto permanecia escondido na fortaleza abandonada de Dol Guldur, antigo refúgio do vilão antes de Mordor. Talvez nos próximos filmes, tenhamos ainda mais detalhes sobre Sauron, sobre como ele, também um Maia que deveria zelar pela Terra-Média, caiu nas sombras por causa de suas ambições e sua sede de poder.

Nesse sentido de contar histórias, O Hobbit segue quase que fielmente o livro no qual é inspirado, ao ponto de algumas cenas (como as adivinhas no escuro, por exemplo) serem representações perfeitas das cenas do livro. O filme, que engloba os seis primeiros capítulos do livro, até nos oferece dicas do ponto da história que estamos acompanhando — quando você escuta o Gandalf falando que “eles saíram da frigideira para o fogo” você sabe que está no começo do sexto capítulo (que no livro chama-se Da Frigideira para o Fogo). Mais do que isso, Peter Jackson deixa clara sua intenção de expandir da melhor possível o Universo Tolkieniano no cinema ao inserir elementos inspirados noutros livros, como os apêndices de O Retorno do Rei e do Silmarillion.

O ritmo do filme é lento e só ganha velocidade efetiva do meio para o final. O ritmo do começo, no entanto, é mais agradável de acompanhar do que foi em A Sociedade do Anel — com o qual Uma Jornada Inesperada possui muitas semelhanças. O motivo é simples: os anões. No começo de A Sociedade do Anel tínhamos mais historinha sobre hobbits e o Condado e suas vidinhas monótonas; aqui, o começo é conduzido pelos anões e por toda sua hilária truculência, e eles são tão agitados que ficamos agitados também.

Os efeitos visuais surgem ainda melhores do que os efeitos dos filmes anteriores. Há inclusive uma certa unidade entre os efeitos especiais de antes e os de agora, que criam a sensação de proximidade entre O Hobbit e O Senhor dos Anéis; a cena dos anões na caverna dos orcs, por exemplo, lembra bastante a cena da Sociedade do Anel nas Minas de Moria — e como é foda ver Gandalf e os anões chutando a bunda dos orcs!

Agora, o destaque em termos de efeitos fica para o Gollum, que aparece MELHOR do que antes. O olhar e as expressões dele são articulados com uma naturalidade exagerada divertida. Impressionante como a criatura mais bizarra de toda a saga consegue ser também a mais carismática.

Por fim, o grande protagonista da história faz jus a posição. Bilbo Bolseiro é a representação máxima daquilo que Tolkien concebeu quando escreveu O Hobbit; é o herói de uma genuína saga de fantasia, que precisa fugir do lugar comum e de seus receios infantis para alcançar as responsabilidades de uma aventura através dos caminhos mais amadurecidos (e talvez endurecidos como carvalho) da vida. Bilbo é o personagem que cativa por sua singeleza inocente e por sua coragem despretensiosa mesmo com seu tamanho diminuto. É o personagem que inspira os valores de comprometimento e amizade que sempre foram pregados em O Senhor dos Anéis, e que só um hobbit é capaz de expressar em toda a sua excelência. Bilbo nos mostra que grandes feitos também surgem de pequenas coisas. Ele é o herói que nos faz ter vontade de sair correndo por paisagens verdejantes com um pedaço de papel sacudindo na mão e gritando — ”estou indo numa aventura!”

Pra nossa sorte, a aventura está apenas começando!

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