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In Peter Jackson, We Trust!

In Peter Jackson, We Trust

Foi razoavelmente uma surpresa saber que Peter Jackson transformaria O Hobbit numa trilogia. Na época do anúncio, bateu um receio leve de que a história pudesse se estender demais e, talvez, terminar como algo chato. Mas, logo depois, veio a mente que Peter Jackson é o cara que tornou O Senhor dos Anéis um sonho possível nas telas do cinema — e eu lembro bem que, na época que A Sociedade do Anel estava sendo produzido, muita gente também duvidava que o diretor fosse capaz de transformar o material dos livros em filme.

No fim, O Senhor dos Anéis estreou no cinema em 2001 e concluiu em 2003, e até hoje é uma das trilogias mais adoradas da história do cinema. Muitos dos que conheciam os livros aprovaram, e muitos dos que não conheciam passaram a conhecer só por causa desses três filmes. Mais do que isso, Peter Jackson conseguiu transpor para as telas as partes mais relevantes da história — afinal, quem leu os livros sabe como algumas partes da história podem ser chatas.

Então, por que diabos Peter Jackson não seria capaz de fazer uma boa trilogia com O Hobbit?

Nós aqui do Nível Épico estamos empolgados como criancinhas que acabaram de ganhar um doce com TODAS as fantásticas possibilidades de O Hobbit — e não, ninguém aqui acha que vai sair decepcionado do cinema.

Mas, curiosamente, não é todo mundo que partilha dessa crença. Muitos ainda estão realmente céticos em relação a ideia de ter uma trilogia baseado no livro O Hobbit, uma vez que se trata de um único livro, não tão grande e que facilmente se fecharia num único filme. Não posso dizer de verdade por que os céticos estão céticos, muitas podem ser as razões. O fato é que Peter Jackson provavelmente vai passar os próximos três anos tentando justificar para o mundo porque decidiu fazer uma trilogia com O Hobbit, pra, no fim, provavelmente voltar a ser ovacionado como um Eru Ilúvatar, da mesma forma que aconteceu na época de O Senhor dos Anéis.

Para mim, é razoavelmente fácil aceitar que uma trilogia é possível porque Tolkien tinha muito — MUITO! — material a ser aproveitado. Além de O Hobbit, é possível que Jackson use elementos do Silmarillion e talvez até de Contos Inacabados, sem contar os extensos Apêndices do livro O Retorno do Rei. Além disso, é certo que o diretor vai trabalhar a trilogia O Hobbit de modo que estabeleça uma ligação evidente com O Senhor dos Anéis. Há de se considerar também que O Hobbit é como se fosse o livro que Bilbo Bolseiro estava escrevendo em O Senhor dos Anéis, enquanto O Silmarillion é uma espécie de relato sobre os fatos históricos que levaram aos eventos de O Senhor dos Anéis. Ou seja, se a trilogia de filmes O Hobbit vai conduzir os eventos em direção à trilogia de O Senhor dos Anéis, não vai ser surpresa se histórias do Silmarillion forem inseridas nos filmes também.

Para Peter Jackson, essa visão histórica da franquia também existe, e ele pensa exatamente nos Apêndices do livro O Retorno do Rei como fonte de material, como explicou numa entrevista recente ao The Hollywood Reporter“O livro é escrito num ritmo muito rápido, por isso eventos muito importantes na história são cobertos em apenas duas ou três páginas. Então, quando você começa a desenvolver as cenas, você quer fazer um pouco mais pelo desenvolvimento dos personagens, além do fato de que nós também podemos adaptar os Apêndices de O Retorno do Rei, que conta com cento e tantas páginas de material de fatos que meio que acontecem na época de O Hobbit, de modo que eu quis expandir a história de O Hobbit um pouco mais, como fez o próprio Tolkien. Então, todos esses fatores combinados nos deram material para fazê-lo”.

Nessa jornada inesperada, Jackson ainda conta com o apoio de elenco que esteve com ele desde começo. Sir Ian McKellen entrou na conversa para reforçar as palavras do amigo diretor — “Quem pensa que Peter Jackson sucumbiria às forças de mercado ao seu redor, em vez da integridade artística, não conhece o cara ou o escopo de seu trabalho. Se nós apenas fizéssemos apenas um filme, O Hobbit, é um fato que todos os fãs, de oito, nove e 10 anos de idade, iriam assisti-lo mil vezes. Agora, eles vão ter três filmes para assistir mil vezes”.

Não há dúvidas disso! Minha criança interior de oito, nove e 10 anos de idade (sim, minha criança interior é inconstante) já está clamando por mais, e não tenha dúvidas de que vou assistir a O Hobbit umas mil vezes, como já fiz com O Senhor dos Anéis (na versão estendida!).

Mas não acabou. Richard Armitage, que interpreta o anão Thorin no filme, completou dizendo que três filmes vão permitir que a história de cada personagem seja desenvolvida de forma mais profunda — “Esses filmes são cheios de pormenores, texturas e camadas com detalhes incríveis. Os personagens anões, por exemplo, no livro de Tolkien, não são tão esboçados; são, na verdade, um grupo ligeiramente amorfo, enquanto que no filme você vai conhecer cada anão de forma única no decorrer desta jornada. Todos eles são peças muito desenvolvidas. Você vai conhecê-los, se importar com eles e ver como eles funcionam no mundo. Isso é bom também porque esses filmes O Hobbit não são um universo à parte. É inteiramente como você viu nos filmes anteriores (O Senhor dos Anéis), temas mais amplos são construídos na mesma textura, e isso permite que cada personagem tenha seus momentos e represente suas partes nestes temas, o que rende certamente três filmes. Condensar isso em dois filmes parece quase impossível”.

A proposta é simples. A lógica é perceptível. Basta ter uma visão do universo de Tolkien como um todo. Não há problema em O Hobbit ser dividido em três filmes. Há apenas solução, a mesma que O Senhor dos Anéis trouxe anos atrás: aquela que concede um pouco de fantasia genuína e pureza de valores para nossas vidas durante pelo menos três anos. Mergulhando nesse prazer ingênuo, não há receio.

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