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Quarto 237: Teorias Loucas Sobre “O Iluminado” – Festival do Rio 2012

Quarto 237 – Teorias Loucas Sobre O Iluminado

Quarto 237 – Teorias Loucas Sobre O Iluminado

Quarto 237 – Teorias Loucas Sobre O Iluminado

Quarto 237 – Teorias Loucas Sobre O Iluminado

Quem nunca saiu de um filme cheio de referências e cenas dúbias tentando imaginar o que o diretor realmente quis dizer com tudo aquilo que acabou de acontecer? Principalmente quando se trata de um filme de alguém como Stanley Kubrick, o rei das referências e mensagens subliminares. O diretor Rodney Ascher, não só pensou em várias teorias e mensagens por trás do filme O Iluminado, como realizou um documentário sobre o assunto. Completamente subjetivo, Quarto 237 – Teorias Loucas Sobre “O Iluminado” (Room 237, EUA, 2012), toma como inspiração a história que Kubrick mudou o número do aterrorizante quarto do Hotel Overlock de 217 para 237 a pedido da administração do hotel onde o filme foi rodado. Eles apenas acreditavam que ninguém mais iria querer ficar naquele quarto depois que o filme fosse lançado. O que faz total sentido. Assim, 217 virou 237, um quarto que não existe. Claro que essa explicação não convenceu Ascher, que passou acreditar que aquela era apenas a ponta do iceberg de algo maior e mais complexo.

Na verdade, O Iluminado já é um filme cercado por controvérsias, partindo do fato que Kubrick mudou muitas partes do livro de Stephen King para montar seu roteiro, mudando inclusive o fim, o que deixou o escritor bem irritado e fez deles inimigos por um bom tempo. Como troco, Kubrick recheou seu filme de mensagens para King, algumas discutidas durante o documentário.

Porém, o documentário se afasta do livro de King e o analisa apenas como obra de Kubrick. O que já é muito, com certeza. Teorias são mostradas e discutidas por Ascher e outros especialistas no filme. Desde estudiosos do cinema a fãs de Kubrick, o filme O Iluminado é desconstruído de inúmeras maneiras, e construído como um documentário divertido que passeia por conspirações, a obsessão de Kubrick pelo Holocausto, o massacre do povo indígena, além de outros pontos tão interessantes quanto esses. Analisando exaustivamente algumas cenas, divagando em cima de erros de continuidade, sobre a construção dos principais personagens, assim como qual o real papel de personagens menores, Quarto 237 é uma divertida conversa não apenas sobre O Iluminado como também sobre a carreira de Kubrick e sobre como o diretor sempre realizava seus filmes deixando mensagens subliminares, que deveriam ser lidas e recebidas por seus fãs mais atentos.

Mesmo completamente diferente do livro, o filme de 1980 guarda as mesmas referências ao massacre do povo indígena, um dos pontos mais discutidos e notados, mesmo pelos mais desatentos. Mas a teoria que mais se sobressai durante o documentário é o fato de que Kubrick tentou, mesmo que subconscientemente, discutir a violência do Holocausto durante a Segunda Guerra Mundial. Claro que em um nível muito sutil, no qual constrói cenas com outras intenções, para lembrar a todos os horrores que aconteceram naquele momento da História Mundial. Sobreposições de imagens, quadros que compõem o cenário e até um janela que parece não ter utilidade tornam-se elementos importantes dentro das mensagens inconscientes que Kubrick deixou em seu filme.

Porém, o ponto alto do documentário acontece quando o próprio Ascher lança a teoria mais louca de todas. Ele acredita que O Iluminado é uma mensagem oculta para os fãs de Kubrick. Sim, o diretor decidiu realizar o filme como uma mensagem secreta para seus fãs, onde ele confessa ser o verdadeiro responsável pelas imagens da chegada do homem a Lua em 1969. Na verdade, aquela é uma super produção dirigida pelo próprio Kubrick, que usou, inclusive, restos de seu 2001, Uma Odisséia no Espaço. Por culpa e por se sentir preso ao governo norte-americano por causa dessa enorme mentira, o diretor decidiu realizar O Iluminado deixando pistas que entregam toda a farsa.

Todas as teorias, por mais absurdas que pareçam, fazem sentido quando cada um desses “teóricos” explica e as mostra através da repetição de imagens de O Iluminado. Infelizmente, algumas dessas ideias se perdem em explicações absurdas, fazendo com que o ritmo da produção caia um pouco, tornando alguns momentos do documentário confusos. Mesmo assim, é uma produção imperdível para os fãs de Kubrick, do filme e para qualquer um que goste de cinema em geral. Uma coisa é muito certa sobre o Quarto 237, ninguém nunca mais verá O Iluminado com os mesmo olhos. Será impossível rever a produção sem tentar procurar todas as referências e mensagens discutidas pelo documentário, mesmo que não concorde.

Quarto 237 – Teorias Loucas Sobre “O Iluminado” (Room 237)

De Rodney Ascher.

Estados Unidos, 2012. 104 minutos.

Mostra Midnight Movies

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