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O Livro do Apocalipse – Festival do Rio 2012

O Livro do Apocalipse

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O Livro do Apocalipse

O Livro do Apocalipse

Filmes em episódios são os mais complicados de analisar. Geralmente a diferença de qualidade entre eles são grandes, ou são os padrões estéticos e estilísticos que variam. Dificilmente apresentam um todo uniforme, e como fazer então para comentar o resultado final? Mas este não é bem o caso de O Livro do Apocalipse (Nryu Myeongmang Bogoseo, Coréia do Sul, 2012), pois embora as diferenças existam, a obra final alcança um nível altíssimo; um caso raro onde não há ponto baixo em momento algum. Em comum temos apenas a premissa: o Apocalipse chegou, e como a humanidade reage diante disso. Mas as abordagens são bem diferentes, com todas elas sendo muito boas e interessantes.

The New Generation é o capítulo inaugural, onde um vírus dá início ao Apocalipse Zumbi. Aqui temos bastante gore, com um subtexto de crítica social advinda dos melhores filmes de terror do gênero. Todo o lixo produzido pela humanidade de certa maneira se volta contra ela, sem preservar amizades, amores, família etc. A referência bíblica aqui vai também para o Gênesis, e quem sabe outro começo é possível.

Seguimos então para Heavens’s Creation, uma ficção científica onde um robô alcança a iluminação e se torna o novo Buda. Este é o episódio de maior profundidade filosófica, e consegue ser mais asimoviano do que qualquer adaptação de Isaac Asimov feita por Hollywood. Aqui o Apocalipse é visto não como o fim do mundo, mas como a Revelação, o retorno do Messias, e do comportamento humano em torno dele. Para os monges, o robô é o novo Buda. Para os fabricantes, apenas uma máquina que apresentou um defeito em sua programação. As implicações dessa dualidade são diversas, desde a aceitação ao diferente quanto ao comportamento humano como mera repetição mecânica. Será que o robô se tornou iluminado por não estar preso ao aparato biológico que para nós é impossível de se livrar? Como em toda narrativa do tema, um sacrifício será necessário para que a verdade mostre sua verdadeira face.

Encerrando a trilogia, temos Happy Birthday. Com uma pegada humorística forte, mas sem descuidar no cenário de ficção científica, o episódio trabalha o mote do cometa que chegará para destruir a Terra (não é bem um cometa, mas você vai ter que assistir pra descobrir o que é). O tom aqui é mais absurdo, e os programas de TV comentando o fim do mundo são hilários. Ao mesmo tempo, o final tem um tom esperançoso que se encaixa muito bem como encerramento do longa.

O cinema sul-coreano vem cada vez mais se destacando dentro do gênero fantástico, alcançando a própria identidade e se tornando sinônimo de qualidade e diversão. O Livro do Apocalipse vem coroar essa fase. Se você já acompanha esses filmes, vai querer assistir. E se ainda não foi apresentado aos mesmos, é um excelente ponto de partida. De qualquer forma, vale muito a pena assisti-lo e descobrir que o Apocalipse não é um fim do mundo.

O Livro do Apocalipse (Nryu Myeongmang Bogoseo)

De Jee-Woon Kim, Pil-Sung Yim.

Com Seung-Bum Ryoo, Kang-Woo Kim, Sae-Byeok Song.

Coréia do Sul, 2012. 120 minutos.

Mostra Midnight Movies

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