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Twixt – Festival do Rio 2012

Twixt

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Francis Ford Coppola não é completamente alheio ao horror, vide sua bem-sucedida versão de Drácula de Bram Stoker. Twixt (EUA, 2011) traz o respeitável diretor de volta ao gênero com uma história envolvendo fantasmas, assassinatos, vampiros e Edgar Allan Poe. Infelizmente, aqui, Coppola não parece tão respeitável como antes.

A trama gira em torno de Hall Baltimore (Val Kilmer, o que diabos aconteceu com você?), um escritor de histórias sobre bruxas que vive das glórias passadas e busca inspiração para escrever um novo livro. Ele chega a uma cidade afastada e soturna, tida como mal-assombrada, onde conhece o xerife local, Bobby LaGrange (Bruce Dern), que é um aspirante a escritor e convida Baltimore para ajudá-lo no mistério sobre o assassinato de uma jovem. Durante sua investigação (onírica), Baltimore conhece a menina, Virgínia (Elle Fanning, carismática como sempre, mas desperdiçada ao extremo), e recebe a inusitada ajuda de Edgar Allan Poe (Ben Chaplin).

A história, consideravelmente confusa e superficial, transcorre por dois caminhos paralelos: um no mundo dos vivos, com Baltimore tentando escrever seu livro; outro no mundo dos sonhos do autor (quase um mundo dos mortos), com Baltimore tentando desvendar o mistério de Virgínia enquanto, na verdade, luta para vencer seus próprios fantasmas pessoais. Até certo ponto, parece a viagem espiritual de Dante Alighieri em A Divina Comédia, usando Baltimore como alter ego para Coppola e substituindo Virgílio por Allan Poe como guia. Porém, infelizmente, nenhum dos dois caminhos é interessante o suficiente para manter a força narrativa da trama e manter a atenção apreensiva com os mistérios — diferente do que acontece em A Divina Comédia. Os primeiros trinta minutos do filme têm vislumbres de suspense e humor que despertam interesse, mas depois disso, é só ladeira abaixo — rumo à cova! O filme é ruim. MUITO RUIM. Tanto que dá vergonha alheia, especialmente por sabermos quem é Coppola e do que ele é realmente capaz.

Twixt é maçante, sem vida, visualmente desleixado e com performances sofríveis. E o que é o 3D desse filme?! É um DOS PIORES usos do recurso que já vi! O vexame é tamanho que o 3D aparece apenas em cenas-chaves — ou seja, é usado em apenas 10 minutos do filme — e, do nada, nessas cenas, aparece na tela uma imagem de óculos 3D sinalizando que você deve botar e tirar os óculos. Tosco demais! Quase me senti no cinema vendo um filme de quinta categoria pra televisão. Triste.

Coppola parecia estar experimentando com essa produção. Experimentação é bom pro cinema, ajuda a crescer. Mas existem limites. O problema da experimentação de Coppola talvez seja a ambição dentro de suas inconsistências. Segundo o próprio Coppola disse em entrevistas, o roteiro do filme foi inspirado em um sonho que ele teve, mas acordou antes de ver o final.

O mais irônico é que Baltimore passa boa parte do filme tentando encontrar um filme pra sua história, quando o próprio filme não tem um fim definido. Baltimore tem sua resolução pessoal, mas a história, não. No fim, Coppola se afoga em suas próprias ambições oníricas. Nada de sonho, ou mesmo pesadelo. Twixt termina como uma reles noite mal dormida.

Twixt

De Francis Ford Coppola.

Com Val Kilmer, Bruce Dern, Ben Chaplin, Elle Fanning.

Estados Unidos, 2011. 84 minutos.

Mostra Panorama do Cinema Mundial

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