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Jack & Diane – Festival do Rio 2012

Jack & Diane

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A jornada do auto-conhecimento na adolescência nunca é fácil, especialmente entre duas meninas que se amam e querem ficar juntas em meio a tantas novas experiências e indecisões. Mas difícil ainda quando uma dessas meninas é, na verdade, um lobisomem.

Jack & Diane (EUA, 2012) conta a história da ingênua Diane (Juno Temple), que conhece a temperamental Jack (Riley Keough) durante uma viagem a Nova Iorque. Elas se apaixonam e começam um relacionamento. Porém, Jack se revolta quando descobre que Diane vai estudar noutro país. Por outro lado, Diane está descobrindo sua sexualidade nessa relação ao mesmo tempo em que precisa enfrentar “mudanças bestiais” em seu corpo.

No caso, as mudanças são a transformação de Diane num lobisomem — sim, ela é um lobisomem. Várias vezes ao longo da trama, ela se imagina como um monstro (algo que muitos adolescentes pensam de si), a ponto de querer devorar o coração de Jack (uma representação das emoções avassaladoras dos adolescentes). Quando ambas se encontram em conflito, a narrativa é bruscamente interrompida por sequências grotescas de nervos e fluidos corporais sendo separados ou modificados, como uma metamorfose lupina acontecendo (presumivelmente, ilustra a angústia do amor adolescente).

Você deve ter percebido que tudo na história gira em torno da adolescência. Dirigido por Bradley Rust Gray, o filme é basicamente um drama melancólico que se aproveita de elementos de horror para explorar as mudanças e os anseios que vêm com a adolescência. O grande problema é que esses elementos de horror, apesar de visualmente interessantes, parecem deslocados na narrativa. No fim, é um recurso que parece dispensável, principalmente porque nunca fica claro até que ponto o fator “lobisomem” faz parte real da história. Diane parece de fato se transformar em um lobisomem, mas em muitos momentos parece tratar-se apenas de um sonho. E quando esse legado é transmitido adiante, a impressão é que a licantropia passa a ser compartilhada como um sonho, não como realidade — na medida em que o amor também passa a ser compartilhado.

Sim, o filme levanta mais questões do que respostas. É uma viagem que te deixa no final coçando a cabeça. Mas, ainda assim, é uma história bonita e cativante.

Os momentos afetuosos de Jack e Diane são agradáveis, cheios de dúvida e com diálogos normalmente bem-humorados. As cenas de Jack com a tia de Diane são especialmente engraçadas, assim como a cena do incidente de Diane no banheiro com a lâmina de barbear. Embora seja escasso, o humor é atraente.

Mas o grande pilar do filme é mesmo a atriz Juno Temple. A beleza inocente e o carisma avoado de sua personagem sustentam o romance e garantem um pouco de leveza ao tom melancólico da história. Mesmo nos momentos em que o enredo perde coesão ou a relação amorosa torna-se fria demais, Temple consegue contornar as coisas com a paixão digna de uma atriz que vem se mostrando cada vez mais talentosa. Temple é a razão de ser do filme. Tão apaixonante que me faz botar sangue pelo nariz.

Jack & Diane

De Bradley Rust Gray.

Com Juno Temple, Riley Keough, Kylie Minogue.

Estados Unidos, 2012. 93 minutos.

Mostra Midnight Movies

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