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Ruby Sparks: A Namorada Perfeita – Festival do Rio 2012

Ruby Sparks: A Namorada Perfeita

Ruby Sparks: A Namorada Perfeita

Ruby Sparks: A Namorada Perfeita

Ruby Sparks: A Namorada Perfeita

Jonathan Dayton e Valerie Farris ganharam a simpatia de muita gente ao realizar o ótimo Pequena Miss Sunshine, uma comédia sobre uma família não muito convencional contada com muita sensibilidade. Esse é o ponto que tornou esse primeiro filme da dupla um enorme sucesso: a sensibilidade com que eles conseguiram transmitir suas ideias para a tela.

Seis anos passaram enquanto muitos esperavam por esse momento, quando seria lançado o segundo filme. Ele chegou e mais uma vez a dupla acertou em cheio. Ruby Sparks: A Namorada Perfeita (Ruby Sparks, EUA, 2012) é um filme bem mais maduro, que discute a síndrome do segundo livro (ou a realização de uma segunda obra) após um enorme sucesso, ao mesmo tempo que cria uma metáfora sobre relacionamentos amorosos.

Com roteiro escrito por Zoe Kazan, que também protagoniza o filme, a história acompanha Calvin (Paul Dano), um escritor que lançou um livro quando ainda estava no Segundo Grau. Avesso ao título de gênio, Calvin ainda vive da glória de seu passado, mas nada consegue escrever desde então. Sua vida se resume a passear com o cachorro, alguns jantares com o irmão (Chris Messina) e suas sessões de terapia com um psicanalista (Elliot Gould). Em uma dessas sessões, o psicanalista propõe um exercício a Calvin: escrever sobre seu cachorro. Ao seguir o conselho do analista, Calvin cria Ruby Sparks (Zoe Kazan), uma moça que gosta dele e de Scotty (o cachorro). No mundo de Calvin, Ruby é perfeita, física, intelectual e emocionalmente, de forma que o escritor acaba se apaixonando por ela. Sua obsessão pela personagem se torna tão intensa, que Ruby cria vida. Ela aparece no apartamento de Calvin, sem a mínima ideia de que é um personagem de ficção. A partir desse momento, Calvin deixa de lado sua história e passa a se dedicar ao seu relacionamento com Ruby, na “vida real”. Porém, algumas coisas começam a desandar, levando Calvin a pensar sobre até que ponto ele deve ou não controlar a vida de Ruby, já que ela é uma criação sua.

Calvin e Ruby são personagens intensos, vividos de forma perfeita por Paul Dano e Zoe Kazan, respectivamente. Assim como outros atores que aparecem de fundo e dão o colorido que o filme precisa. Chris Messina, Elliot Gould, Annette Bening, Antonio Banderas, Deborah Ann Woll e o sempre ótimo Steve Coogan provam que a dupla de diretores sabe montar um elenco e, melhor ainda, dirigi-lo muito bem.

A trama, que se veste de comédia romântica, é muito mais complexa e profunda. Ela não discute apenas o fato de Calvin ser solitário, como também sua dificuldade em lidar com o mundo, com a ideia de poder ser um fracasso. Ruby surge como um ponto de apoio, literário e real. A partir dela, ele consegue voltar a interagir com o mundo, se reaproxima da família e lida melhor com outras questões. Porém, Ruby não sabe que é uma criação de Calvin e sente necessidade de ter uma vida só dela. Nesse ponto que entendemos que Calvin não consegue, na verdade, é lidar com a vida real. Controlar a vida de Ruby é a única certeza que tem.

O que se destaca no filme, é o fato de Calvin viver em uma luxuosa casa, com móveis modernos, cercado por tecnologia e escrever em uma antiga máquina de escrever manual. É um simbolismo gritante sobre o fato dele não conseguir se desligar de seu passado. Ruby foi criada ali naquela máquina, sua verdadeira musa. Mas essa musa passa a ser um tormento, uma ameaça ao seu futuro, assim como uma ameaça ao seu relacionamento perfeito, que foi criado nela e pode ser desfeito através dela. Porém, é na máquina que pode estar sua redenção.

É curioso perceber a angústia de Calvin em relação a não conseguir escrever um novo livro. Talvez o fato de ter escrito algo considerado brilhante por todos seja intimidador, porque a partir desse ponto não há como retroceder, ele precisa ser brilhante sempre.

Não há como não comparar a situação de Calvin a dos diretores do filme, que debutaram no cinema com uma produção brilhante, aclamada por público e crítica. Com certeza a síndrome da segunda obra deve tê-los assombrado. Felizmente o susto já passou, porque Ruby Sparks: A Namorada Perfeita é tão brilhante quanto Pequena Miss Sunshine, com o bônus que esse segundo filme é sem dúvida uma obra mais madura. Que venham o terceiro e muitos outros filmes.

Ruby Sparks: A Namorada Perfeita (Ruby Sparks)

De Jonathan Dayton, Valerie Faris.

Com Paul Dano, Zoe Kazan, Annette Bening, Antonio Banderas.

Estados Unidos, 2012. 104 minutos.

Mostra Panorama do Cinema Mundial

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