Filmes

Assalto à 13º DP – Festival do Rio 2012

Assalto à 13º DP

Assalto à 13º DP

Assalto à 13º DP

Assalto à 13º DP

Assalto à 13º DP (Assault on Precinct 13, EUA, 1976) foi uma das primeiras produções de John Carpenter e até hoje figura no rol dos melhores filmes de ação e suspense. Carpenter conseguiu criar um sucesso definitivo com sua história de cerco urbano que pegava referências de faroestes e filmes de terror com zumbis. O próprio diretor já confirmou que se inspirou nos filmes Rio Bravo, de Howard Hawks, e A Noite dos Mortos-Vivos, de George A. Romero. De fato, parece uma mistura inteligente entre ambos. Muitos elementos apresentados aqui — como a estranheza da trama e a ambiguidade dos personagens — já expressavam um pouco do caminho que seria traçado pelo cineasta no futuro.

A história é centrada no 13º Departamento de Polícia, um distrito localizado num bairro afastado do centro urbano que está prestes a ser desativado. No último dia do distrito, o tenente Ethan Bishop (Austin Stoker) é transferido para o local, onde deve cuidar das coisas até a manhã seguinte, quando a delegacia será desativada definitivamente. No meio da noite, um ônibus policial transportando presidiários pede para fazer uma parada no lugar por motivos médicos, sendo que o ônibus transporta um criminoso famoso chamado Napoleon Wilson (Darwin Joston). Em outro lugar do bairro, um homem vê sua filha ser assassinada por membros da terrível gangue Cholo e se vinga matando um dos assassinos. Os demais membros da gangue, em busca de vingança, perseguem o homem, que foge desesperado e se refugia na delegacia. Como consequência, centenas de bandidos cercam a delegacia e declaram guerra contra todos lá dentro. Junto com outros policiais e até mesmo os presidiários trazidos no ônibus, Bishop luta para defender o lugar e o homem que lhe pediu ajuda, custe o que custar.

Você deve ter percebido que nesse único filme de aproximadamente uma hora e meia existem várias subtramas entrelaçadas à narrativa principal: o fechamento da DP, o homem que vê a filha ser morta, e o destino de Napoleon Wilson. As circunstâncias vão se estabelecendo aos poucos, num ritmo lento inicialmente, até se cruzarem no ponto em que tudo fica fatalmente crítico — quando a delegacia é invadida pelos cholos.

A abordagem cuidadosa dessas subtramas concede uma alma única à história ao reforçar a capacidade do homem para o heroísmo, não importa a adversidade. Bishop não tem dúvidas em proteger o homem que veio lhe pedir ajuda, mesmo sem saber de todos os fatos. Ele apenas faz o que acha certo, assume suas responsabilidades e inspira os outros a segui-lo naquela dura batalha. Um verdadeiro herói! Sua presença de espírito é tamanha que até mesmo um criminoso cínico como Wilson sente-se inclinado ao heroísmo. Quando os dois protagonistas decidem trabalhar juntos, as coisas atingem o auge!

Bishop e Wilson, apesar de estarem em lados opostos, possuem semelhanças de caráter e desenvolvem certa camaradagem à medida que tentam proteger a delegacia sitiada. A relação dos dois é mostrada sem maniqueísmos e de forma crível. Você inevitavelmente se vê torcendo para que eles dois juntos resolvam aquela situação e sejam devidamente recompensados por isso, não importa como. A sequência final num corredor é de dar inveja nos 300 de Esparta!

Os atores colaboram muito com essa empatia estabelecida pelos personagens. Austin Stoker chama atenção com um personagem estoico e digno de respeito por seu brio moral. Darwin Joston é mais despojado e sua obsessão por cigarro — um traço comum aos personagens fora-da-lei de Carpenter — proporciona momentos divertidos. Soma-se a eles a presença marcante da atriz Laurie Zimmer, como a policial badass Leigh.

O mérito da produção torna-se ainda maior se considerarmos a falta de experiência do diretor na época e a falta de recursos. O que John Carpenter conseguiu fazer aqui com o pouco que tinha à disposição foi no mínimo heroico. Um mérito que até mesmo torna irrelevante alguns coisas inexplicáveis do enredo — até hoje me pergunto como os caras da gangue conseguiram ser tão rápidos pra limpar a pilha de cadáveres caídos na rua depois do tiroteio pós-cerco. Ah, e onde foi parar todo o sangue espirrado durante o ataque?! Como eu disse, meros detalhes.

O ritmo da trama é ainda estimulado pela edição, com cortes secos e tomadas longas que combinam com o estilo cru do filme e ainda lembram um pouco a forma dos velhos filmes de faroeste — por motivos óbvios. Porém, depois que o cerco à delegacia começa, as sequências tornam-se mais frenéticas e violentas, com um ar mais de filme policial moderno (para os anos 70, claro!).

Acrescente a isso a trilha sonora minimalista e sombria e cenas fechadas com um bando de homens ensandecidos tentando invadir o lugar pelas portas e janelas. É mais tenso do que estar preso numa casa cercada por zumbis. Por quê?! Por causa do realismo da situação! Os membros da gangue não são monstros fantásticos; são pessoas de carne, osso e pura vilania. Às vezes o que um humano pode fazer por ódio é mais aterrorizante do que aquilo que um monstro pode fazer por cérebros.

Assalto à 13º DP merece o respeito que guarda até hoje como um filme tenso, assertivo e chocante — uma lição de como produzir um filme de qualidade com uma história simples e poucos recursos. Mais do que isso, merece respeito por mostrar dentro e fora da tela o verdadeiro significado da palavra HEROÍSMO.

Assalto à 13º DP (Assault on Precinct 13)

De John Carpenter.

Com Austin Stoker, Darwin Joston, Laurie Zimmer.

Estados Unidos, 1976. 91 minutos.

Mostra John Carpenter

Compartilhe este Post

Posts Relacionados



Resenhas Populares

Rogue One: Uma História de Star Wars

Rogue One: Uma História de Star Wars

Animais Fantásticos e Onde Habitam

Animais Fantásticos e Onde Habitam

Raw

Raw

Capitão Fantástico

Capitão Fantástico

O Homem nas Trevas

O Homem nas Trevas

Nível Épico em Imagens

Google Plus

Facebook

SoundCloud