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Killer Joe: Matador de Aluguel – Festival do Rio 2012

Killer Joe – Matador de Aluguel

Killer Joe – Matador de Aluguel

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Killer Joe – Matador de Aluguel

Killer Joe – Matador de Aluguel (EUA, 2011) tem todo um quê do white trash digno do lado rústico do Texas reforçado por uma história ultraviolenta com toques de pulp. É um filme direto, miserável, que cheira a urina e gordura de frango, e ainda assim consegue ser excepcional em sua própria degradação. O próprio protagonista é um reflexo disso, um homem mortalmente cortês, porém capaz dos atos mais grotescos sem pestanejar.

Joe Cooper (Matthew McConaughey) é um oficial da polícia de Dallas, também conhecido no submundo por ser o temido assassino Killer Joe. É um cara misterioso e terrivelmente assustador, cheio de códigos morais próprios. A história efetivamente começa quando Killer Joe é contratado para um serviço de “matar um familiar pelo dinheiro do seguro”. Chris Smith (Emile Hirsch) é o contratante. Ele está devendo dinheiro a um bandido e pretende matar a própria mãe para pôr a mão no dinheiro do seguro. Chris bola o plano e convence seu pai, o tapado Ansel (Thomas Haden Church), e sua madastra, Sharla (Gina Gershon), a participarem. Porém, Chris não terá todo o dinheiro para pagar Killer Joe até que sua mãe esteja morta, por isso faz um trato com o assassino: ele oferece a sedutora irmã mais nova, Dottie (Juno Temple) como pagamento a Joe até que tenha o dinheiro. Joe, encantado por Dottie, aceita, mas as coisas acabam fugindo do controle.

Através da família Smith e sua relação com Joe, somos apresentados a uma visão perturbadora da cobiça e da luxúria. O diretor William Friedkin e o roteirista Tracy Letts conduzem a trama com toda a violência psicológica e a depravação mordaz que pode surgir da desonestidade. Os membros da família Smith são pessoas estúpidas, mesquinhas e vis, e somos lembrados disso a todo instante. Elas são a representação do white trash — o “lixo branco” — que alimenta a trama. O filme, aliás, é baseado numa peça do roteirista Tracy Letts, que foi baseada numa história real.

Killer Joe não é o filme mais violento do mundo, nem tão sexualmente provocante — embora a cena do jantar entre McConaughey e Temple seja muito excitante —, nem possui tantos diálogos de baixo calão. A grande violência aqui é o foco na depravação das pessoas, do tipo que provoca angústia a ponto de te deixar com dificuldade de respirar. Há até mesmo algo de artístico em Killer Joe, pois ele transmite sensações que você não gostaria de sentir, mas sente, e esse efeito que o filme tem sobre o público é fascinante. Tente ficar alheio ao carisma predatório de Matthew McConaughey, ou ao charme sensual e inocente de Juno Temple. Praticamente impossível! As performances de ambos são de tirar o fôlego, juntos ou separados em tela.

Emile Hirsch e Thomas Haden Church são igualmente bons como Chris e Ansel Smith, o filho avarento e pai desmiolado, respectivamente; e Gina Gershon é cruel e convincente como uma verdadeira madrasta maligna estimulando toda a vilania daquele plano em família. Mas há de se destacar a participação de Haden Church pela forma como ele transforma Ansel num personagem coerente apesar da burrice e também por servir como um bem-vindo alívio cômico para a tensão da história.

O longa, apesar de tudo, não parece tão chocante se comparado com o que a vida real pode ser; o fato de SER INSPIRADO NUMA HISTÓRIA REAL é prova disso. Mas tudo aqui é tão internalizado e a beira da loucura que é como se víssemos apenas o retrato de Dorian Gray da humanidade. Duas cenas — o supracitado jantar entre Joe e Dottie, e o jantar no final entre Joe e a família inteira — são ápices de perversidade apresentadas como um show de horrores digno de Laranja Mecânica. Ainda que o filme tenha momentos genuinamente engraçados — Letts tem um humor realmente mórbido —, o que prevalece é sempre a decadência. É nesse par de cenas fantásticas que o filme dá vislumbres da genuína escuridão humana sem se deixar marcar pelo brilho vermelho do sangue.

Killer Joe – Matador de Aluguel pode se vangloriar por sua censura alta assim como um assassino profissional pode se vangloriar por um serviço bem executado. Mas mesmo que você sobreviva, terá sempre essa cicatriz na memória para lembrá-lo do quão terrível e impressionante pode ser a corrupção humana. Você pode ser forte, mas mesmo os fortes têm cicatrizes.

Killer Joe – Matador de Aluguel (Killer Joe)

De William Friedkin.

Com Matthew McConaughey, Emile Hirsch, Thomas Haden Church.

Estados Unidos, 2011. 103 minutos.

Mostra Panorama do Cinema Mundial

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