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Fuga de Los Angeles – Festival do Rio 2012

Fuga de Los Angeles

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Fuga de Los Angeles

Depois do bem-sucedido Fuga de Nova York, o diretor John Carpenter decidiu levar sua história futurista para o outro lado dos Estados Unidos, numa continuação não tão bem-sucedida assim.

Aqui, no ano de 2013, as coisas estão cada vez piores para os Estados Unidos. O futuro presidente, antes de ser eleito, prevê uma catástrofe que vai destruir parte do país (what the fuck?!) e quando a catástrofe acontece, o cara é eleito (what the fuck again!). Após a destruição, Los Angeles é cercada por muros e transformada numa espécie de prisão de segurança máxima — como Nova York. Salvo as devidas semelhanças com o original, o começo é risível assim.

Se em Nova York o cenário era bem construído e a atmosfera da história bem estabelecida no começo (ainda que de forma lenta), em Los Angeles, o cenário é apresentado de forma forçada e difícil de aceitar dentro da realidade do filme. Na primeira vez que assisti ao filme, lá na adolescência, lembro de pensar que o terremoto que destruiu e sitiou Los Angeles poderia ter sido causado pelo próprio presidente dos EUA, afinal rola toda essa ideia de previsão e o sujeito ser eleito por causa dela; mas, no fim, não há qualquer ligação entre o presidente e o terremoto, e isso é frustrante. Seria mais interessante se fosse o caso.

A ligação do presidente (Cliff Robertson) com a trama é, na verdade, sua filha, Utopia (A.J. Langer). Seduzida pelo líder revolucionário Che Guevara… ehr, quer dizer… Cuervo Jones (George Corraface), Utopia trai seu pai, rouba um artefato importante e foge para Los Angeles. Naturalmente, apenas um homem pode invadir Los Angeles, resgatar o artefato e sair vivo: o sempre fodão Snake Plissken (Kurt Russell, reprisando o papel com a mesma cretinice divertida).

Daí em diante, Fuga de Los Angeles (Escape from L.A., EUA, 1996) é um sucessão de acontecimentos e conceitos parecidos com os de Fuga de Nova York, com a mesma linha cronológica e apenas algumas poucas variações. Até quando Snake se fere perto do final, é na perna direita onde ele toma o tiro, a mesma perna onde ele recebe uma flechada no primeiro.

John Carpenter, infelizmente, faz um trabalho muito aquém do que sua habilidade permite nessa continuação. O próprio Snake perde um pouco de sua aura de anti-herói grosseirão e lendário, algo que só é recuperado perto do final, com um desfecho que eleva um pouco os padrões da história. Ainda assim, ver o Snake surfando num tsunami é muito vergonha alheia.

Os efeitos especiais também são piores do que no original. Fuga de Nova York mostrava uma Manhattan arruinada através de um trabalho inteligente de cenografia e maquiagem. Fuga de Los Angeles, ao contrário, usa efeitos gerados por computador mais toscos do que se poderia esperar de uma produção dessas — tanto que parecem saídos de um disquete, daqueles de 1.44 Mb.

O longa, no entanto, não é de todo ruim. A ação tem boas sequências, a cena da disputa de basquete serve ao propósito de firmar Snake como o homem mais capaz de todos, Steve Buscemi dá o ar de sua graça (pra constar), e há a participação especial e fantástica de Bruce Campbell como um cirurgião estilo Frankenstein que vive nos subterrâneos de Beverly Hills com pessoas deformadas por inúmeras cirurgias plásticas mal-sucedidas — quase como os mutantes de Marte em O Vingador do Futuro (1990). A crítica contra o culto desmedido à beleza que surge aqui é, de longe, a melhor novidade nesse filme. A zombaria com a indústria do cinema — afinal Hollywood fica na Cidade dos Anjos — só não é mais aproveitada porque se perde em meio às falhas da produção.

Fuga de Los Angeles é basicamente um remake mais ou menos de Fuga de Nova York; uma tentativa de fazer uma continuação de um clássico da ficção científica que tem suas vantagens, mas não é tão legal quanto o original. É mais do mesmo, sem o glamour.

Fuga de Los Angeles (Escape from L.A.)

De John Carpenter.

Com Kurt Russell, Steve Buscemi, Stacy Keach.

Estados Unidos, 1996. 101 minutos.

Mostra John Carpenter

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