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Looper: Assassinos do Futuro

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Joseph Gordon-Levitt é Bruce Willis… Bruce Willis é Joseph Gordon-Levitt… as qualidades de Looper: Assassinos do Futuro (Looper, EUA, 2012) já começam na caracterização perfeita de um e outro, do outro e do um. Confuso?! Qual filme de viagem no tempo não tem um pouco de confusão e paradoxo pra enlouquecer nossas mentes? Mas aqui, as artimanhas espaço-temporais não parecem tão confusas assim. Pelo contrário, mostram-se bem entrelaçadas numa trama razoavelmente simples, porém fascinante.

Uma das grandes premissas das viagens no tempo é que, no fim, elas sempre terminam onde começaram. É um ciclo sem fim. Um loop. O diretor Rian Johnson, que também escreveu o longa, brinca com o jogo de palavras dessa premissa e reinventa a proposta de forma ousada e original. Sim, porque Looper é um dos raros filmes da nova safra hollywoodiana a não ser uma continuação, um remake, ou uma adaptação de livro ou quadrinho.

A história se passa no ano de 2044 e gira em torno de um grupo de matadores chamados “loopers”, que usam viagens no tempo para cobrir os rastros de seus assassinatos. Num futuro próximo, a viagem no tempo tornou-se possível, mas é ilegal.

Os alvos chegam encapuzados para os assassinos, enviados direto do futuro, e estes apenas executam o trabalho e queimam os corpos, eliminando os vestígios do assassinato. O filme acompanha o assassino Joe (Joseph Gordon-Levitt), um dos mais experientes no ramo. Um dia, um alvo chega sem capuz e ele percebe que é seu próprio futuro (Bruce Willis).

Não é exatamente uma surpresa, pois todos os loopers vivem uma vida fadada a terminar prematuramente — no evento que eles chamam de “closing the loop”, ou “fechar o ciclo”, quando eles precisam matar a si mesmos. O problema é que Joe deixa sua versão futurista escapar, e isso causa problemas no presente que podem se tornar irreparáveis no futuro. No meio da perseguição, Joe acaba se deparando com um dilema ainda maior do que matar a si mesmo quando precisa proteger uma mãe (Emily Blunt) e seu filho (Pierce Gagnon, com uma sagacidade infantil impressionante).

Ainda que seja embasado por uma história de gato-e-rato, “mocinho” tentando pegar “bandido” e vice-versa, Looper não é exatamente um filme de ação. Existe ação, mas ela é muita mais pontual do que muitos provavelmente estariam esperando. No fundo, Looper é uma ficção científica das mais clássicas, com um toque de cyberpunk no visual meio decadente e no estilo sombrio, e uma característica forte de noir com seus personagens ambíguos e seus diálogos idiossincráticos. Algo como uma mistura leve de Blade Runner e Exterminador do Futuro com doses FENOMENAIS de Akira.

Além das questões envolvendo viagens no tempo, há muitas questões sobre corrupção humana e escolhas erradas; sobre quão bom ou ruim pode se tornar o caminho de uma pessoa por causa dos acontecimentos de sua vida, algumas vezes influenciado por suas próprias escolhas, outras vezes pelas escolhas alheias.

É nessa ideia que entra o ciclo, o loop, que pra ser evitado frequentemente demanda ações drásticas, e paradoxais. Num filme sobre viagem no tempo, isso é quase uma praxe. A forma como é explorada aqui é que se mostra genial desde o início. Nessa história, nada é exatamente o que parece e o prazer de ser surpreendido por isso é inestimável.

As atuações são igualmente excepcionais. Apesar de toda a estilização, os atores entregam performances que suportam a história até seu desfecho. Emily Blunt, com seu afeto materno, concede um pouco da humanidade que falta a todos os outros elementos da trama. Mas o destaque mesmo fica por conta dos protagonistas. Joseph Gordon-Levitt veste a carapuça de Bruce Willis com uma eficiência perturbadora! O trabalho de maquiagem certamente ajuda, mas Gordon-Levitt consegue emular os trejeitos de Willis e até mesmo esbanjar aquele sorrisinho sacana que aprendemos a respeitar desde Duro de Matar. Mais uma prova de que Joseph Gordon-Levitt é um dos melhores atores dessa nova geração. Do outro lado, Willis também demonstra inspiração em sua performance como um homem totalmente diferente de sua versão mais jovem, mais vulnerável e marcado pelo sofrimento, mas que precisa manter a frieza para fazer o que é preciso; lembra um pouco sua atuação em Os 12 Macacos. Aliás, muita coisa aqui lembra Os 12 Macacos — um tipo de filme que raramente é feito hoje em dia.

Looper: Assassinos do Futuro equilibra com inteligência e segurança o que há de melhor na ficção científica, algum romantismo e personagens tridimensionais tentando manter a humanidade em meio à frieza de um mundo cada vez mais corrupto e sombrio. É uma obra-prima que se destaca por sua capacidade de inovar e por sua ciência inebriante. Que esse tipo de inventividade permaneça como um ciclo duradouro para o cinema e não se feche tão cedo.

[bb]

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