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Poder Paranormal

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Poder Paranormal (Red Lights, Espanha, 2012) é um suspense manipulado por truques sutis que mantém o espectador olhando para um lado enquanto a história caminha para outro — levemente parecido com O Grande Truque.

A história acompanha os passos da Dra. Margaret Matheson (Sigourney Weaver), uma “caça-fantasmas” especializada em desvendar fraudes envolvendo atividades paranormais junto com seu assistente Tom Buckley (Cillian Murphy). Os dois pesquisam todo o tipo de fato extraordinário e analisam todas as possibilidades procurando pelo que chama de “luzes vermelhas”, sinais e erros que revelam uma fraude — daí vem o nome original Red Lights.

Depois de décadas sumido da mídia, um médium cego que se tornou celebridade por seus poderes, Simon Silver (Robert De Niro), retorna para fazer novas apresentações. Simon já teve problemas com a Dra. Matheson no passado e seu retorno desperta essa antiga rivalidade. Porém, Buckley é quem acaba obcecado por revelar os segredos deste homem, o único médium que nunca foi desmascarado até então. Mas à medida que se aproxima de Simon Silver, coisas estranhas começam a acontecer.

O filme ainda conta o sempre excelente ator britânico Toby Jones, como um rival para a Dra. Matheson nas pesquisas científicas sobre paranormalidade; a lindinha Elizabeth Olsen como interesse romântico supérfluo para Buckley; e sempre elegante Joely Richardson, como uma espécie de assessora/guarda-costas de Silver, que tem uma finalidade simples para a história, mas é tratada de forma tão rasa que acaba desperdiçada.

O grande fio condutor da trama é a caçada para revelar Silver como uma fraude. O diretor Rodrigo Cortés, do ótimo Enterrado Vivo, apresenta uma corrida contra o tempo e encurrala seus personagens com elementos típicos de filme policial, criando desdobramentos que vão se sucedendo lentamente até o clímax onde tudo se encaixa. Algumas subtramas que transcorrem paralelamente são deixadas em aberto, sem um desfecho específico, mas parece ser a proposta, uma vez que esses arcos parecem estar ali apenas para desviar a atenção do foco principal.

Weaver e Murphy passam bastante tempo desvendando os mistérios paranormais com suas técnicas científicas — dentro da lógica do filme — e tentando expor as fraudes paranormais enquanto lecionam sobre o assunto numa universidade. Em alguns aspectos, lembra um pouco a premissa de O Código Da Vinci (o livro, não o filme), em que as aulas servem como explicação ao espectador/leitor sobre as sutis minúcias dos mistérios da narrativa. Isso concede certa credibilidade aos personagens e nos faz torcer para que eles, de fato, desvendem os segredos paranormais e desmascarem as fraudes. Nós, como espectadores, passamos boa parte do filme procurando as “luzes vermelhas” junto com eles e tentando solucionar o mistério antes deles.

Cortés tece o suspense com habilidade e promove debates filosóficos entre a ciência e o paranormal (que frequentemente provém da fé), mostrando que na maioria das vezes a crença das pessoas é que sustenta as maiores fraudes — e isso serve tanto para a ciência quanto para a fé (o filme toca nessa crença de forma geral, não tanto direcionada para a religião).

O diretor, no entanto, cai em algumas armadilhas comuns aos filmes de suspense, como pássaros batendo em janelas do nada e barulhos repentinos de coisas metálicas, na tentativa de provocar alguns sustos que parecem desnecessários aqui. A premissa sobre Simon Silver ser ou não uma fraude garante o nível de suspense necessário, que sobrepõe o problema com os sustos. Esse embate entre realidade e enganação é destrinchado com inteligência.

De Niro não está num de seus melhores momentos no longa, mas ainda consegue ser atraente como um médium cego e ameaçador. Ele é de uma sutileza intimidadora durante boa parte da história, porém nos momentos finais sua sutileza desanda para a superficialidade e atrapalha um pouco as coisas. Por outro lado, Weaver como protagonista se destaca. Ela tem uma mistura de rispidez cética com tristeza velada que a torna uma personagem emocionante de se acompanhar.

Murphy complementa Weaver, mas começa apagado. Seu personagem só cresce a partir do segundo ato, quando algumas circunstâncias o levam a ficar ainda mais obcecado por Silver. É dessa obsessão que vem toda a tensão do personagem, que Murphy consegue interpretar com eficiência perturbadora, especialmente com aqueles olhos azuis que parecem rasgar a alma.

Numa das cenas mais intrinsecamente fortes do filme, Murphy e De Niro se encaram numa sala vermelha, cada um de um lado, separados apenas por uma linha de sal. No folclore sobre forças paranormais, o sal é usado em portais e janelas para impedir a passagem de fantasmas ou demônios e tornar locais seguros. É uma cena de monólogo que não parece ter real significado para o filme, soa até meio deslocada. Mas, quando o final é revelado, a cena torna-se uma reflexão dos valores e embates da história, torna-se uma revelação impactante de como alguém pode descobrir a si mesmo ao se espelhar nos erros cometidos pelos outros. Pois é analisando os erros alheios que descobrimos o melhor caminho a seguir para que esses mesmos erros não sejam cometidos. Aqui, Murphy e De Niro mostram-se magistrais. E o sal serve como um espelho que reflete ambos.

Poder Paranormal flui lentamente e, apesar de alguns tropeços, resulta num sofisticado jogo psicológico de gato e rato que propõe um debate interessante entre ciência, fé e paranormalidade. Mas o maior mérito aqui é, sem dúvida, a capacidade narrativa de nos manter tentando adivinhar as sutilezas da fraude até o fim, tudo para descobrirmos que, como toda enganação, nada é o que parece. E num filme como esse, ser enganado é uma coisa boa.

[bb]

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