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Os Novos 52: Liga da Justiça Sombria

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Liga da Justiça Sombria

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Toda super-equipe, quando é formada, tem um arco inicial movido pelo surgimento de uma ameaça tão grande e perigosa que obriga vários heróis com habilidades e personalidades diferentes a trabalharem juntos em prol de um objetivo em comum. Você provavelmente já leu isso milhares de vezes. Todos os quadrinhos de super-equipes começam basicamente dessa forma.

Os Novos 52: Liga da Justiça Sombria (The New 52: Justice League Dark, EUA, 2011) também segue esse padrão; o apresenta de uma forma não exatamente nova, mas com sabor de novidade, e melhora a cada edição. Melhora a tal ponto que Liga da Justiça Sombria consegue ser mais interessante do que a Liga da Justiça na qual sua proposta foi inspirada. Em alguns aspectos, a Liga da Justiça Sombria parece até mesmo mais poderosa do que a Liga da Justiça.

Peter Milligan e Mikel Janin, roteirista e ilustrador respectivamente, se distanciam de Geoff Johns e Jim Lee ao criarem uma história rica dentro de uma ideia relativamente simples: reunir um grupo de heróis para lidar com assuntos relacionados à magia, assuntos que sempre fizeram parte de um lado mais obscuro da DC Comics e que fogem da alçada da Liga da Justiça.

A trama inicialmente apresenta o conflito contra Magia, uma bruxa que perdeu o controle de seus poderes e tenta desesperadamente reunir suas múltiplas personalidades. Premissa simples, como eu disse. O grande lance da história é o humor ácido e os detalhes que concedem dinamismo aos acontecimentos.

De cara, o motivo para a existência de tal grupo fica claro. Superman, Mulher-Maravilha e Cyborg decidem investigar esses acontecimentos estranhos e são facilmente derrotados pelo imenso poder mágico por trás de tudo. Não é o tipo de inimigo que a Liga da Justiça possa enfrentar. Magia e bruxaria são tão misteriosas para os super-heróis clássicos quanto fantasmas e vida após a morte são misteriosos para os humanos. Pra lidar com esse tipo de ameaça são necessários especialistas no assunto.

Assim surge a inusitada Liga da Justiça Sombria, reunida pela enigmática Madame Xanadu, uma vidente capaz de perceber forças místicas através de cartas de tarô e bolas de cristal. Ciente do mal que a perdição de Magia pode causar, Xanadu convoca pessoas habilidades a lidar com poderes mágicos para ajudá-la: John Constantine, um exorcista com vastos conhecimentos de magia e ocultismo; Zatanna, mestra da magia reversa; Shade, o Homem-Mutável, capaz de mudar a realidade graças aos poderes de seu colete; e Desafiador, o acrobata que se tornou um fantasma com capacidade de possuir outras pessoas. No meio do caminho, eles também recebem uma ajuda rápida do complicado Teia-Mental, que possui poderes telepáticos e de projeção astral.

Mais pra frente, o grupo também ganha como integrante honorário o vampiro Andrew Bennet, que se torna extremamente poderoso ao absorver quantidades absurdas de magia durante o crossover entre as revistas Liga da Justiça Sombria e Eu, Vampiro. Bennet é protagonista de Eu,Vampiro, mas deve fazer participações esporádicas no super-grupo.

A variação mágica dos super-poderes é trabalhada como algo mais sombrio e terrificante psicologicamente, capaz de levar até mesmo os mais fortes heróis à loucura e desencadear todo o tipo de desastre por isso. O mundo parece um verdadeiro inferno que precisa de conserto. Porém, os únicos realmente capazes de consertar esses estragos são tão quebrados quanto o mundo ao seu redor. É um cenário de visões proféticas e apocalípticas, onde uma horda de mulheres loiras idênticas perambula pelas ruas enquanto pessoas mortas aparecem em computadores. É insano e perturbador, como esse tipo de história deve ser.

Peter Milligan solta toda sua criatividade sinistra com esses personagens e suas interações, e reforça o tema da magia como algo não tão bonito ou heroico ao desenvolver indivíduos devastados — fisicamente e/ou mentalmente — pelos efeitos de suas próprias habilidades. Madame Xanadu e Constantine sofrem graves danos em seus corpos quando precisam usar todo o potencial de suas habilidades. Mas Constantine continua o fodão arrogante e trapaceiro que conhecemos, e mostra-se um líder perfeito pra esse grupo. Shade vive num conto de fadas, recriando constantemente cópias de sua amada Kathy, que faleceu muito tempo atrás, para tentar controlar seus poderes. Zatanna tem problemas com seu passado. Boston Brand, o Desafiador, não consegue manter seu romance com Dawn Granger, a heroína Columba, porque é imaterial e não pode tocá-la sem possuir outras pessoas.

Mikel Janin concede a tudo um realismo de bater palmas com sua arte impecável. Magia com sua forma cadavérica é assustadoramente bizarra, ainda mais quando aparece em meio a uma tempestade de corpos e dentes carcomidos. Os cenários são bastante sombrios e detalhados, margeados normalmente por tonalidades fantasmagóricas em verde, azul e amarelo que o tempo todo refletem o caráter místico da história. Fica claro que esses personagens não são — e nem devem ser — heróis no sentido convencional. Janin contribui ainda mais com essa visão por representar a divergência entre poder extremo e consequências dolorosas para seus usuários. Os personagens são dotados de uma beleza realista e soturna, mesmo quando sua aparência é deformada por seus poderes ou marcada por ferimentos. As mulheres aparecem especialmente MARAVILHOSAS! Os traços de Janin são sóbrios, e quando se trata do visual feminino são curvilíneos e voluptuosos na medida certa. É um charme a mais da revista. A Zatanna ficou um espetáculo!

Liga da Justiça Sombria não é uma das melhores séries dos Novos 52, mas chega contando histórias intrigantes e envolventes, que valem a pena serem acompanhadas. É uma ideia peculiar para um grupo peculiar, mas que funciona perfeitamente como um novo conceito que utiliza alguns elementos de obras bem-sucedidas da editora. O grupo pode ser sombrio, mas o futuro não parece tão sombrio para esses heróis inesperados e poderosos.

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