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Resident Evil 5: Retribuição

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Resident Evil 5: Retribuição (Resident Evil: Retribution, EUA, 2012) tinha algum potencial pra dar certo. Podia ter sido melhor do que Resident Evil 4: O Recomeço. Mas não é. Na verdade, depois de ver o RE 5 até comecei a gostar do 4 — e olha que fiquei realmente decepcionado com o quarto filme na época que ele estreou.

Nessa continuação que adapta o clássico game de survival horror, a Corporação Umbrella continua a assolar o planeta com o T-Vírus, que agora está sendo produzido e distribuído em escala global. O resultado é que o mundo está infestado por zumbis e criaturas bizarras geneticamente modificadas.

A heroína da franquia, Alice (Milla Jovovich, espetacularmente linda!), desperta numa instalação da Umbrella e começa novamente sua investida pra salvar sua vida e talvez a humanidade. Ela própria luta pra manter sua humanidade em meio aos experimentos da vil corporação, que agora é plenamente controlada pela Rainha Vermelha (Megan Charpentier), a mesma inteligência artificial que quase a matou em Resident Evil: O Hóspede Maldito. Ao seu lado, Alice conta apenas com a espiã Ada Wong (Bingbing Li) e uma tropa de elite liderada por Leon S. Kennedy (Johann Urb) — dois dos melhores personagens dos games, absurdamente mal-aproveitados no longa. No lado dos inimigos, Alice precisa lidar com uma antiga aliada, Jill Valentine (Sienna Guillory, também espetacularmente linda!), que sofreu lavagem cerebral e tem um sharingan com a marca de guarda-chuva da empresa (eu sei, é bizarro, mas entendedores entenderão).

O filme começa promissor, com uma sequência de cair o queixo em câmera lenta de trás pra frente mostrando os acontecimentos imediatamente após o quarto filme. Logo depois, somos apresentados a um resumão do que aconteceu desde o primeiro filme até aqui, com o rosto de Alice aparecendo numa tela e contando tudo como o previously de uma série de TV — você nem precisa ter visto os filmes anteriores pra se situar.

Depois do resumão, temos a cena inicial (dessa vez, dinâmica e na ordem correta) e somos jogados numa cidadezinha bucólica de subúrbio, onde Alice aparece como uma mulher de família, esposa apaixonada e mãe dedicada de uma garotinha surda. Até aqui as coisas pareciam interessantes. Então, a ação começa novamente, Resident Evil 5 vira um Grand Theft Auto, a porradaria come solta… E tudo desanda.

Não é só o caso da trama ser vazia ou confusa. O que de fato é. Num filme como Resident Evil, a última coisa que queremos é uma trama densa e complexa. Esse é o tipo de filme feito pela simples diversão de vermos um monte de zumbis tendo suas cabeças estouradas por balaços de metralhadoras. Essa é a premissa do game, e deveria ser a premissa de sua adaptação cinematográfica. Mas não é.

O diretor Paul W.S. Anderson parece se levar a sério o tempo todo e talvez por isso se esqueça da principal razão de ser de sua obra. Por exemplo, filmes como Anjos da Noite, Velozes e Furiosos, Transformers são filmes feitos pela ação, que vestem a máscara da ação sem medo e não tentam ser maiores do que isso. Por isso mesmo, são divertidos — diversão despretensiosa. Os Três Mosqueteiros, produção recente do próprio Anderson, é divertido por causa disso.

Mas com Resident Evil 5, o diretor aparentemente quis emular a experiência de jogar o Resident Evil dos anos 90, quando o game ainda estava trilhando seu caminho rumo ao sucesso, quando as coisas eram bem diferentes de agora. Hoje em dia, a forma dos games de survival horror mudou razoavelmente; a visão antiquada é uma forma interessante pra quem quer matar a saudades do Resident Evil 1 no PlayStation, mas não é tão legal pra quem joga o Resident Evil 5 no PlayStation 3. E esse filme é claramente inspirado no quinto jogo da série (em alguns aspectos superficiais, pelo menos).

A forma antiquada tem seu charme, obviamente, mas perde força quando transposta pra outra mídia. Videogame é videogame, cinema é cinema. São mídias diferentes, que demandam abordagens diferentes. Num jogo é aceitável que todas as informações sejam contadas verbalmente pelos personagens a todo instante, mas num filme soa falso. Pior, soa robótico. As atuações do elenco são tão forçadas nesse sentido que eles parecem robôs com os diálogos decorados. Do nada, no meio de uma cidade vazia estremecendo por causa de passos de monstros gigantes, uma personagem começa a explicar pra outra sem qualquer emoção que a inteligência artificial inimiga que controla tudo habilitou monstros pra caçá-las e matá-las. Sério, não precisa explicar; na hora que os monstros aparecem, fica claro o objetivo.

Até aí, tudo bem. Mas Resident Evil é um filme de ação, sobre matança, cujas principais ferramentas deveriam ser os efeitos especiais e a ação. E sua maior falha é não empregá-las direito.

Os efeitos especiais são visualmente impressionantes, mas é fácil cansar deles, especialmente num filme todo gravado num cenário digital. As cenas de ação simplesmente não empolgam. Um dos problemas é O PROBLEMA constante do próprio Anderson, com sua tara desenfreada por câmera lenta. Ele usa tanto que fica maçante! Cenas de ação precisam de dinamismo; se elas param toda hora por causa da câmera lenta, perdem o fôlego e a graça. Ver sangue jorrando na tela é legal, mas é muito mais legal quando o golpe é rápido e brutal — vide Os Mercenários 2, aquilo sim é porradaria frenética com sanguinolência bem filmada.

Resident Evil 4: O Recomeço tinha graves problemas com roteiro, mas era certeiro na ação; e o 3D foi um dos melhores que já vi no cinema — o 3D desse quinto filme é tão fraco quanto o resto. Outro exemplo é a cena com o Executioner (o cara gigante com o machado). No RE 4, ele enfrenta Alice e Claire num cena sensacional num banheiro chuvoso; no RE 5, são dois Executioners que enfrentam Alice e Ada Wong numa cena broxante no meio de um monte de carros. Eram DOIS monstros, logo era pra ser DUAS VEZES mais sensacional! Nem o fanservice pros marmanjos rola.

Quando você tem roteiro fraco, você exagera na ação, isso é meio básico, mas nem o básico Resident Evil 5 consegue ser. A sequência final do combate na neve é sofrível, sem coreografia, sem rapidez, sem impacto, sem orgulho.

Mas a constatação mais triste (tristeza que dói na alma de qualquer fã de games e de cinema) é que em alguns momentos RE 5 parece um filme dirigido por Uwe Boll. Se você já ouviu alguma vez falar desse alemão, você certamente sabe que ele é responsável pelas PIORES adaptações de games já feitas na história dos filmes, como Alone in the Dark e BloodRayne. Mas o pior é perceber que Resident Evil 5 às vezes se parece com a adaptação do cara para House of the Dead. E isso é péssimo demais.

Resident Evil 5: Retribuição é um desserviço não só às adaptações de jogos de videogame para o cinema, mas também para a própria arte de fazer cinema. É um filme mal-conduzido, com atuações forçadas, roteiro vazio e cenas de ação que não empolgam. É um pena ver que uma história legal como Resident Evil é cada vez mais desperdiçada.

[bb]



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