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ParaNorman

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Horror e humor são duas ferramentas que juntas costumam render ideais engraçadas. E quando empregadas pelos bonequinhos de massa mecânicos do stop-motion, o potencial cresce consideravelmente.

ParaNorman (EUA, 2012) emprega a animação stop-motion para juntar horror e humor numa história pra lá de tresloucada e criativa. Mas, acima de tudo, apaixonante.

O filme conta a história de Norman Badcock, um garoto que pode ver e conversar com os mortos, motivo pelo qual é visto com estranheza por sua família e seus amigos. Porém, quando sua cidade é atacada por zumbis, Norman torna-se o único capaz de salvá-la de uma maldição secular.

Para ajudá-lo, nosso herói incompreendido conta com a ajuda de um grupo dos mais improváveis: sua irmã patricinha Courtney, seu amigo gorducho Neil, o saradão meio-lerdo Mitch e o absurdamente tapado Alvin. É um grupo muito improvável mesmo. Do tipo mistura de Goonies com Scooby-Doo — as referências estão todas lá pros saudosistas — que garante grande parte da diversão do filme!

ParaNorman parece um filme infantil numa primeira olhada, mas — até levando em conta as referências — seu senso de humor maduro e sustos genuínos podem não fazer tanto sentido para as crianças quanto provavelmente vão fazer pros adultos. É uma especulação genérica, claro, porque na sessão de imprensa na qual assisti ao filme tinha uma garotinha na minha frente com os pais que estava se divertindo horrores. :)

O filme é legitimamente horripilante. Apesar do foco nos zumbis, ParaNorman é na verdade uma tremenda história de fantasmas, como eu não via faz um bom tempo, com aquela angústia incômoda de acompanharmos a tristeza dos espíritos que ficam presos no mundo dos vivos por assuntos inacabados ou o drama de um menino desprezado porque consegue vê-los e conversar com eles. Norman é um garoto denso e introvertido, mas carismático. O alívio cômico fica por conta dos amigos dele, especialmente o gordinho Neil, que é MUITO engraçado — lembra o Bolão dos Goonies, só faltou o Sloth.

Os zumbis — Miolos! — acrescentam aquele elemento gore dos filmes da antiga no melhor estilo George A. Romero. A própria arte conceitual da animação, com aspecto de quadrinhos pulp, lembra as velhas revistas e pôsteres de filmes que contavam histórias de terror, com direito a uma trilha sonora arrepiante e pontual nesse sentido. Os diretores Sam Fell e Chris Butler, com sua animação aparentemente despretensiosa, prestam uma homenagem e tanto aos clássicos de terror. E tudo isso sem perder o bom humor, aquele humor visual e inteligente que desperta gargalhadas quase infantis. Os adultos provavelmente vão se divertir mais do que as crianças com essa maravilha do stop-motion.

Aliás, no quesito stop-motion, palmas pros caras! O projeto visual dos personagens e as performances vocais são sensacionais; concedem textura e vivacidade para uma história que podia facilmente descambar pra um festival de sustos sem sentido. Os personagens são cativantes, criam empatia como se fossem reais. O Norman fazendo cara de zumbi com pasta de dente da boca é pra conquistar todo mundo numa cena! Apesar dele ser um menino estranho, ele também é curiosamente bem ajustado em sua própria estranheza — e seus pais pra lá de bizarros nos ajudam a entender um pouco mais sobre o porquê de Norman ser como é.

Não é fácil se ajustar quando se é diferente, quando não se segue as convenções frequentemente impostas pela sociedade. ParaNorman é muito sobre isso, sobre como o medo daquilo que é diferente torna as pessoas mais intolerantes e capazes de qualquer coisa para manter intacto aquilo que elas entendem como “normal”. Até nisso a animação consegue se aproximar dos velhos filmes de zumbis, ao destilar um pouco de crítica social nas entrelinhas de sua história.

Aos poucos, à medida que a trama vai caminhando para seu final, o teor ácido e bem-humorado assume características mais dramáticas pra amarrar as pontas soltas. E devo dizer que são amarradas com excelência. O arco da história se fecha de forma tão apaixonante (e angustiante) como começou. Descobrir a verdade por trás da maldição é realmente emocionante.

ParaNorman é um prazer singular e inesperado, que na tentativa de ser um entretenimento diferente para a família acabou aparecendo como uma das melhores animações feitas nos últimos anos.

Deixe-se levar por esses fantasmas e zumbis em busca de redenção e diversão, e você provavelmente verá o que eu vejo…

Eu vejo gente morta.

Com que frequência?!

24 quadros por segundo!

[bb]

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