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O Legado Bourne

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O Legado Bourne (The Bourne Legacy, EUA, 2012) é exatamente o que seu título diz: um legado a ser transmitido pra nova geração, o mais recente capítulo da série inspirada nos livros de Robert Ludlum, que atualmente são escritos por Eric Van Lustbader. Mas o filme pega emprestado pouca coisa do livro no qual se baseia.

Sai Jason Bourne (Matt Damon), entra Aaron Cross (Jeremy Renner). Este quarto filme não é uma continuação dos anteriores nem um reboot da franquia. Dirigido por Tony Gilroy (Conduta de Risco), esse spin-off conta a história de um agente “programado” completamente novo, que se vê envolvido numa conspiração desencadeada pelos acontecimentos dos três primeiros filmes. Jason Bourne nunca foi o único. Ele foi apenas o estopim de algo maior.

Ao contrário do que muitos poderiam pensar, O Legado Bourne mostra-se um thriller inteligente e ágil, que admiravelmente consegue criar uma identidade própria — nesse momento vou evitar trocadilhos com a Identidade Bourne (rs) — e, ao mesmo tempo, permanece fiel à ação movida pelas perseguições tão comuns à franquia. Os elementos que tornaram o Universo Bourne tão popular ainda estão lá, porém os detalhes são mais opressores e a tecnologia é mais avançada. Como bônus, o próprio universo é aprofundado, uma vez que aprendemos mais sobre o processo de criação dos agentes “programados” — antes parte dos Projetos Treadstone e Blackbriar, e agora parte do Projeto Outcome. Há até uma dose sutil do velho suspense hitchcockiano encontrado no clássico Intriga Internacional.

Naturalmente, em grande parte, O Legado Bourne foi feito para os fãs da franquia. A narrativa do filme corre em paralelo com os acontecimentos dos filmes anteriores, sendo apresentados através de vários cortes de edição que se revezam — é um pouco parecido com a forma como O Ultimato Bourne transcorre com os fatos de A Supremacia Bourne. Aliás, a própria forma narrativa de O Legado Bourne segue alguns padrões cronológicos semelhantes a O Ultimato Bourne, do tipo agente encontra mocinha, mocinha ajuda o agente, porradaria, fuga, perseguição de moto, entre outras coisas. Isso cria certa empatia pra quem está acostumado com a franquia.

Tony Gilroy, que escreveu os três filmes anteriores com Jason Bourne e aqui assumiu a direção, mantém os diálogos afiados e a trama intrincada dos três anteriores, e sabiamente não ignora seus elementos mais importantes. Ele entende que Matt Damon é insubstituível e, por isso mesmo, direciona seu filme pra outro caminho. Não obstante, Gilroy deixa uma porta aberta. Se algum dia Matt Damon voltar à franquia, ele ainda pode ser aproveitado, talvez até em parceria com Jeremy Renner. Imagina. Só um pouquinho. Jason Bourne e Aaron Cross aparecendo juntos. Seria épico!

A ideia ambiciosa tem seu valor especialmente por reinventar a franquia em torno da ausência de seu principal personagem, mas sem desmerecê-lo. É uma solução melhor do que simplesmente rebootar tudo — como tem acontecido bastante ultimamente na indústria cinematográfica. Claro que isso também cria um problema. Como O Legado Bourne acontece ao mesmo tempo em que O Ultimato Bourne, toda hora surge uma menção ao Jason Bourne. Mas como ele não aparece no filme, as menções apenas nos fazem lembrar de sua ausência. E isso não é tão legal. Porque, né, é o Jason Bourne. Faz uma puta falta.

A ação está um pouco mais política, ainda mais trabalhado nos bastidores da conspiração, o que torna ainda maior a sensação de paranoia da trama. Não é aquele tipo de ação que desvia o pensamento, mas o tipo de ação que te obriga a se concentrar nos fatos e usar o cérebro pra acompanhá-los, especialmente durante a overdose de informações do começo — passadas com os cortes de edição que eu disse antes.

É assim que ficamos sabendo do desenrolar das ações de Bourne, que chamam a atenção do Coronel Eric Byer (Edward Norton). Preocupado com as repercussões contra o governo americano, Byer ordena que o Projeto Outcome seja interrompido e todos os seus agentes executados. O agente Aaron Cross consegue fugir e, por isso, começa a ser caçado.

A ação fica realmente frenética quando Cross encontra a Dra. Marta Shearing (Rachel Weisz), uma bio-química que cuidava de exames e testes realizados pelos agentes do Projeto Outcome. Numa das cenas mais impressionantes do filme, Cross invade a casa de Shearing para salvá-la de um grupo de homens que tentam matá-la, correndo pelo lado de fora, escalando até uma janela no segundo andar e atirando contra um dos agressores — é uma cena fantástica, conduzida em plano-sequência (sem cortes), que vai acompanhando o avanço de Cross até matar seu inimigo, exaltando toda a imponência do personagem. A partir daqui, a ação só cresce e culmina numa perseguição brilhantemente encenada e que se estende por quase vinte alucinantes minutos.

Pra completar, há ainda a química entre o casal de protagonistas, que funciona muito bem. Jeremy Renner mostra-se crucial com seu herói de ação perigoso e cheio de conflitos, ainda que seja nobre e carismático. Rachel Weisz é basicamente a donzela em perigo e consegue arrancar suspiros com seu desempenho. E sua personagem torna-se ainda mais forte quando começa a desenvolver um instinto de sobrevivência que a faz lutar tanto quanto seu companheiro.

O Legado Bourne não alcança os patamares épicos dos três filmes anteriores, mas combina com eficiência momentos de ação, tensão e interação social. A Identidade Bourne, A Supremacia Bourne e O Ultimato Bourne redefiniram o gênero cinematográfico de ação para um público moderno e fazem parte de uma das melhores franquias de ação e espionagem dos últimos tempos. Seu legado permanece vivo e vai ser assim por muito tempo.

[bb]

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