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Continuum – Primeira Temporada

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Continuum – Primeira Temporada

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Viagem no tempo é um tema recorrente na ficção científica e sempre tem consequências imprevisíveis. É uma premissa óbvia, mas que sempre pode render boas histórias quando bem executada. Continuum (Canadá, 2012) é um desses casos de proposta simples e resultado FENOMENAL.

A história começa numa versão distópica quase orwelliana de Vancouver, no ano de 2077. Nesse futuro cyberpunk, o mundo, após um colapso, foi dominado por mega-corporações opressoras que regem todos os aspectos da sociedade. A cidade tornou-se uma metrópole reluzente pulsando com o que há de mais avançado em tecnologia. Porém, a inovação não veio sem um custo. As pessoas vivem sob uma constante lei marcial para sua própria segurança.

Tal segurança é imposta por um grupo especial de proteção, o City Protective Services (CPS), uma espécie de força policial ultra-avançada.

Kiera Cameron (Rachel Nichols, aquela linda de Alias) é a linha tênue entre os cidadãos e os criminosos da cidade, uma protetora das mais fodonas no que faz. Como todos os protetores da CPS, Kiera veste um traje bio-mecânico a prova de balas e embutido com todos os tipos de aparatos tecnológicos, como camuflagem, sistema de comunicações e dispositivo de taser aprimorado. É quase como um iPhone pro corpo inteiro, uma das melhores invenções da série. Que traje foda!

Mas não é tudo. Kiera também possui implantes oculares que funcionam como scanners e um Chip Líquido implantado em seu cérebro com um Arquivo de Memória Cerebral que armazena todo o tipo de informação de seu córtex, informações que podem ser baixadas em computadores, tornando Kiera uma espécie computador vivo. Basicamente, ela é uma espécie de ciborgue; até certo ponto, lembra um pouco a policial Motoko Kusanagi, do anime Ghost in the Shell, misturada com o Exterminador do Futuro. E ainda tem uma pistola retrátil com mira holográfica.

Porém, a história não se restringe ao futuro. Ela acontece, de fato, no presente. Em 2077, surge um grupo terrorista chamado Liber8 que explode um edifício e causa a morte de milhares de pessoas. Liderado por Edouard Kagame (Tony Amendola), eles acreditam ser combatentes da liberdade que vão livrar a sociedade das corporações opressoras. Por seus crimes, os terroristas do Liber8 são capturados e condenados à morte, mas no momento da execução, eles fogem para outra época com um dispositivo de viagem no tempo. Kiera tenta impedi-los e acaba saltando no tempo junto com eles.

No ano de 2012, o Liber8 começa a executar um plano ousado para mudar o futuro. Graças à tecnologia avançada de comunicações embutida em seu cérebro, Kiera entra em contato com um hacker adolescente chamado Alec Sadler (Erik Knudsen), que está destinado a desempenhar um papel importante no futuro. Kiera também junta forças com um detetive da polícia de Vancouver, Carlos Fonnegra (Victor Webster), de quem relutantemente acaba se tornando parceira. Com a ajuda de Alec e Carlos, a policial do futuro começa sua caçada por Travis Berta (Roger R. Cross, de 24 Horas), Sonya Valentine (a estonteante Lexa Doig, de Andromeda e V), Lucas Ingram (Omari Newton), Curtis Chen (Terry Chen), Jasmine Garza (Luvia Petersen) e Matthew Kellog (Stephen Lobo) — destes, Kellog é o mais intrigantes, um dos personagens de mais destaque, que só melhora no decorrer dos episódios.

A série faz um trabalho fenomenal ao transformar a Vancouver de 2012 num lugar soturno e ameaçador, bem diferente da paisagem ensolarada que normalmente vem a cabeça quando pensamos na cidade canadense. Essa atmosfera obscura fortalece ainda mais a decadência apresentada na Vancouver de 2077, que é uma cidade parecida-mas-completamente-diferente. A forma como presente e futuro são mostrados é mais ou menos semelhante à forma como os dois mundos de Fringe são apresentados, embora aqui a ligação entre essas duas realidades seja bem mais estreita. E a qualidade dos efeitos visuais — especialmente no futuro — é fantástica, muito superior ao que poderíamos esperar para uma série de TV em sua primeira temporada.

Mas seus personagens dúbios e sua trama intrincada são os elementos verdadeiramente responsáveis pelo espetáculo que é a série. Kiera é o principal deles. Rachel Nichols é simplesmente irresistível como protagonista do show, igualmente eficiente em projetar a vulnerabilidade de alguém fora de sua realidade e a ameaça constante de uma mulher que pode facilmente quebrar sua cara na porrada. Num momento, ela reage como uma criança ao ver um cavalo ou algo do presente que não existe mais no futuro, noutro, tenta sozinha enfrentar um grupo de delinquentes armados pra salvar seu amigo ferido. Além do fato de ser LINDA DEMAIS, Nichols consegue ser durona e apaixonante. Céus, como eu adoraria ser escaneado por aqueles olhos azuis ESPETACULARES!

A dinâmica entre Kiera e Carlos é interessante uma vez que eles confiam um no outro, mesmo ela sendo incapaz de revelar seus segredos para ele. Os dois têm química. É ele quem ensina a personagem quase robótica a ser humana.

Superficialmente, a história move-se como uma espécie de policial futurista, algo como 24 Horas carregado de ficção científica. Aliás, como o próprio 24 Horas, a trama desenvolve-se entre momentos de ação rápida e tensão angustiante, que inclusive mascaram algumas das incongruências que muitas vezes aparecem em histórias sobre viagens no tempo. Entre os episódios de destaque, além do sensacional piloto, posso citar o oitavo e o nono, quando acontece a grande guinada por trás do sentimento que conduz a série. É quando finalmente vemos Kiera deixando de ser o ciborgue vindo do futuro e tornando-se um pouco mais a humana do presente. O traje cibernético é a representação física disso. Ao ser hackeado por Alec, muda da cor cobre (referente a um futuro mais ordeiro e reluzente) para a cor negra (de um presente mais caótico e incerto). Mais do que isso, Kiera aprende a confiar mais em seus instintos humanos e, por isso, assume definitivamente as características ambíguas da trama.

Por baixo do aspecto policial e ficção científica, há muito mais coisa a se considerar, porque com uma mudança rápida de perspectiva, vilões podem parecer mocinhos e mocinhos podem parecer vilões nessa série. Basicamente, os terroristas do Liber8 aparecem lutando por ideais como liberdade e democracia. Isso concede originalidade para a história, porque nossa heroína é, na verdade, fruto de uma civilização entorpecida por uma lavagem cerebral no melhor estilo 1984 — o que coloca os bandidos como os verdadeiros justos. Porém, o Liber8 matou milhares de inocentes numa versão futurista do ataque do 11 de setembro. Ou seja, nós somos levados pela trama a não tolerar as ações do grupo revolucionário, mas ao mesmo tempo concordamos com seu ponto de vista. E quando Kiera começa a se tornar mais humana, a vemos sofrer com estes mesmos questionamentos. A própria heroína começa a se perguntar até que ponto seus inimigos estão certos ou errados nessa história. Olhando não como um computador, mas como uma humana, ela vê que nem tudo é preto e branco, nem tudo é somente 1 e 0. Isso é muito foda!

A premissa interessante impressiona ainda mais com a habilidade com que a série é conduzida pelo roteiro de seu criador, Simon Barry (sou seu fã, cara!). O fato de contar uma história curta, com apenas 10 episódios, já favorece bastante, pois não sobra espaço para enrolação. Os episódios são rápidos e diretos na apresentação e no desenvolvimento da trama e dos personagens e quase sempre terminam com um cliffhanger que te faz querer ver desesperadamente o próximo episódio. Aliás, PALMAS pros showrunners por me deixarem muito feliz e puto e satisfeito e puto no final da temporada! A série fecha um arco, mas termina com um corte seco que deixa um gancho absurdo pra próxima temporada, do tipo que explode seu cérebro e te faz querer (também desesperadamente) ver o que vai acontecer a seguir. Chega logo segunda temporada! Chega logo!

Continuum não tenta reinventar a roda, mas trabalha com competência sua mistura de ação, drama e ficção científica e caminha com firmeza para se tornar um marco a ser registrado na história de todos esses gêneros. O melhor de tudo é podermos apreciar uma estética genuinamente cyberpunk, como não se via faz um bom tempo na TV. Nesse momento em que estamos prestes a presenciar o final de Fringe, Kiera Cameron pode ser a heroína de ficção científica que vai substituir Olivia Duhnam em nossos Arquivos de Memória Cerebral. Continuum é facilmente uma das melhores séries exibidas esse ano!

[bb]

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