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Lost Girl – Primeira Temporada

Nível Heroico

Lost Girl 1

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Lost Girl (Canadá, 2010) é uma série sobre seres sobrenaturais com um toque bem jovens adultos, criada por Michelle Lovretta, de Mutante X, e exibida aqui no Brasil no canal Sony Spin.

A história gira em torno de Bo (Anna Silk), uma mulher que leva uma vida errante e que não conhece seu verdadeiro passado. Mas logo de cara, ela descobre os detalhes que tornam a trama tão interessante. Bo, na verdade, é uma súcubo, uma espécie de criatura sobrenatural que se alimenta da energia gerada pelo prazer sexual. Por ter estado perdida durante anos de seus pares, Bo nunca soube controlar essa fome e seu poder, e sempre matava suas vítimas com simples beijos ou durantes relações sexuais — algo como a Vampira de X-Men. Quando descobre sua verdadeira natureza, também descobre que é parte de um mundo oculto dos humanos compostos por milhares de espécies de criaturas sobrenaturais como ela. Aos poucos, Bo entra nesse mundo e aprende a entendê-lo. Porém, essas criaturas, chamados coletivamente de Fae, dividem-se em clãs, a Luz e a Treva, e qualquer Fae deve escolher um dos lados. Mas Bo, por ter vivido tanto tempo sozinha, muda tudo ao não escolher um lado, permanecendo neutra em meio as rixas entre os Fae da Luz e os Fae das Trevas.

Esse cenário misterioso é um dos grandes motivos do charme da série. Lost Girl inspira-se na lenda das súcubos — cuja versão masculina chama-se íncubos — para compor sua história. Segundo a lenda, que remete aos tempos da Idade Média, as súcubos eram demônios com aparência de mulheres belíssimas que apareciam em sonhos para homens e mantinham relações com eles até exauri-los completamente ou matá-los. Mitologicamente, Lilith, a primeira esposa de Adão, que o teria abandonado por não aceitar submissão, foi a primeira súcubo e também era constantemente associada ao mito dos vampiros. Bo tem muito da lenda de Lilith, com seu desejo de permanecer livre e, como ela mesma diz na abertura, viver a vida como escolheu. No primeiro episódio, aliás, Bo chega até a ser confundida com uma vampira, considerando as similaridades que realmente existem entre os mitos.

Outra visão interessante concebida por Lovretta é a organização social dos Fae, que parece um pouco com o jogo de role-playing game Changeling: O Sonhar (um dos discípulos de Vampiro: A Máscara). Talvez até pegue inspirações do jogo. O próprio nome Fae é usado em Chageling, pois, também de acordo com os mitos, a palavra Fae serviria como uma designação para Seres Mágicos ou Fadas.

Na série, além da divisão entre Luz e Treva — que seria algo como Corte Seelie e Corte Unseelie —, há também as inúmeras raças de Fae, que fornecem bastante pano de fundo para as histórias de cada episódio. Bo é uma súcubo, mas existem lobisomens, tritões, nornas, leanan sidhe (espécie de musa), fúrias, espíritos e todo o tipo de criatura mítica das mais variadas mitologias que você pode imaginar. Apesar dessa mistura de mitos, os seres sobrenaturais são apresentados com certa concisão e se encaixam adequadamente na proposta do cenário. É um mundo bem legal de desbravar.

Aliás, uma coisa que merece destaque é a divisão de títulos dos líderes de cada clã. Os Fae da Luz são liderados pelo Ash (Clé Bennett), um negão tão sisudo e soturno que chega a dar medo; e os Fae da Treva tem a Morrigan (Emmanuelle Vaugier), uma mulher sedutora e traiçoeira, que aparece pouco, mas sempre que aparece inspira respeito.

Mas apesar de toda essa atmosfera sobrenatural, o grande destaque da série ainda está em mãos humanas — ou melhor, de uma humana. Kenzi (Ksenia Solo), a melhor amiga de Bo. Ela é esperta, sabe se virar, fala russo fluentemente (e cada vez que ela pragueja em russo é divertido pra caramba) e tem fortes tendências cleptomaníacas. É, de longe, a personagem mais foda da série. Numa de suas tentativas de fazer um ganho contra um cara qualquer, Kenzi quase é estuprada, mas é salva por Bo e acaba descobrindo os poderes especiais da súcubo. Sem muitas perspectivas de vida, Kenzi decide ficar junto de Bo e as duas tornam-se investigadoras particulares de casos estranhos. Bo é a força bruta e Kenzi é a alma do negócio. E as frases da humana tresloucada são impagáveis. Ela fala muita merda. E por isso mesmo é divertida. Fora um pequeno detalhe que a torna ainda mais apaixonante: a atriz Ksenia Solo é LINDA DEMAIS! O que são aqueles olhos azuis?! Ela é tão bonita e radiante que às vezes apaga a protagonista Anna Silk. E olha que a Silk é uma tremenda de uma gostosa!

No mais, a história de Bo e Kenzi é contada através de episódios tipo “crime do dia”, nos quais alguma coisa bizarra acontece e elas são levadas a solucionar. Esses arcos vão conduzindo a trama maior, que envolve a busca de Bo por seu misterioso passado. E devo dizer que o final da temporada, quando as coisas vão se encaixando, é muito bom.

Pelo caminho, a súcubo consegue fazer alianças e recebe a ajuda de outros Fae, como o baixinho Trick (Richard Howland), que é dono do bar para seres sobrenaturais chamado Dal, uma espécie de lugar neutro dentro da sociedade Fae. Trick é uma espécie de mentor para Bo, mas também esconde um bocado de segredos.

Outro aliado é Dyson (Kris Holden-Ried), um lobisomen que trabalha disfarçado como policial junto com o tritão Hale (K.C. Collins). Dyson é um personagem dos mais fodões: rabugento, mal-humorado, sedutor e feroz, como um lobo. Ele é um par romântico relutante para Bo e, por ser um Fae, não sofre consequências graves ao ter sua energia drenada pela súcubo. O resultado é 2+2. Sempre que Bo precisa de energia pra se regenerar de seus ferimentos, Dyson está lá pra um sexo rapidinho com ela. E assim aos poucos, eles vão construindo uma relação agradável. Que não segue rumos meio felizes. O final de temporada de Dyson é heroico e consideravelmente triste.

E a relação entre Dyson e Bo tem ainda que lidar com Lauren (Zoie Palmer), a médica humana que trabalha para os Fae da Luz e volta e meia ajuda Bo. Como nossa heroína é uma súcubo, que preza pelo sexo independente do gênero, Bo acaba desenvolvendo uma relação afetiva também com Lauren, criando uma triângulo amoroso meio improvável e que não dá muito certo. O negócio é que Lauren é uma personagem meio chatinha e sem presença, enquanto Dyson é bem mais legal. Pra completar, Anna Silk e Kris Holden-Ried têm bastante química juntos.

Lost Girl, com todo esse mix folclórico, consegue manter um ritmo acelerado ao longo da temporada, embalado por uma trilha sonora com toques de rock, doses boas de sarcasmo e muita sensualidade — afinal, a protagonista é uma súcubo que se alimenta do desejo sexual dos outros. Aliás, apesar do aspecto história de menininhas, a série não tem pudores ao tratar de temas sobre violência e sexualidade, e isso é um ponto positivo. Não é algo explícito no nível de True Blood, mas é bem eficiente dentro de sua proposta. E ainda consegue escapar de alguns dos moralismos que têm rondado histórias mais recentes sobre seres sobrenaturais (especialmente vampiros).

Lost Girl não exatamente uma série inovadora, mas é divertida, fácil de assistir e completamente viciante. Bo também é uma personagem por quem vale a pena torcer. Ela é forte, decidida, ingênua, passional, sensual e carismática na medida certa, um turbilhão de emoções digno de uma menina perdida, sempre vestida com roupas apertadas de couro negro de deixar queixos caídos. Sim, é muito amor. Literalmente.

[bb]

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