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Ao no Exorcist

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Ao no Exorcist (Japão, 2011), que poderia ser traduzido como Exorcista Azul, é um anime inspirado no mangá escrito e ilustrado por Kazue Kato, adaptado como série de TV pela A-1 Pictures e dirigido por Tensai Okamura, de Wolf’s Rain.

A trama se passa numa acompanha Rin Okumura, um garoto problemático que descobre ser filho de Satan, o Rei dos Demônios. Ele descobre que o mundo, na verdade, é dividido em duas dimensões, Assiah, o mundo dos humanos, e Gehenna, o mundo dos demônios governado por seu pai.

Rin é filho de uma relação entre Satan e uma humana, mas foi escondido do pai original em Assiah e criado por um pai adotivo, o Padre Shiro Fujimoto, que faz parte dos Exorcistas, uma ordem de guerreiros treinados pelo Vaticano para destruir demônios que eventualmente cruzam a barreira entre as dimensões e vêm de Gehenna para Assiah. Ciente da verdade, Rin decide se tornar um Exorcista para derrotar Satan e vai para a Academia da Vera Cruz junto com seu irmão gêmeo Yukio. A academia é presidida pelo misterioso e excêntrico Mephito Pheles e, lá, Rin começa seu treinamento para combater demônios e controlar as perigosas chamas azuis que herdou de Satan. A turma de Rin é formada ainda por Shiemi Moriyama, Ryuji Suguro (também chamado de Bon), Izumo Kamiki, Renzo Shima, Konekomaru Miwa e um moleque-bizarro-com-um-boneco-de-pano-rosa-na-mão-que-não-tem-qualquer-finalidade-na-história. Mais tarde, ainda somos apresentados à Shura Kirigakure, um Exorcista fodona e peituda que usa pouca roupa e é meio desproporcional — mas é fodona!

O anime tem todo o clichezão básico dos animes shounen — o protagonista revoltado meio burro e impulsivo, mas superpoderoso e determinado a proteger seus amigos; o amigo/rival (aqui irmão gêmeo) do principal que é mais inteligente e sisudo, mas que aqui milagrosamente não tem cabelo azul, já que o azul ficou todo reservado para o protagonista (afinal, há um motivo para o “Ao” no título da série); a menina meio atrapalhada por quem o protagonista fica apaixonadinho, mas que só tem olhos para o amigo/rival inteligente; o pai meio desnaturado, mas que é compreensível e também poderoso; o mentor misterioso, excêntrico e todo poderoso; a mentora que aparece depois e também é excêntrica e toda poderosa (e gostosona); a escola, ah, a escola… Tá tudo ali. Mas isso não chega a ser um problema. Apesar do aspecto estereotipado, o anime é divertido e a dinâmica entre seus personagens é interessante de assistir.

Naturalmente, o foco maior do enredo acaba sendo mesmo a relação entre os dois irmãos, Rin e Yukio, o que torna os outros personagens um tanto superficiais, com motivações que parecem até certo ponto efêmeras. Ryuji, por exemplo, é um personagem que começa parecendo importante com seu comportamento rebelde e seu desejo de matar Satan, mas que aos poucos vai perdendo força e destaque. Ele claramente deveria ser um grande rival para Rin, mas não sobressai em momento algum com esse fim e rapidamente se perde na história. O próprio Yukio tem um desenvolvimento confuso e arrastado, que só melhora nos episódios finais.

Na verdade, o problema com os personagens é um problema causado pela forma como a história é trabalhada. A primeira metade passa muito tempo introduzindo os personagens e demora demais pra engrenar. Na segunda metade é que os verdadeiros inimigos começam a ser apresentados, a história de fato começa a caminhar e a ação começa de fato a acontecer. Porque o grande problema do início do anime é justamente esse: falta ação!

Outro problema — e esse problema é o MAL da maioria dos animes da atualidade — é a quantidade excessiva de episódios fillers para uma série com apenas 25 episódios. Não é difícil perceber quando um episódio está enrolando a história e quando um episódio está levando a história pra frente, porque os episódios fillers são chatos. O filler dos personagens na praia enfrentando uma lula gigante dá vergonha alheia de tão ruim. O único filler realmente divertido é o episódio de aniversário, no qual todos os personagens recebem destaque igualmente e porque esse episódio é meio que a calmaria antes da tempestade — é depois dele que as coisas ficam agitadas na trama.

Dentre os melhores episódios estão os que mostram o arco do acampamento, que reserva participações importantes para todos os personagens. Sem contar que é quando somos apresentados ao verdadeiro potencial demoníaco de Rin numa luta foda entre ele e Amaimon, um demônio maior e também filho de Satan. Nesse arco finalmente podemos ver a reação dos companheiros de turma de Rin ao fato dele ser filho do Rei dos Demônios, embora a forma como as reações dos personagens é desenvolvida seja um pouco apressada — talvez pela perda de tempo excessiva com fillers numa série com apenas 25 episódios, como eu disse antes.

Os episódios finais também são o ponto alto do anime. São mais rápidos e focam no andamento da história, nas lutas e nas revelações da trama. A ideia por trás dos objetivos de Satan, apesar de ser meio confusa a princípio, prova-se uma reviravolta atraente por quebrar um pouco com o velho conceito de bem e mal.

Em termos técnicos, a animação é melhor parte do anime, excelente em muitos aspectos, com traços de personagens limpos e tonalidades com bastante azul — condizente com o título. A arte conceitual dos demônios é bem estilizada, misturando um pouco da concepção ocidental com a visão oriental de espíritos malignos. A trilha sonora também é impressionante e dá o clima certo para a atmosfera sobrenatural meio melancólica meio agitada do anime. Destaque para as ótimas músicas aberturas: Core Pride, da banda UVERworld, e In My World, da ROOKiEZ is PUNK’D — sendo que Core Pride é a minha preferida!

Ao no Exorcist ainda vale a pena para quem curte histórias shounen carregadas de misticismo e lutas sobrenaturais, mas não se preocupa muito com enredo. Não é inovador, nem excepcional, nem complexo. Seu valor está justamente em sua simplicidade e na capacidade de exorcizar alguns demônios com um pouco de diversão despretensiosa.

[bb]



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