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O Ditador

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O Ditador (The Dictator, EUA, 2012), diferente de outros filmes de Sacha Baron Cohen, é uma comédia um pouco mais convencional, sem aquele estilo documentário engana trouxa de Borat ou (do péssimo) Bruno. Mas uma coisa boa é que, apesar do ar serelepe, o filme é cheio de alfinetadas bem dadas na política norte-americana (e de muitos outros países do mundo) e atores que conseguem sustentar o humor.

Na trama, Haffaz Aladeen (Sacha Baron Cohen) é o governante autoritário do país africano fictício de Wadiya — um cruzamento entre Muammar Kadafi (Líbia) e Kim Jong-il (Coreia do Norte). Com seu ego imenso, ele determinou que palavras comuns como “Sim” e “Não” fossem substituídas por seu nome, ou seja, em seu país ninguém se entende — como, aliás, o é em muitos países. E se alguém ousar reclamar sobre isso ou qualquer outra coisa, Aladeen manda seus guardas decapitarem o sujeito.

O ditador controla uma vasta oferta de petróleo e está construindo ogivas nucleares, e diz ao mundo que as armas serão usadas para “fins pacíficos” — mas tem um ataque de riso antes de começar as palavras. Ele odeia Israel. Pra se divertir, joga videogame sobre o massacre nas Olimpíadas de Munique em 72.

Baron Cohen adora retratar anti-semitas como imbecis. Mas aqui parece haver também um trabalho psicológico sobre a relação entre ditadores e oprimidos: você assume o papel de pessoas que você teme.

O humorista consegue criar com Aladeen uma empatia divertida tão forte com tanta imbecilidade, que você se vê torcendo por ele — sim, torcendo por um ditador inescrupuloso —, até porque esse idiota é mais agradável do que seu assessor ainda mais inescrupuloso, Tami (Ben Kingsley). Tamir consegue forjar um assassinato contra Aladeen a caminho de um discurso na ONU e substitui o ditador por um sósia. Tamir quer fazer de Wadiya uma democracia, não porque ele se preocupa com o povo, mas porque deseja abrir o país para as empresas de petróleo dos EUA de modo a ficar absurdamente rico.

Aladeen sequestrado e levado para tortura numa sequência particularmente engraçada do filme, quando o ditador escrotiza seu torturador por ser um torturador melhor. Aladeen consegue fugir e acaba sendo acolhido na loja de produtos naturais de Zoey (Anna Faris), uma ativista de direitos humanos que ajuda Aladeen. Faris é provavelmente o maior problema do filme, porque ela simplesmente não convence com sua forma de interpretar personagens engraçados — e essa é uma impressão que eu tenho desde Todo Mundo em Pânico.

Como filme anti-fascista com crítica social disfarçada de humor escatológico, O Ditador se sai melhor do que se poderia esperar — aliás, é até digno de aplausos a forma como Aladeen vai trabalhar na tal loja de produtos naturais e doma (de domar mesmo) sua equipe usando técnicas brutais e autoritários. O filme não é sensacional, mas dá as alfinetadas certas e arranca as risadas certas.

Em um discurso climático, Aladeen exalta os benefícios de uma ditadura sobre a democracia — que dá aos líderes, segundo ele, o poder para declarar guerra (unilateralmente), violar direitos civis, e manter uma economia na qual os ricos ficam mais ricos e os pobres continuam pobres. Tudo isso com um sorriso cínico — e uma barba medonha — na cara, numa mostra de triunfo do humorista. São poucos que vão gostar. Mas é o tipo de filme que, mesmo dentro de certas convenções, consegue misturar diversão e sátira política pra mostrar que a babaquice não impede a existência da seriedade. E quem sou eu pra discordar do Ditador. Não quero ser decapitado!

[bb]

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