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Game of Thrones

Inspirada nos livros de George R.R. Martin, As Crônicas de Gelo e Fogo, a série se situa nos Sete Reinos do continente de Westeros e também em Essos no final de um verão que durou uma década, onde várias histórias se entrelaçam na luta entre várias casas nobres pelo Trono de Ferro dos Sete Reinos. Ao mesmo tempo, a última herdeira de uma antiga dinastia, exilada do outro lado do oceano, traça sua jornada rumo à Westeros com o objetivo de recuperar o trono. Em meio aos conflitos, os povos do Norte se preocupam com o inverno iminente e a ameaça de criaturas lendárias que chegaram junto com o frio.

(Game of Thrones) – Fantasia. Estados Unidos, 2011.

De David Benioff e D.B. Weiss. Com Emilia Clarke, Jack Gleeson, Kit Harrington, Lena Headey, Maisie Williams, Peter Dinklage, Richard Madden, Sophie Turner, Stephen Dillane, Nikolaj Coster-Waldau, Charles Dance, Natalie Dormer, Aidan Gillen, Iain Glen, Isaac Hempstead, Mark Addy, Gwendoline Christie, Michelle Fairley e Sean Bean. Canal HBO. 50 episódios. 55min.

Temporada 01Temporada 02Temporada 03

Temporada 04Temporada 05

Game of Thrones


PRIMEIRA TEMPORADA – RESENHA
(Por Raphaela Ximenes)

Para os amantes de aventuras épicas, uma saga chegou para mudar as regras do jogo das séries de TV. Mundos paralelos, personagens com poderes super-humanos, mistérios numa ilha, serial killers, vampiros, zumbis, eram temas de séries que já tinham conquistado enorme sucesso e legiões de fãs pelo mundo. Mas ninguém estava preparado para uma saga em estilo fantástico-medieval, com um roteiro quase realista, com toda a trama ambientada no fictício mundo criado por George R.R. Martin em seus livros. Felizmente, os fãs de Martin não se decepcionaram, nem um pouco. Desde os cenários, até a escolha do elenco, todo o cuidado com o novo show agradou e conseguiu arrebanhar mais uma multidão de fãs, que decidiram conhecer melhor as histórias e ler os livros.

Com consultoria do próprio Martin, a série estreou com tamanha força que sua segunda temporada foi confirmada dois dias após a estreia do primeiro episódio. O que é incrível, porque, como a maioria das séries, os primeiros episódios apenas apresentavam os personagens, ambientava o público e começava a contar a história dos Sete Reinos de Westeros. Mas como não se envolver e nem se apaixonar pelas tramas criadas por Martin, muito bem adaptadas pelos roteiristas David Benioff e D.B. Weiss.

Game of Thrones nos transporta para esse reino fantástico, porém com pesadas doses de realismo, onde violência, intrigas políticas, traições e muito sexo temperam cada episódio. O grande sucesso da série não nasceu apenas por causa de sua qualidade e por ser baseada em um bestseller. A trama cativa por não ser maniqueísta; não existe bem e mal, não há certo e errado. Todos podem ser heróis, assim como podem ser vilões. Isso até causa algum estranhamento à primeira vista, já que a família Stark parece ser o centro de tudo; porém, conforme o quadro aumenta, nossa percepção também muda, e aqueles que pareciam ser vilões, passam a ser os favoritos do público.

Claro que Eddard “Ned” Stark (Sean Bean) é por quem todos torcem, aquele que todos querem que vença, que parece não se deixar levar pela corrupção. Em contra partida, há o anão Tyrion Lannister (Peter Dinklage), da família mais odiada por todos, debochado, sem escrúpulos e que apenas vive para o prazer; mulheres, dinheiro, bebida e conforto, isso é tudo que lhe importa. Ele, contudo, é um herói inusitado, que mostra grande inteligência quando necessário. Tyrion é, talvez, o personagem mais querido do público que acompanha Game of Thrones, principalmente porque essa adoração foi conquistada com o tempo. Como recompensa a Dinklage por seu trabalho primoroso, o ator ganhou um Globo de Ouro por construir um Tyrion tão perfeito.

Outro personagem que conquistou a todos é a inocente Daenerys Targaryen (Emilia Clarke), forçada a casar com o líder dos bárbaros Dothrakis, Khal Drogo (Jason Momoa). Assustada e completamente deslocada no início, Daenerys percebe que precisa conquistar seu marido para ganhar a fidelidade do povo dele, para só então ser capaz de lutar pelo trono de Westeros. A cada episódio, Daenerys cresce, fortifica-se e vira a heroína de todos. Mas ela não reina sozinha; a pequena Arya Stark (Maisie Williams) também nos conquistou com seu jeito rebelde, sua insistência em aprender a lutar e por sua compreensão do mundo onde o pai vive.

Tudo começa no norte, em Winterfell, nas terras de Ned Stark, que vive com a família em terras gélidas, perto da ameaçadora Muralha. Quando descobrimos que Stark é o melhor amigo do Rei de Westeros, Robert Baratheon (Mark Addy), também percebemos que o reino é muito maior. Baratheon é casado com a bela Cersei Lannister (Lena Headey), de uma das famílias mais ricas do reino, que mantém um romance incestuoso com o irmão, Jamie (Nikolaj Coster-Waldau). Corruptos, ricos e poderosos, o casal de irmãos é capaz de qualquer coisa para manter-se no poder, inclusive machucar uma criança.

Nessa primeira temporada também conhecemos a Muralha, que protege Winterfell e toda a parte civilizada de Westeros dos terríveis selvagens do Norte. Protegida pela Patrulha da Noite, bastardos e criminosos que ganham uma segunda chance ao protegerem o reino da ameaça além da Muralha. Jon Snow (Kit Harington), filho bastardo de Ned Stark, torna-se um membro da Patrulha e cresce nessa primeira temporada, por sua valentia e fidelidade a seu pai e ao seu reino.

O que torna Game of Thrones especial é a forma como nos introduz a um mundo, que poderia ser verdadeiro, com elementos de fantasia apresentados de uma forma muito sutil. Dragões de uma época em que Westeros era próspero e governado por grandes heróis e terríveis tiranos. Lobos gigantes. Mortos-vivos e um mal antigo que parece estar retornando ao reino. Tudo se mescla com naturalidade às intrigas criadas por Martin e às histórias das famílias dos Sete Reinos. Os elementos sobrenaturais são tratados como lendas urbanas, com certo distanciamento, ao mesmo tempo em que carregam o suspense digno de filmes do gênero, como por exemplo O Nome da Rosa.

A abertura merece um destaque especial. É um ponto perfeito de introdução ao mundo fantástico da trama, com o mapa de Westeros sendo apresentado através da mudança de lentes, uma vez que tudo ali é intriga e apenas os olhares mais aguçados seriam capazes de enxergar as verdades por trás de tantos segredos. É através da abertura que ganhamos consciência da dimensão de Westeros, sem a necessidade de grandes tomadas das paisagens. Os lugares nos são apresentados como engrenagens que movem um jogo cruel e repleto de maquinações. Tudo coroado pela belíssima canção de Ramin Djawadi.

Impossível explicar de forma simples por que Game of Thrones é uma das melhores séries atualmente. Seu sucesso vai além da qualidade estética e de sua trama muito bem costurada. Ela é genial por tudo isso e por conseguir despertar o lado fantástico que há em cada um de nós. Por ser uma aventura adulta que flerta com o místico, deixando-nos muito a vontade para torcer por seus personagens, especular sobre suas tramas e tentar descobrir quem é o maior merecedor do Trono de Ferro. Com certeza, há muito tempo uma série não despertava tanta paixão em tantos, e isso com apenas uma temporada.


Game of Thrones

SEGUNDA TEMPORADA – RESENHA
(Por Raphaela Ximenes)

A primeira temporada de Game of Thrones conquistou todos aqueles que decidiram dar uma chance à série. Aumentou a venda dos livros e ganhou uma legião de fãs empolgados por todo o país. O sucesso foi tão grande que, para a segunda temporada, o canal HBO decidiu exibi-la simultaneamente com os EUA. Um enorme presente para o público brasileiro, ser possível assistir aos episódios ao mesmo tempo em que o público norte-americano, poupando-nos o risco de ler spoilers.

O fim da primeira temporada foi inacreditavelmente surpreendente! Mataram o herói e a pessoa menos provável se tornou rei de Westeros. Os Starks se separaram, com Sansa (Sophie Turner) presa ao novo rei, Arya (Maisie Williams) fugindo para salvar sua vida, Jon Snow (Kit Harington) enfrentando seres sobrenaturais na Muralha, e Robb Stark (Richard Madden) declarando guerra ao Rei Joffrey (Jack Gleeson). Além da virada mais incrível de um personagem, Daenerys (Emilia Clarke) saindo do fogo com filhotes de dragão em seus ombros, o que mostrou sua força e a consolidou como uma das personagens favoritas da série.

A espera de um ano levantou questões, criou discussões, e não havia um fã da série que não reconhecesse a genialidade que foi terminar a primeira temporada com a morte do favorito ao trono de Westeros, deixando a forte família Stark à deriva. Com um índice de audiência inacreditável para um canal a cabo, a série voltou para a segunda temporada com força total e mais uma vez não decepcionou.

Inspirada basicamente no livro A Fúria dos Reis, da saga escrita por George R. R. Martin, a segunda temporada mostra Westeros totalmente em ebulição, onde ninguém reconhece a soberania de Joffrey, ao mesmo tempo que todos consideram-se reis. Robb Stark decide vingar a morte de seu pai e é proclamado Rei do Norte por aqueles que devem fidelidade a Ned Stark. Stannis Baratheon (Stephen Dillane), irmão de Robert (Mark Addy), acredita ser seu o direito ao Trono de Ferro. O outro irmão Baratheon, Renly (Gethin Anthony), cria uma aliança com Robb Stark, por intermédio da mãe do Rei do Norte, Catelyn Stark (Michelle Fairley). Jon Snow ruma para o norte, além da Muralha, para combater o renegado Mance Ryder. Theon Greyjoy (Alfie Allen) busca seu pai para conseguir apoio para Robb Stark, mas descobre que seu pai e sua irmã têm planos completamente diferentes em relação àquela família. Danaerys Targaryen continua sua busca por navios e um exército capaz de derrotar os Lannisters. Arya mostra sua força ao permanecer escondida como uma herdeira dos Starks, virando toda a situação a seu favor.

Mas, se a primeira temporada gira em torno dos Starks, essa segunda mostra melhor quem são os tão odiados Lannisters, que tem Tyrion (Peter Dinklage) como seu melhor representante. Tyrion brilha sozinho e com muita facilidade nessa temporada, na qual está prestes a estourar a guerra. Ninguém quer Joffrey no poder, ele não é merecedor de forma alguma do Trono de Ferro, mas é impossível não torcer por Tyrion e sua sensacional estratégia para derrotar os inimigos de seu sobrinho, que estão prontos para atacar o reino. Todos os arcos são bem trabalhados nessa temporada, dando espaço para todos. Mas é a mente de Tyrion, suas tiradas e toda sua jornada dentro da série que mais move a paixão contida no enredo, capaz de inspirar os fãs. É muito fácil odiar os Lannisters, mas é impossível não torcer pelo Meio-Homem.

Não satisfeitos em entregar uma segunda temporada perfeita, que mostra todo o crescimento dos personagens mais importantes, a narrativa chega ao clímax com um episódio de batalha muito bem orquestrado, equilibrando todos os momentos da batalha dentro de sua uma hora de duração e mostrando a força das estrelas dessa temporada, Tyrion e Cersei (Lena Headey). Mas é preciso segurar a atenção de todos, dos leitores do livro e dos não leitores, assim, mais uma vez, Game of Thrones chega a um fim de temporada inesquecível, com desfechos impactantes e com mais uma cena final de pular da cadeira, deixando todos com muita antecipação para uma terceira temporada que com certeza será de muitas reviravoltas.


Game of Thrones

TERCEIRA TEMPORADA – RESENHA
(Por Alan Barcelos)

Game of Thrones nos colocou em uma posição difícil, uma vez que somos cada vez mais pressionados a tentar identificar os bons e os maus. Quando não há realmente o bom absoluto ou o mau definitivo. Essa é apenas uma das razões pelas quais a série é tão grandiosa. A terceira temporada pega basicamente de onde a segunda temporada terminou, estabelecendo-se uma combinação épica das várias histórias em curso e evoluindo-as com seus múltiplos personagens. E esse é o foco, cada personagem envolvido nas disputas pelo Trono de Ferro. Além de performances surpreendentes, efeitos visuais, efeitos especiais, sexo e cenas de batalha de ferver o sangue, Game of Thrones é sobre os personagens.

O poder é o ponto de impulso e virada para muitos dos personagens da série. Aparentemente, bons personagens podem seguir pelo caminho do mal por causa de poder. Ao mesmo tempo, as pessoas que percebemos como vilões da história podem demonstrar compaixão surpreendente, e tudo é feito de forma crível, que faz sentido dentro da dinâmica do enredo.

Outra grande força na história é que muitas das personagens femininas são tão poderosas como os homens que lutam para serem reis. Algumas mulheres, como Brienne de Tarth (Gwendoline Christie) e a jovem Arya Stark (Maisie Williams), mostram seu poder em meio a um mundo tradicionalmente masculino: Brienne luta com espadas com habilidade que deixaria qualquer homem com inveja, enquanto Arya finge ser um menino para sobreviver após a execução de seu pai. Outras, como Cersei Lannister (Lena Headey) e Daenerys Targaryen (Emilia Clarke), frequentemente pensam e agem fora dos padrões dos homens ao seu redor.

Catelyn Stark (Michelle Fairley), motivada inicialmente pelo instinto materno e pelas tradições matrimoniais, aos poucos é moldada pela vida e pelas perdas nos Sete Reinos, tornando-se uma adversária formidável para qualquer inimigo que tente ameaçar sua família ou o legado de seu marido.

Outro elemento recorrente de Game of Thrones é como as pessoas muitas vezes são vítimas de sua própria arrogância, e como seus atos sempre geram consequências. A série continua a explorar o perigo daqueles que são inebriados pelo próprio poder, especialmente no caso do sádico Rei Joffrey Baratheon (Jack Gleeson), do orgulhoso Stannis Baratheon (Stephen Dillane) e do presunçoso Jaime Lannister (Nikolaj Coster-Waldau).

Mesmo Robb Stark (Richard Madden), sempre tão estoico, mostra um momento de fraqueza em relação à mãe e às suas convicções devido ao poder crescente que agora tem nas mãos. Alguns desses personagens revelam-se extremamente instáveis na terceira temporada, e a punição por essa instabilidade promete chegar de forma avassaladora para alguns deles. Os que não caíram agora, cairão no futuro, esse é um fato que permeia a história o tempo todo. Cada ato, cada escolha, tem uma consequência, e elas frequentemente são drásticas.

Game of Thrones não tem heróis e vilões no estilo clássico que estamos tão acostumados, ao invés disso, é sobre o jogo de poder eterno entre as mais poderosas Casas dos Sete Reinos para determinar quem vai ocupar o Trono de Ferro. Em muitos aspectos, é como uma grande partida de xadrez, com vários lados, e que pega muitas inspirações de vários momentos da política ou do folclore da história humana, como elementos da Guerra das Rosas e das peças de Shakespeare por exemplo. Ainda que possua elementos tradicionais da fantasia, como dragões e mortos-vivos, a história consegue manter os pés no chão… ou melhor, no tabuleiro. E como em um jogo, se um personagem parece estar levando a melhor sobre outro personagem, não se surpreenda com as viradas de mesa, porque elas acontecem, mais cedo ou mais tarde.


Game of Thrones

QUARTA TEMPORADA – RESENHA
(Por Alan Barcelos)

A premissa da quarta temporada de Game of Thrones diz muita coisa sobre o atual momento da série. Valar Morghulis, “Todos os homens devem morrer”, o ciclo que a vida nos Sete Reinos do continente de Westeros segue sem piedade. Ao longo dessa temporada, ainda estávamos tentando assimilar as implicações do infame Casamento Vermelho (no episódio da terceira temporada intitulado “The Rains of Castamere”). Ainda que tenha sido o nono dos 10 episódios da temporada, continua a ser o mais memorável da série, não só por causa das mortes de grandes personagens, Robb, Catelyn e Talisa Stark, mas porque o massacre deixou um vácuo de poder significativo no panorama geral da história.

A quarta temporada trabalha com os questionamentos sobre o fato da Casa Stark ainda ser capaz de exercer influência nos Sete Reinos depois de quedas tão devastadoras para a família. Poderia o filho bastardo, Jon Snow (Kit Harington), tomar as rédeas da família? A filha mais velha, Sansa (Sophie Turner), se casou com Tyrion Lannister (Peter Dinklage) em um casamento político arranjado por Tywin Lannister (Charles Dance) depois que ele descobriu o complô para unir as Casas Stark e Tyrell — quando Sansa se casaria com Loras Tyrell (Finn Jones) às escondidas. — Ainda assim, será que ela pode usar o casamento com o Anão para ganhar alguma vantagem para o que sobrou de sua família?

Há ainda o casamento ansiosamente aguardado do sádico menino rei Joffrey Baratheon (Jack Gleeson) com Margaery Tyrell (Natalie Dormer). Ninguém jamais consideraria Joffrey o marido ideal, mas Margaery e sua avó, Olenna (Diana Rigg), entendem o valor de uma grande aliança política em um momento de tantas instabilidades e turbulências nos Sete Reinos. O casamento com um sádico surge como uma solução inteligente, e ao mesmo tempo, a experiência matriarcal de Olenna garante que a neta não precise enfrentar totalmente as consequências de uma aliança tão desagradável.

O Casamento Roxo garantiu que Joffrey não chegasse às núpcias, e revelou o grande poder de Game of Thrones na cultura pop atual. O efeito foi tão imenso que revelou uma questão que até então existia, mas não recebia a mesma atenção ou preocupação como agora: os spoilers. Dos que leram os livros e sabem o que vai acontecer antes do episódio, e dos que viram o episódio antes de outros e não se privam de descarregar suas emoções nas redes sociais logo que o episódio acaba. A discussão sobre spoilers chegou até mesmo aos realizadores da série, surpresos com a repercussão não do Casamento Roxo, mas com a enxurrada de spoilers e gente irritada por causa disso. Game of Thrones entra para a história da televisão por causa emoções e conflitos que nem mesmo o fenômeno multimídia que foi Lost conseguiu alcançar.

Somando-se a antecipação do casamento há ainda a chegada de um ilustre convidado, Príncipe Oberyn Martell (Pedro Pascal), um homem ávido por experiências sexuais, que também é um grande combatente conhecido como Víbora Vermelha e que nutre pouco apreço pelos Lannister. Naturalmente, os Lannister se mostram preocupados com a presença dele no casamento, e isso cria uma tensão interessante para o personagem, especialmente em suas intrigantes interações com Tyrion. Isso nos leva a um duelo entre Oberyn e o gigantesco Gregor Clegane (Hafþór Júlíus Björnsson), em uma das batalhas mais incríveis da série, com um desfecho que mostra quão tolo pode ser um guerreiro que se deixa levar pela prepotência.

Sansa move-se para o centro do tabuleiro, não apenas por causa de seu casamento com Tyrion, mas também porque ela exibe o tipo de inteligência estratégica que seria de se esperar em uma grande jogadora. Ela demorou a perceber qual deveria ser sua postura, e agora, depois de tantas tragédias e provações, ela parece estar encontrando seu verdadeiro lugar no jogo. Se a execução do pai não endureceu seu coração o suficiente, certamente a morte do irmão e da mãe o fizeram. Ainda que demonstre certa relutância, Sansa tornou-se uma sobrevivente.

Ainda mais fascinante está sua irmã mais nova, Arya (Maisie Williams), que é mais sábia e auto-suficiente do que sua aparência jovem e sua pouca idade nos fariam supor. Ela permanece uma força da natureza subestimada por seus inimigos, e por isso, prova-se cada vez mais destinada a desempenhar um grande papel na história. Outros personagens também evoluem bastante nessa temporada, enfrentando conflitos dramáticos (e dolorosos) entre o excesso de auto-confiança e a dúvida constante em si mesmos. Theon Greyjoy (Alfie Allen) e Jaime Lannister (Nikolaj Coster-Waldau) precisam lidar com as consequências de seus erros, ambos agora desprovidos de partes importantes do corpo.

Deixando de lado as mortes, casamentos, traições e outros eventos cotidianos nos Sete Reinos, a quarta temporada revela-se uma fase de transição significativa no desenrolar da história. Com tantos personagens principais retirados do tabuleiro, sentimos que o jogo dos tronos move suas peças adiante, não só com novos jogadores, mas com uma geração mais jovem assumindo os papéis mais centrais da trama, tornando-se maiores e mais fortes como personagens. Em muitas séries, matar alguns personagens principais e mudar drasticamente outros normalmente acontece quando os escritores querem renovar o interesse do público. Esse não é o caso aqui. Os livros trabalham o conceito dessa forma, e a série se inspira nessa abordagem. Não ter medo da mudança é a essência da história. As peças mudam, o jogo continua.


Game of Thrones

QUINTA TEMPORADA – RESENHA
(Por Alan Barcelos)

Game of Thrones está sofrendo. Em sua quinta temporada, a série está sofrendo sobre muitas questões, em relação a muitos aspectos, e nós estamos sofrendo junto com ela. Antes de qualquer coisa, é impossível negar o efeito que Game of Thrones provoca desde que estreou na televisão. Agora chegamos a um ponto que todo programa precisa enfrentar quando alcança longevidade, que é: como manter o interesse do público? Por outro lado, existe toda a questão envolvendo o fato de ser uma adaptação de uma série incompleta de livros; Game of Thrones finalmente alcançou os livros e agora precisa seguir com suas próprias pernas, desenvolvendo sua própria visão da história, a sua maneira. Isso pode ser bom e ruim, e depende muito, na verdade, do ponto de vista de cada um que a assiste.

O quarto e o quinto livro são problemáticos se comparados aos três primeiros; até Tormenta de Espadas, George R.R. Martin parecia saber exatamente o que estava fazendo e para onde estava seguindo. Depois de Festim dos Corvos, a história começou a se perder naquela coisa de estender demais a ideia até a possibilidade de um sexto/sétimo livro. Nos romances, provavelmente deveria ter terminado no quarto ou quinto, mas se estendeu demais e a coisa perdeu a força de antes. O problema é que a história se abriu demais e demais e agora muito está acontecendo, para todo lado, e as coisas andam mais devagar. Por um lado, isso ajuda a expandir personagens e o universo, sendo que nos livros, são inúmeros personagens novos. Por outro, retarda demais a história ao ponto que não sabemos aonde realmente ela quer chegar.

Esses aspectos se refletem na série, que transcorre de forma similar. Os produtores estão se afastando dos livros, e é difícil evitar o “cansaço” do quarto e quinto livros. Há ainda o fato de que não dá para manter uma série o tempo todo em nível de clímax constante como aconteceu nas temporadas anteriores. De vez em quando, é necessário segurar um pouco o fôlego, deixar esfriar, para conduzir a história para novos momentos de clímax, mais ou menos como aconteceu com Walking Dead. Eu imaginava que essa mudança de ritmo aconteceria mais cedo ou mais tarde; acontece com todas as séries que se estendem por muitos temporadas. O que não significa que a série ficou ruim, apenas que ela diminuiu um pouco a forma como se desenvolve. Faz parte.

Com um texto mais enxuto, a série evitou a inserção de múltiplos novos personagens, conduzindo a trama com os personagens antigos (que incorporaram acontecimentos dos livros que não pertenciam a eles). Nos livros, entram mais personagens, mas nada de relevante acontece para a maioria deles. A série manteve a essência dos romances, e estabeleceu seus próprios interesses para o enredo a fim de evitar algumas armadilhas. Tudo do livro possui uma correspondência na série. Não é exatamente igual, mas a essência está lá. Jorah Mormont se contaminar com a Escamagris mostra um pouco disso, com ele assumindo a posição de Griffin. Brienne de Tarth parece estar assumindo, pelo menos em parte, o papel de Mance Ryder nos livros (que continua vivo após a sequência da fogueira). Enquanto Sansa está com a parte da falsa “Arya Stark”, que nos livros é Jeyne Poole fingindo ser Arya. As coisas foram mescladas e reduzidas, ainda mantendo a essência dos acontecimentos e do clima geral nesse momento da história.

Ainda que o ritmo seja lento como nos romances, é mais fluído aqui. Por enquanto, o enredo da quinta temporada segue como parte de um percurso, até chegar ao lugar aonde quer chegar. Porque, por mais que não pareça agora, a série quer chegar a algum lugar. As coisas podem estar meio perdidas desde o fim da Tormenta de Espadas, mas ainda há um objetivo.

SPOILERS: ATENÇÃO! A partir desse ponto, o texto contém spoilers sobre o enredo da quinta temporada de Game of Thrones. Se você não quiser saber detalhes cruciais sobre a série, pare agora e volte apenas depois de assisti-la. Agora se você não se importa de ler spoilers, continue por sua conta e risco.

Sansa Stark e Jon Snow tiveram um bom crescimento na temporada. Apesar das polêmicas envolvendo o estupro de Sansa na noite de núpcias com o sádico Ramsay Bolton (Iwan Rheon), o arco dela na série contribuiu mais com o crescimento da personagem do que a forma como ela é tratada nos livros.

O que acontece com a Sansa, nos livros, acontece com outra personagem, Jeyne Poole, melhor amiga de Sansa que é enviada por Tywin Lannister para Winterfell se passando por Arya Stark e é obrigada a casar com Ramsay Bolton. Apesar de serem personagens diferentes, as coisas acontecem da mesma forma. E o que acontece com a Sansa concedeu um peso maior à personagem e a sua intérprete. Sophie Turner é uma atriz talentosa, que provavelmente não teria todas as suas qualidades exploradas se mantivessem Sansa no caminho semelhante ao dos livros. Por que inserir uma atriz nova para um personagem novo (Jeyne) quando se pode usar um talento que a série já possui? Colocarem Sansa nesse momento tão escuro da série foi uma escolha interessante, ainda que dolorosa de se ver. Nada relevante acontece com ela na parte dos livros condizente a essa temporada.

O negócio é como isso repercutiu. Estupro é um tipo de violência complexa de se lidar quando surge na ficção, não é tão simples abordar o assunto e se discutir sobre isso nesses casos. A série já tem gerado muitas discussões acaloradas por conta da ultra violência, e isso também já deixa os ânimos inevitavelmente exaltados. Alguns acreditam que essa ultra violência é exagerada, feita para chocar o público e chamar atenção para a série. Outros que faz parte da história. A verdade é que, provavelmente, é um pouco dos dois. Game of Thrones cresceu em cima desse conceito de um cenário sobre a disputa pelo poder e no quão cruel e decadente podem ser ser as pessoas na luta por exercer poder uns sobre os outros. A série, nos livros e na TV, sempre foi honesta nesse sentido. Por isso, podemos dizer que, sim, a ultra violência é usada como parte inerente da história.

Por outro lado, Game of Thrones também ganhou destaque por causa das cenas chocantes de violência. Quando estreou, em 2011, a série teve um destaque considerável, mas não chamava tanta atenção como agora, ou como começou a chamar a partir da segunda temporada. Um exemplo de uma das principais razões que fez a série ficar rapidamente falada da primeira para a segunda temporada? Uma cena chocante. O herói protagonista perde a cabeça. De repente, todos queriam saber do que se tratava, o que estava acontecendo. Quem via a série, surtou; quem não via, começou a ver para surtar também. Quando vieram as temporadas seguintes, a Batalha de Água Negra, o Casamento Vermelho, o envenenamento de Joffrey, a luta entre Montanha e Oberyn, entre outras coisas, a série cresceu ainda mais, muito por causa dos momentos chocantes que ela proporcionava. Isso foi algo bom para a série, e talvez não tão bom para os realizadores e o público. Porque o público começou a demandar esses momentos chocantes com frequência, acreditando que essa seria a essência da série, e os realizadores também assumiram uma postura de que todas as temporadas precisariam ter momentos chocantes, ou a série não se sustentaria e cairia na monotonia.

Um exemplo disso: nos episódios do meio dessa quinta temporada, o que mais se via eram comentários de que a série estava chata, morna, monótona. No episódio 06, da Sansa, os comentários começaram a mudar em virtude da polêmica. No episódio 08, em que Jon Snow enfrenta os White Walkers, pessoas já gritavam exaltadas “que foda!”, “GoT voltou a ser o que era!”, entre outras coisas. No episódio 09, um dos mais impactantes, dois momentos chocantes em um único episódio. No episódio 10, um monte de mortes (ou supostas mortas). Essa é a parte em que temos impressão de que, agora que precisam afastar a série dos livros (já que a série alcançou os livros publicados até agora), os realizadores assimilaram a ideia de que uma das coisas importantes é chocar. Se você vir a consternação das pessoas nas redes sociais após a season finale, gente inclusive dizendo que não vai ver a série nunca mais, você vai entender por que eles continuam a fazer as coisas dessa forma.

Queiramos ou não, isso faz parte do cenário, e também é um elemento que pode jogar contra ele. Então, sim, ultra violência também é feita para chocar o público e chamar atenção para a série. Não é fácil lidar com histórias ultra violentas. E os realizadores da série terão que se entender melhor com isso se quiserem, daqui para frente, manter o equilíbrio do cenário sem perder a essência dele. Não acho que as pessoas que afirmam que vão desistir da série realmente desistirão (a maioria, pelo menos), mas uma hora, pode ser que essa debandada se torne uma realidade, nunca se sabe.

De volta à Sansa, uma coisa que me chamou atenção é que na maioria das vezes as discussões sobre a cena pareciam mais voltadas para o fato de ser com uma personagem diferente do que é no livro, do que pela questão da violência contra a mulher em si. Ramsay Bolton é um louco, e a loucura dele é doentia. Ele faz isso nos livros com Jeyne, e faz isso na série com Sansa. Era de se esperar uma atitude assim de um homem com a índole dele. Mas na verdade, parecia que a consternação era maior porque era a Sansa, que é uma personagem maior do elenco, mais ingênua e delicada dentro da história e que não merecia isso. Mas e aí, se fosse a Jeyne Poole, seria menos pior, ou mais aceitável, por ser uma personagem menor? NENHUMA mulher merece isso, e mesmo assim, milhares sofrem com isso todos os dias.

O uso da violência nas histórias, ainda que sirva ao propósito da história, normalmente é uma boa oportunidade para se debater sobre como esse tipo de violência está presente nas nossas vidas fora da ficção. A violência da guerra discute sobre a guerra. A violência contra a mulher é uma oportunidade para discutirmos sobre a violência contra a mulher; ou você acha que aquilo que Ramsay fez com Sansa ou Jeyne é diferente do que acontece por aí mesmo em pleno século XXI? Casamentos por conveniência e/ou que resultam em violências terríveis existem aos montes ainda hoje. Infelizmente, nossa realidade é tão desoladora e fria como a de Game of Thrones, e nós talvez não estejamos olhando para onde realmente deveríamos olhar na hora de discutir isso.

Outro momento de impacto veio com um grande enredo sobre uma das crianças mais adoráveis de Westeros que encontrou um fim desagradável nas chamas acendidas por um bando de fanáticos religiosos. O sacrifício (que na verdade é uma execução) da menina Shireen (Kerry Ingram) é provavelmente um dos momentos mais trágicos de toda a série; e por ser algo que não está nos livros, muitos não esperavam por esse desfecho. O fato de que Selyse finalmente se revela uma mãe decente no último minuto, o olhar no rosto de Stannis Baratheon ao permitir que isso aconteça, os gritos estridentes da garota, tudo é desolador ao extremo. Uma desolação tão grande que devastou Stannis como personagem, vide seu desfecho ao se deparar com Brienne no campo de batalha. Com remorso ou não, ele matou uma criança doce, inocente, porque ele sentiu como se fosse sua obrigação se tornar o rei, algo que ele nem sequer parecia querer mais, mas perseguia porque aquele objetivo já tinha lhe custado demais para voltar atrás ou porque ele era muito orgulho para admitir a derrota. Extremismo, fanatismo, radicalismo, coisas com as quais também precisamos lidar até mesmo nas situações mais cotidianas.

Nesse sentido, parece condizente com a história e a trajetória trágica de um homem fraco tentando ascender ao poder para não admitir sua fraqueza. Por outro lado, também pareceu um artifício para chocar o público, mais uma vez dentre tantas vezes. Assim como a morte de Myrcella Baratheon (Nell Tiger Free), que acontece no episódio seguinte, e que, de todas as mortes chocantes de Game of Thrones, soou a mais desnecessária até agora. Myrcella tinha potencial para crescer como personagem, tornar-se algo mais do que uma refém do jogo dos tronos. Nos livros, ela ainda resiste bravamente; na série, não teve tanta sorte e isso é muito triste.

Esse excesso, que se provou um problema da série nessa temporada, acabou apagando um pouco do brilho de outros momentos emocionantes e que deveriam ser os verdadeiros momentos de grandeza. O problema de se matar um monte de personagens é que começa a sobrar pouca gente para nos importarmos. Ou simplesmente, ficamos tão anestesiados que paramos de nos importar com os que ainda estão vivos e em movimento na trama.

Com o destino cruel de Shireen, por exemplo, Daenerys Targaryen acabou sendo ofuscada em uma de seus maiores momentos. Na abertura das arenas de luta, assistindo à luta de seu adorado Jorah Mormont pela própria vida e para ser aprovado novamente por ela, somos levados a uma cena de miséria e emoção grandes quando os Filhos da Harpia surgem em meio à plateia criando caos e matança. Isso culmina no momento que esperamos desde que Daenerys renasceu do fogo com sua ninhada de dragões: o momento em que ela cavalgaria um dragão. A aparição de Drogon sobrevoando a arena, suas rajadas de chamas para proteger a mãe e o momento em que ela sobe nele e voa para longe dali, estão entre as cenas mais emocionantes da temporada, e da série inteira; um momento que me deixou todo arrepiado e com um sorriso relutante no rosto… relutante porque eu não conseguia esquecer que Shireen estava morta de uma forma tão cruel e angustiante. Nem mesmo a Dança dos Dragões é capaz de abafar os gritos de morte de uma criança sendo queimada.

Há também a dor e as reações exaltadas pela suposta morte de Jon Snow na última cena da season finale. Nos livros, não fica claro se ele morreu, então ele ainda pode sobreviver. E isso pode acontecer de várias maneiras: Melisandre está na Muralha, e assim como Thoros de Myr, ela pode ser capaz de ajudá-lo; Fantasma, o lobo de Jon, também pode salvá-lo, talvez tirando-o dali e levando-o para Melisandre, talvez através dos dons de Warg (o poder de troca-pele), de modo que Jon poderia continuar sua jornada habitando o corpo de Fantasma; e há ainda as teorias sobre Jon ter descendência Targaryen, o que seria um elemento importante para que o personagem não seja descartado assim tão facilmente da história. Além disso, habitar o corpo do lobo pode ser uma forma de manter a essência/consciência intacta para a hora em que Melisandre conseguir trazê-lo de volta, como um novo homem (“Kill the boy and let the man be born”). O ator Kit Harington recentemente deu uma entrevista dizendo que não vai assinar para a próxima temporada e que Jon Snow teria acabado para ele; se isso se concretizará e como o personagem vai seguir a partir daqui, por enquanto, não temos mais livros para nos contar, então teremos que esperar para ver o que vai acontecer. Mas isso não significa que Jon Snow não vai voltar. Acredito que ele vai voltar para ser o grande guerreiro que enfrentará os White Walkers.

Ainda assim, vou só divagar um pouco sobre o caso de Jon Snow não voltar ao estado humano: imagina só, se ele realmente se transfere para o Fantasma e fica preso no corpo do lobo, e segue sua jornada dessa forma, até o dia que seu caminho se cruza com os dragões de Daenerys e ele muda do corpo do lobo para o corpo de um dragão. Daenerys cavalgando o dragão Jon Snow, ainda persistiria de alguma forma no caminho das crônicas, não? O gelo e o fogo.

Game of Thrones está fazendo as coisas como elas devem ser. Podemos falar o que for sobre os vários problemas e modificações da TV em relação aos livros, mas também precisamos reconhecer que David Benioff e D.B. Weiss estão fazendo um trabalho surpreendente na condução da série. Agora que Martin passou para eles o que tinha em mente para o final da história, ainda é louvável a forma como estão trabalhando o material de origem e inserindo suas próprias ideias. Isso é algo a se respeitar; poucas séries, ou mesmo filmes de cinema, são capazes de chegar perto desse nível de comoção que mobiliza os fãs e a crítica. Para o bem ou para o mal, essa temporada terminou deixando um gosto de sangue e cinzas na boca. Independente de sucesso ou fracasso, a série já conquistou seu próprio trono.

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  • http://www.gmail.com Luis Cesar

    Game of Thrones é muito bom,Não acompanho os livros e não assisti nenhuma das temporadas completas,mas os episódios que eu assisti me cativaram demais!

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