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Guerreiro

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Guerreiro (Warrior, EUA, 2011) é um filme que não chegou a ir para os cinemas aqui no Brasil, tendo sido lançado diretamente para DVD. O que é uma pena, porque merecia uma exibição no cinema, especialmente em tempos que o MMA está ganhando cada vez mais terreno no país. Não sou grande fã de MMA… Mas virei fã de Guerreiro. Porque é um filme não só muito bom, é impactante.

Uma primeira olhada poderia revelar um filme simplório sobre as Artes Marciais Mistas (Mixed Martial Arts). E até certo ponto, isso é uma visão adequada. De fato, o roteiro é simples, sem grandes pretensões. Porém, Guerreiro consegue ser mais. Muito mais. No fundo, é uma história pesada de redenção; sobre a tentativa de um pai em reconstruir o relacionamento conturbado com seus filhos, sobre a responsabilidade de um soldado por ajudar a esposa de um amigo; e sobre a dificuldade de um marido em arcar com as responsabilidades de prover sustento a sua esposa e seus filhos.

Paddy Conlon (Nick Nolte) é um alcoólatra que vive sozinho, abandonado pelos dois filhos por causa da bebedeira. Estes dois filhos seguiram caminhos diferentes na vida. Brendan Conlon (Joel Edgerton) é um professor de física aparentemente comum, dedicado à esposa e aos filhos, mas que se tornou lutador de rua com o objetivo de ganhar um dinheiro extra para sua família. Tommy Conlon (Tom Hardy) é um ex-soldado na guerra do Iraque, que volta para casa transtornado e tentando se reajustar numa vida que não aceita de forma alguma. Para tentar amenizar sua raiva, Tommy volta a lutar e rapidamente ganha notoriedade no meio por causa de seu estilo “pitbull” na hora da porradaria.

As histórias destes três homens, interligadas pelas sempre complicadas responsabilidades familiares e pelas muitas vezes libertadoras artes marciais, seguem com seus conflitos até culminarem no impressionante clímax, quando enfim compreendemos as razões por trás de tudo e também como pode ser difícil a trajetória de um guerreiro — não somente aqueles homens que lutam num ringue, mas aqueles homens que lutam para controlar os rumos de suas vidas por mais difíceis que sejam.

Guerreiro consegue ser mais do que um simples filme de luta porque explora com certa coesão o drama dos personagens e as lutas, que são coreografadas com habilidade. O diretor Gavin O’Connor coordena de forma adequada a narrativa, que se privilegia também com a boa montagem. É quase como ver Rocky Balboa lutando MMA. Porém, o filme tem limitações que às vezes forçam demais a suspensão de descrença. Alguns arcos meio exagerados podem causar estranheza para alguns, ainda que favoreçam a história de alguma forma — como a verdadeira história por trás da participação de Tommy na guerra do Iraque.

Aliás, falando no personagem, Tom Hardy é uma coisa de outro mundo! Mostra o porquê dele estar se tornando um dos atores mais reconhecidos atualmente na indústria do cinema. Passional ao extremo, mal-humorado, com uma intensidade carrancuda transmitida por olhares furtivos e linguagem corporal defensiva, Hardy expressa de forma impecável um cara que na verdade está apenas tentando se proteger das ameaças do mundo ao redor. Dando porrada, mas se protegendo. O ator, que aparece como um verdadeiro brutamonte tatuado, leva ao pé da letra a ideia de “pitbull”. Ele é um tanque de guerra indomável!

Nick Nolte como o pai em busca de perdão funciona como apoio para os outros dois atores e com toda a sua experiência o faz com solidez, misturando exagero e arrependimento.

Joel Edgerton, por sua vez, surge impressionante de um jeito totalmente diferente, como um homem esforçado e trabalhador que infelizmente não tem sorte na vida. As cenas contracenadas por Hardy e Edgerton juntos têm a dose certa de emoção para um relacionamento fraterno tão marcado por ressentimentos — especialmente a cena em que eles se encontram na praia. Não é surpresa que os dois acabam se enfrentando no final. Mesmo assim, mesmo sabendo que eles vão se enfrentar, em nenhum momento fica realmente claro quem será o vencedor.

Há um monte de filmes aos quais Guerreiro poderia facilmente ser comparado, como Redbelt – Cinturão Vermelho, Quebrando Regras (que é mais adolescente) ou O Lutador, mas apesar das semelhanças, este filme cria sua própria identidade.

Nada aqui é garantido. E, por isso, Guerreiro surpreende. Seus méritos conseguem ofuscar seus problemas. O filme atinge os níveis emocionais adequados para alguém que curte assistir às lutas de MMA, mas por causa do elenco, atinge também a história que se esconde por trás dos homens que se enfrentam nestes combates, homens que possuem vidas, famílias e problemas, e que podem ser tão normais quanto quaisquer outras pessoas.

PS: O filme foi lançado diretamente para DVD aqui no Brasil.

[bb]

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